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Os desafios das foodtechs para alimentar o mundo

Nutricao Foodtechs capa

Arte Grupo Padrão (@flaviopavan_76)

A indústria de alimentos e da agricultura é a maior do planeta, com uma base consistente de mais de sete bilhões de consumidores – afinal, todos nós precisamos comer. O Banco Mundial estima que esse setor foi responsável por cerca de 10% do PIB global de 2018, cerca de US$ 8 trilhões.

Apesar do grande número de clientes, a indústria de alimentos enfrenta desafios sem precedentes. A demanda não para de crescer, e o foco do consumidor tem mudado nos últimos anos, com cada vez mais gente preocupada com a saúde e com o meio ambiente.

Foodtechs e o desafio mundial da demanda por alimentos

Nesse cenário a importância das foodtechs fica cada vez mais evidente. Segundo o PitchBook, somente nos Estados Unidos, o financiamento para a tecnologia alimentar subiu de cerca de US$ 60 milhões em 2008 para mais de US$ 1 bilhão em 2015.

A oportunidade de usar a tecnologia para melhorar os alimentos é enorme. Foi com o objetivo de conectar startups a grandes empresas e difundir informação sobre o desenvolvimento de novos alimentos e consumo consciente que surgiu o Foodtech Movement, uma iniciativa da Builders Construtoria.

“Percebi que as grandes empresas estavam tendo uma dificuldade de implementar a inovação, e que alguém precisava fazer a conexão entre o mundo corporativo e essas startups. Aí surgiu a Builders Construtoria – que tem esse nome justamente porque a ideia é pegar na mão de todos os envolvidos e construir uma relação. Depois disso, eu comecei a avistar alguns ecossistemas tanto no Brasil, quanto fora, e percebi que tinha uma uma grande oportunidade para repensar a cadeia alimentar”, contou Ana Carolina Bajarunas, CEO da Builders Construtoria e idealizadora do movimento, ao Whow!

De acordo com ela, os consumidores estão ficando mais exigentes com o que comem, exigindo cada vez mais conveniência e qualidade em suas refeições. Mais do que nunca, as pessoas querem saber o que há em seus alimentos, de onde eles vieram e como sua produção e fornecimento afetam o meio ambiente.

“Nos próximos 30 anos, a expectativa é que se produzam mais alimentos do que foram produzidos nos últimos oito mil anos. Tudo isso com escassez de recursos naturais, de terra, de água potável, mudanças climáticas e falta de mão de obra no campo”

Ana Carolina Bajarunas, idealizadora do Foodtech Movement

Segundo Ana Carolina, as foodtechs estão olhando para toda a cadeia alimentar, desde a parte da ciência – buscando novos ingredientes, como formas alternativas de proteínas, por exemplo – até a logística reversa, passando pelo agronegócio, processamento de alimentos, distribuição e varejo. “Toda a cadeia está sendo reformulada”, disse.

foodtechs

Foto ilustrativa Sippakorn Yamkasikorn (Pixabay)

Futuro: perspectivas e o papel das grandes empresas

Gigantes de fast food, como Burger King e McDonald’s, já embarcaram na tendência e incluíram em seus menus opções de hambúrgueres sem carne. Mas a missão das grandes empresas de alimentação vai muito além. Ana Carolina acredita que, além de rever seus produtos, as gigantes do mercado de alimentação devem difundir informações que contribuam para uma alimentação mais saudável e consciente.

“Não é só colaborar com dinheiro, injetar capital nas empresas que estão desenvolvendo soluções inteligentes, mas também difundir essas ideias.Tem muita gente passando fome no mundo, e tem muita gente morrendo por questão de alimentação errada, com problemas como diabetes, obesidade infantil e colesterol alto”, destacou.

“Outro grande problema é o desperdício: a gente desperdiça 40% do que é produzido, então às vezes a comida não chega à mesa de pessoas que passam fome porque está sendo desperdiçada”

Ana Carolina Bajarunas, idealizadora do Foodtech Movement

Como exemplo, ela cita o caso do Carrefour, que comprou, em 2018, a CyberCook. A plataforma utiliza inteligência artificial para ajudar o consumidor a cozinhar usando o que já tem em casa, dando dicas de receitas saudáveis e evitando o desperdício.

Em relação às tendências para o mercado de alimentos e bebidas, ela diz que as três frentes que já modelam o setor atualmente devem continuar pautando o mercado nos próximos anos. “A primeira delas é saúde e bem-estar. A gente precisa buscar por novas fontes de proteínas, descobrir novas formas de alimentar as pessoas sem prejudicar ainda mais o planeta. Outro grande bloco é a integração vertical: hoje, não existe mais um mundo on e um mundo off. O mundo é digital, e a gente tem que ser online”, disse, em entrevista ao Whow!. “O último ponto é a customização: cada vez mais vai haver micro tribos, então os produtos terão que ser ultra nichados.”


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