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Design da vida: sete tendências para a próxima década, segundo a Accenture

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Arte Grupo Padrão (André Ota)

A proximidade de uma nova década tem desafiado as empresas a buscar propósitos maiores em suas áreas de atuação, que vão além do lucro e do crescimento acelerado. É o que revela um relatório divulgado recentemente pela Fjord, a consultoria de design e inovação da Accenture.

O Fjord Trends 2020 destacou ainda a necessidade de as empresas reavaliarem seus objetivos, lugares no mundo e de encontrarem novas formas de medir seu sucesso. Essas novas métricas podem mudar a maneira como lidamos com os negócios nos próximos anos: afinal, como trabalhar para alcançar metas além do lucro sem esquecer que, em última instância, o lucro é essencial para a sobrevivência das empresas a longo prazo?

Se formos capazes de resolver esse enigma, diz o relatório, poderemos pensar novas formas de gerar valor que vão transformar toda uma geração. As organizações mais bem-sucedidas serão aquelas com modelos de negócios sustentáveis ​​e uma visão de longo prazo de si mesmas e de seu impacto no mundo.

A seguir, listamos as sete tendências que, de acordo com o relatório, devem moldar os negócios na próxima década.

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Foto Arek Socha (Pixabay)

1.As muitas faces do crescimento

De acordo com a Fjord, o Capitalismo está enfrentando uma “crise de meia-idade”. Diante das mudanças de valores sociais, climáticas e econômicas e da instabilidade política, as pessoas estão começando a questionar crenças antigas – incluindo a noção de que o crescimento a qualquer custo não é aceitável. Assim, investidores, clientes e funcionários estão incentivando as organizações a reconsiderar sua visão de mundo.

2.Novos significados do dinheiro

A forma como percebemos o dinheiro e pagamos pelas coisas está mudando rapidamente. Essas transformações criam inúmeras oportunidades para uma série de novos produtos e serviços.

Esta transformação começou já há alguns anos, com o advento dos cartões de crédito. Agora, uma nova revolução está transformando o dinheiro em algo invisível, que faz parte de ecossistemas digitais de troca de valor. O relatório da Accenture destaca ainda que os bancos estão nos estimulando a pensar de forma diferente sobre nossas finanças pessoais, e que devem inovar ainda mais nesse sentido em um futuro próximo, usando inteligência artificial.

Enquanto isso, governos, órgãos reguladores e stakeholders debatem questões envolvendo moedas digitais, como estabilidade financeira, proteção de dados e privacidade.

3.Códigos de barras ambulantes

Quais são os limites entre privacidade e conveniência, quando se trata de tecnologia de reconhecimento facial e corporal? De acordo com a Fjord, essas inovações tornaram nosso corpo físico tão rastreável quanto a nossa identidade digital.

Com a chegada do 5G, a tendência é que ainda mais produtos e serviços surjam para produzir conteúdos personalizados a partir de dados coletados no nosso dia a dia.

“À medida que as máquinas se tornam capazes de interpretar nossas características físicas, nossos rostos podem ser lidos como códigos de barras. Seu corpo torna-se uma assinatura”, aponta o estudo.

4.Liquid people

Esta tendência, segundo a Fjord, é complementar à primeira listada pelo relatório, “As muitas faces do crescimento”. Ao mesmo tempo em que as pessoas têm forçado as empresas a repensar sua visão de negócios, elas também têm avaliado as vidas que levam e seu impacto no mundo. Esse novo comportamento já está transformando nossos hábitos de consumo, o que pode significar novas oportunidades para as empresas nesse sentido.

“Não apenas as expectativas sobre nós para que façamos as escolhas certas estão crescendo, mas também as chances de sermos criticados caso não as façamos”, descreve a Accenture no estudo.

Foto (Pxhere)

5.Design da inteligência

A experiência humana está se tornando cada vez mais complexa, e o próximo passo para a inteligência artificial é ir além da automação, projetando sistemas que se misturam à inteligência humana e aprimorando essa relação entre o homem e a máquina.

As empresas vão precisar de novas abordagens para desbravar todo o potencial de colaboração humana com as máquinas inteligentes. Como vamos interagir e aprender a trabalhar com elas? E  como elas poderão aprender conosco? Questões importantes que, de acordo com o relatório da Accenture, permanecem sem resposta.

6.Dublês digitais

Nossos gêmeos digitais podem estar mais perto do que imaginamos. A Fjord diz que essa tecnologia tem tudo para ir além das indústrias e fazer parte do nosso cotidiano. A aposta é que, em um primeiro momento, os dublês digitais sejam tratados apenas como forma de entretenimento. Em um segundo estágio, no entanto, eles poderão ser capazes de executar tarefas e armazenar nossos dados. Será?

7.Design centrado na vida

Como apontam as outras tendências destacadas no relatório, as pessoas e organizações têm questionado cada vez mais a natureza egocêntrica dos negócios, e buscado novas formas de crescimento para além do lucro.

Nesse novo cenário, as pessoas deixam de ser vistas de maneira isolada, e passam a ser tratadas como elementos integrantes de ecossistemas. Essa mudança faz com que os projetos passem a ser pensados com base em valores pessoais e coletivos, não sendo mais desenvolvidos para “usuários”, mas para toda a vida.


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