Dados precisam estar onde são úteis à empresa, afirmam especialistas - WHOW

Tecnologia

Dados precisam estar onde são úteis à empresa, afirmam especialistas

Palestrantes do evento CONAREC explicam que o valor real dos dados está na utilização deles em áreas estratégicas como o call center, por exemplo

POR Marcelo Almeida | 11/11/2021 00h13

Já virou um clichê afirmar que dados são o novo petróleo. Mas é fato que ter coletar e analisar informações de clientes, de colaboradores, de processos internos e do mercado como um todo tem um grande valor para as empresas atualmente. Este foi o tema do painel “Dataísmo: A Empresa que Obtiver Mais Dados Dominará o Mundo?”, que aconteceu no evento CONAREC 2021.

Já de início, a abordagem dos palestrantes foi direcionar a discussão para a questão de que dados, por si só, não têm muita utilidade. O importante é como a empresa faz uso deles e como realiza uma convergência entre os dados que acumula e o negócio que realiza.

Margot Greenman, CEO da Captalys, resumiu bem a questão. “Eu concordo com a visão de que o dado é um meio, não uma finalidade. Ocorre a mesma confusão com tecnologia de forma geral, no sentido de que a tecnologia servir um objetivo final. O dado é importante, mas não é todo dado que vai levar a algum lugar”, afirma.

Para Cristiano Dencker, diretor-geral da Accenture, a questão principal é como pensar o fator humano a partir dos dados. “São faces de um problema. Do lado de dados, as empresas foram lá e ferveram o oceano, no sentido de coletar todos os dados possíveis, aí quando você olha na questão de negócios, está sendo conduzida em outras direções”, diz. O segredo, segundo o especialista,  “é convergir a questão humana com as empresas de tecnologia. Muitas vezes a empresa tem um monte de dados mas eles não estão disponíveis para o atendente do call center incorporar no seu discurso, por exemplo”.

De forma geral, portanto, o conceito de acumular dados em termos de quantidade foi tido como algo não vital para empresas. e o foco está em fazer esses dados chegar nos setores da companhia em que podem ter utilidade. Caso contrário, acaba se tornando mera burocracia.

É fato que muitas empresas acabam utilizando os dados como o preço para você usar seu serviço (por exemplo, as redes sociais). Mas no ponto em que estamos, já deve ter dado tempo para todos perceberem que não existe almoço de graça e que, se você não paga por algo, você mesmo é a moeda de troca.

Dataísmo: origem do termo e significado

O termo dataísmo foi usado pela primeira vez por David Brooks no New York Times em 2013.

Ele traduz, basicamente uma filosofia que emerge com o uso cada vez maior do big data, usando a análise de uma vasta quantidade de dados para tomar decisões mais exatas, entender tendências do mercado, dentre outras.

Com a disseminação de empresas que usam, por exemplo, os dados dos consumidores e as buscas que eles fazem na internet para direcionar publicidade ou sugerir um produto, o dataísmo tem se tornado uma ferramenta de marketing cada vez mais poderosa, sendo a força motriz por trás do sucesso financeiro de uma série de empresas gratuitas, como as redes sociais de forma geral.

Mas não é só para aumentar o consumo que o dataísmo e o big data existem, sendo ferramentas para uma série de outras atividades. Dentre elas, já existem aplicativos na área de saúde que têm extensos bancos de dados que permitem diagnósticos bastante precisos, por exemplo.