Design Sprint: a metodologia ágil para tirar uma hipótese do papel - WHOW

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Design Sprint: a metodologia ágil para tirar uma hipótese do papel

Especialista comenta que esta prática pode ser o ingresso de uma companhia na cultura da inovação. E confira as melhores práticas da Visa

POR Eric Visintainer | 11/03/2021 15h09 Arte Grupo Padrão (Érika  Bernal) Arte Grupo Padrão (Érika Bernal)

A metodologia ágil do Design Sprint foi criada pelo designer norte-americano Jake Knapp enquanto trabalhava no Google, no início da década de 2010. E a ferramenta passou a ser utilizado desde do aperfeiçoamento do mecanismo de buscas do Google Hangouts, até chegar ao braço de Corporate Venture Capital da big tech, onde conduziu mais de cem sprints ao lado de Braden Kowitz, Michael Margolis, John Zeratsky e Daniel Burka.

O foco é tirar uma hipótese do papel e transformá-la um protótipo utilizável, com o recebimento de feedback do público-alvo. E um ponto crítico que os especialistas ouvidos pelo portal Whow! abordaram, passa pela a formação de um grupo multidisciplinar, com diversas formações e olhares diversos para o problema.

Knapp e os seus colegas desenharam o Design Sprint da seguinte forma, para que aconteça em cinco dias:

Dia 0 (Pré-início) ― Antes de iniciar o processo é necessário ter o desafio e o time corretos, bem como um local e tempo para que o Sprint ocorra;

Dia 1 (Segunda-Feira) ― Entendimento do problema: começar pelo final pensando no objetivo, depois fará um mapa do desafio, seguirá para entrevistas com especialistas (internos ou externos) que possam ajudar com conhecimento e no final do dia escolherá uma parte considerável do problema para ser solucionada ao longo da semana;

Dia 2 (Terça-Feira) ― Foco nas soluções: revisar as ideias existentes para misturá-las e melhorá-las, com o desenho simples de soluções e começará o recrutamento dos consumidores que irão testar o produto na sexta-feira;

Dia 3 (Quarta-Feira) ― Escolha de um caminho: debater as soluções propostas e votar na qual atingirá o objetivo proposto no Sprint, depois deve levar a principal solução para desenvolver um esboço do passo a passo do protótipo;

Dia 4 (Quinta-Feira) ― Prototipação: desenvolver um protótipo o mais perto da realidade que o cliente em potencial testará e também organizar a entrevista com o público-alvo; e

Dia 5 (Sexta-Feira) ― Validação: entrevistar os cliente ao verificarem a utilização do protótipo criado para compreender os pontos a serem melhorados.

Alguns exemplos no uso desta metodologia são: proposta de valor, prototipação de aplicativos e sistemas, desenvolvimento de modelos de negócios inovadores, melhoria de produtos existentes, criação de onboarding de funcionários , entre outros.

Propósitos desta metodologia ágil

Mas qual é o o real propósito por traz do Design Sprint? Ele serve para qualquer formato de empresa? Quais são as melhores práticas para a sua utilização e este muda de formato ao ser realizado de forma online? Para sanar estas e outras dúvidas, o portal Whow! conversou com Carla Cristina da Costa, Doutora em Design Estratégico e fundadora da Visionaris Innnovation Ventures, e Erico Fileno, head Inovação e Design na Visa.

De acordo com Carla, o Design Sprint não serve apenas para a prototipagem de soluções digitais. “Pode prototipar qualquer coisa, como se fosse um MVP. E nem sempre o teste acontece no último dia, mas é importante que aconteça em algum momento para receber feedback e fazer melhorias”, descreve.  

Ela também conta que a metodologia vem da fonte do Design Thinking, como um desdobramento do processo e não precisa sempre durar os cinco dias  idealizados por Knapp. O ideal é que aconteça de forma sequencial dentro de uma semana. Portanto, adaptações podem ocorrer.

A especialista descreve que, com a pandemia e a necessidade do trabalho de casa, os Sprints sofreram algumas alterações, como a utilização ferramentas de murais virtuais, mas que ainda sim é possível e viável a aplicação da metodologia: “O ideal é que, nas empresas , os funcionários estejam totalmente concentrados para o Sprint, seja em curso de formação ou na sua utilização. Mas no online as pessoas têm mantido o trabalho normal, fazendo até outras reuniões no meio de um Sprint.”

Carla ainda pontua que um momento ideal para a introdução do Design Sprint em uma empresa, é para começar uma cultura de inovação, uma vez que ele pode funcionar como um “cartão de visita” para quem quer adentrar neste tema e usar o design com foco no ser humano, pois cria empatia para entender a profunda necessidade de quem se quer atender, antes de produzir um produto ou serviço.

Já entre os principais erros de aplicação ou no entendimento do processo, a doutora em Design Estratégico comenta ações como ter o protótipo e não gerar um backlog, que é o guia de boas práticas para o dia adia, além de não colocá-lo para testagem com o público-alvo. E ela salienta a necessidade da metrificação.

Já ouviu falar do Design Sprint 2.0?

Como já apontado pela especialista, a ferramenta do Design Sprint não deve ser algo seguido totalmente à risca, mas que se adapte ao contexto da empresa e também pode ser moldada com a experiência do seu uso.

E neste sentido de evolução da metodologia ágil, a consultoria alemã AJ&Smart reduziu a semana do Sprint de cinco para quatro dias, juntando o primeiro e segundo dia da versão original. Segundo Carla, a nova forma foi aprovada por Knapp, e há uma inserção de User Flow, que ajuda na preparação com um rascunho na construção do StoryBoard, o rascunho do passo a passo da solução, acelerando o processo.

Case de aplicação na Visa

Com 25 anos de experiência em design estratégico e o acompanhamento de perto na criação do modelo Design Sprint, dentro do Google, por ter dado consultoria para a big tech no final dos anos 2000, o atual head de Inovação e Design na Visa conta que o conceito de Sprint já existia entre os profissionais de desenvolvimento em Tecnologia da Informação. “As equipes no Google estavam tão em sintonia que já vi projetos de Sprint acontecendo em até três dias”, diz.

“E o que não é Design Sprint, é a aplicação da ferramenta, colando uma depois da outra. É preciso entender qual pergunta você quer responder e rodar o processo. O Design Sprint não salva uma empresa.”

Erico Fileno, head Inovação e Design na Visa

Erico descreve que no Innovation Studio da multinacional em São Paulo, a metodologia é utilizada na aceleração do processo de inovação e que lá começa no desenho da pesquisa (qualitativa ou quantitativa, dependendo do que quer descobrir), depois há uma análise das informações e aí preparam uma cocriação com os clientes. “O poder da Sprint é já ter a pergunta e em uma semana prototipar a ideia e verificamos a oposta de valor”, completa ainda dizendo que já aconteceu de executar o desenvolvimento em dois dias ou conversar com cinco especialistas, com dois dias de pesquisas, mas gosta de manter os cinco dias do modelo tradicional.

E dentre os cases de novos produtos da Visa, o Design Sprint fez parte na criação do próprio centro de inovação na capital paulista, no novo cartão de crédito da XP Investimentos e no cartão com benefícios customizados do Bradesco, o modelo Like.

Não tenha medo de errar;
A ferramenta não é para engessar;
Leve em consideração o seu usuário;
Melhor testar com dois ou três usuários do que com ninguém;
Tenha um bom facilitador;
Ter um time diverso participando;
Ter claro qual é a pergunta para a qual quer a resposta; e
Os participantes precisam estar imersos durante a semana.

Por Carla Costa e Eric Fileno

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