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Conheça os dados e obstáculos do empreendedorismo e da inovação no Brasil, segundo o IBGE

Pesquisas detalham taxa de sobrevivência das empresas, perfil dos trabalhadores e investimentos feitos em inovação e empreendedorismo nos últimos anos

POR Luiza Bravo | 23/04/2020 16h35 Conheça os dados e obstáculos do empreendedorismo e da inovação no Brasil, segundo o IBGE Arte Grupo Padrão (@flaviopavan_76)

Empreender no Brasil não é tarefa fácil. A frase pode ser clichê, mas é verdade. A elevada carga tributária e as rígidas leis trabalhistas são um desafio para boa parte dos empreendedores do país. De acordo com o Sebrae, uma em cada quatro empresas brasileiras fecham as portas antes de completarem dois anos. Ainda assim, cada vez mais pessoas têm recorrido ao empreendedorismo.

O fenômeno reflete não apenas o desejo de independência e de “viver sem patrão”, mas foi também a saída encontrada por milhões de pessoas para sobreviver à crise. Um levantamento da Global Entrepreneurship Monitor revelou que o número de microempreendedores individuais no Brasil cresceu 16,7% em 2019, na comparação com o ano anterior e já são mais de nove milhões de MEIs no país.

Raio-X do empreendedorismo

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), faz pesquisas periodicamente para analisar as estatísticas das empresas no Brasil, revelando dados importantes, como suas principais áreas de atuação e suas taxas de sobrevivência.

A publicação Demografia das Empresas e Estatísticas do Empreendedorismo, divulgada no ano passado, traça um panorama do país com base em dados de 2017. Naquele ano, o Cadastro Central de Empresas (Cempre), contava com 4,5 milhões de empresas ativas, que eram responsáveis pela ocupação de 38,4 milhões de pessoas (assalariadas, ou na condição de sócios/proprietários).

Sobrevivência: a taxa de sobrevivência das empresas foi de 84,8%, e a idade média, de 11,5 anos. Sete em cada dez empresas que entraram no mercado não possuíam funcionários assalariados, apenas sócios e proprietários. Entre elas, a taxa de sobrevivência foi mais baixa, de 75,7%.

Perfil dos trabalhadores: 60,8% dos assalariados nas empresas ativas em 2017 eram homens, e 39,2%, mulheres. O percentual de funcionários sem ensino superior nessas empresas chegou a 85,8%, e o salário médio mensal foi estimado em R$ 2,8 mil.

Empreendedorismo por área de atuação: o setor de Eletricidade e Gás foi o que apresentou a maior taxa de entrada (criação de novas empresas): 23,3%. Na sequência, aparecem as empresas de atividades financeiras, seguros e serviços relacionados (20,7%), atividades profissionais, científicas e técnicas (20,1%), atividades imobiliárias (20%), construção (19,7%) e Informação e Comunicação (19,3%). A maior taxa de saída foi registrada no setor de construção: 20,8%.

empreendedorismo Foto ilustrativa (Freepik)

Inovação nas empresas

O IBGE também faz, a cada três anos, uma pesquisa chamada PINTEC, que avalia as atividades de inovação desenvolvidas por empresas brasileiras dos setores da indústria, serviços, eletricidade e gás. A última edição foi realizada em 2017, e traz dados do triênio 2015-2017.

Das quase 117 mil empresas brasileiras com 10 ou mais pessoas ocupadas no período, cerca de ⅓ inovou em algum produto ou processo nesse período. Só em 2017, as empresas gastaram R$ 67,3 bilhões com inovação – 1,95% de sua receita líquida de vendas. Apesar do montante parecer alto, a taxa de inovação nas empresas caiu em relação aos triênios 2009-2011 e 2012-2014, o que sugere uma maior dificuldade enfrentada pelas empresas nesse quesito.

Os setores de Eletricidade e Gás e Serviços mantiveram a tendência de queda apresentada a partir do triênio 2012-2014, mas como já mostramos aqui em Whow!, algumas empresas do setor têm se destacado nessa missão.

Segundo o IBGE, 81,8% das empresas consideram que os riscos econômicos excessivos ganharam importância entre 2015 e 2017, e foram o principal entrave para a inovação nesse período. Os custos elevados para inovar, por sua vez, perderam importância para os empresários, e passaram a ocupar a segunda colocação no ranking de obstáculos. A falta de pessoal qualificado foi a terceira dificuldade mais citada, seguida pela escassez de fontes apropriadas de financiamento, que melhorou consideravelmente nos últimos anos.


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