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Eficiência

O desafio das startups para inserir a inteligência artificial no direito

Apesar dos desafios que as startups de serviços no direito encontram, o Brasil já tem cases nos setores público e privado. Saiba mais

POR Raphael Coraccini | 24/01/2020 13h58 O desafio das startups para inserir a inteligência artificial no direito

Com mais de 200 lawtechs, o Brasil tem hoje um número maior de startups do setor jurídico do que o mercado ainda pode absorver. Mas a tendência dos escritórios de advocacia pelo mundo é de natural substituição do trabalho repetitivo humano pela eficiência da máquina. No Reino Unido, referência em inovação no campo do direito, as startups também conhecidas como legaltechs começaram a ganhar tração em 2016.

Bruno Feigelson, fundador e CEO da Future Law, afirma que no direito brasileiro, a adesão ainda é baixa por conta, principalmente, do prazo prolongado de retorno que as tecnologias de inteligência artificial oferecem aos escritórios.

Interessante, mas muito caro!

Enquanto outros setores conseguem identificar de maneira mais direta o retorno do uso da inteligência artificial, no direito é mais discreto e paulatino, o que, por enquanto, tem criado uma resistência.

“Um varejista com IA consegue aumentar as vendas, é dinheiro na veia. Mas quando você entra no direito, é muito custo para um escritório e eles desistem”

Bruno Feigelson, fundador e CEO da Future Law

direito Foto (Pixabay)

“Eles têm interesse porque precisavam inovar por uma questão de estratégia de marketing e produtividade, mas não têm capacidade para fazer um investimento vultuoso”, destaca.

O empreendedor destaca, porém, que escritórios que conseguem bancar a sua entrada no mundo da tecnologia já conseguem oferecer valores de serviços e produtos jurídicos mais baixos por conta da eficiência que inteligência artificial traz a alguns processos. Ele destaca que a tecnologia está recalculando o custo dos serviços jurídicos.

Cases de IA no direito

A Akira System tem conseguido emplacar a sua tecnologia de inteligência artificial no âmbito jurídico porque encontrou um nicho que garante um certo retorno rápido. A empresa de tecnologia usa IA para ler documentos e fazer diligência prévia (ou due diligence), processo que investiga oportunidades de negócio e riscos de transação. A empresa tem contrato com quatro escritórios em São Paulo.

Já no caso da Sem Processo, as tecnologias de inteligência artificial e machine learning são utilizadas para agilizar acordos. Os escritórios podem, por meio da plataforma digital, inserir um processo que será encaminhado à parte interessada com um convite para negociar. A negociação acontece de forma online e assim que a parte concorda com as condições, são enviadas as minutas do contrato para a formalização do acordo.

Trabalho cognitivo no direito

A tecnologia no direito chega para substituir as atividades mais repetitivas de um escritório de advocacia. Para Feigelson, é a oportunidade e liberar mão de obra qualificada para trabalhos efetivamente cognitivos, que precisam do recrutamento de toda habilidade do advogado.

“É muito comum em escritórios de advocacia você ver profissionais que fizeram mestrado fazendo um trabalho de copia e cola, sem nenhuma exigência cognitiva. É brilhante que isso seja substituído pela máquina”

Bruno Feigelson, fundador e CEO da Future Law

Para ele, a tecnologia é fundamental para que o direito volte a se preocupar mais com o que é próprio da área e com a aplicação das atividades mais complexas, como criatividade, atendimento e relacionamento. “E para isso, você precisa automatizar os trabalhos possíveis. Eu não vejo perda de trabalho, muito pelo contrário”, avalia.

direito Foto (Shutterstock)

Setor público

No setor público, a novo presidente do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, Geraldo Pinheiro Franco, que assumiu em dezembro disse que, a ideia é investir em IA para dar celeridade ao andamento de processos. No âmbito federal, também existem iniciativas. Ainda como presidente do Supremo Tribunal Federal, a ministra Cármen Lúcia criou o projeto Victor de inteligente artificial para fazer triagem de processos no STF.

Feigelson destaca que ainda há entraves técnicos para a adesão de outros órgãos à era da IA. “Hoje, no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) há uma falta de padronização de sistemas, tem tecnologia criada pelos próprios tribunais e tecnologia externa”, afirma.

Essas dificuldades ficam ainda maiores por conta da burocracia que implica a substituição de sistemas e a entrada de startups no certame. “O Brasil hoje gasta 2% do seu PIB com o judiciário, é o maior gasto global, e tem 80 milhões de processos ativos e uma tendência de crescimento. Se não aplicar a tecnologia ao Poder Judiciário, não conseguirá acompanhar [o volume de processos]”, destaca.

*Com colaboração de Éric Visintainer


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