Crise da WeWork: startup anuncia demissão de 2.400 funcionários - WHOW

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Crise da WeWork: startup anuncia demissão de 2.400 funcionários

Cortes na WeWork representam quase 20% da força de trabalho global da companhia, que vem enfrentando grandes dificuldades nos últimos meses

POR Luiza Bravo | 26/11/2019 11h00 Foto Eloise Ambursley (Unsplash) Foto Eloise Ambursley (Unsplash)

A startup de compartilhamento de escritórios WeWork anunciou que está demitindo 2.400 dos cerca de 12.500 funcionários que possuía – aproximadamente 20% de sua força de trabalho global. Os cortes começaram há algumas semanas ao redor do mundo, e foram informados recentemente pela empresa.

Em um comunicado oficial, a WeWork disse que as demissões têm o objetivo de “criar uma organização mais eficiente”, e que os funcionários dispensados “receberão indenizações, benefícios contínuos e outras formas de assistência para ajudar na transição da carreira”.

Planos para os próximos meses

O presidente do Conselho de Administração da empresa Marcelo Claure enviou um e-mail para funcionários na semana passada. Na mensagem, ele disse que os empregos eliminados fazem parte de áreas que “não colaboram diretamente” para as principais metas de negócios da WeWork.

A empresa está abrindo mão ou reduzindo negócios paralelos iniciados na gestão do antigo CEO Adam Neumann, como a escola primária WeGrow, em Nova York, e o espaço de residências compartilhadas WeLive.

Além disso, cerca de mil funcionários que trabalham com  limpeza e manutenção dos escritórios nos EUA e Canadá estão sendo terceirizados, mas continuarão a trabalhar para a WeWork, segundo ele.

Claure deve apresentar, em breve, um plano de recuperação de cinco anos para a empresa, que até pouco tempo era considerada queridinha no mundo das startups, avaliada em US$ 47 bilhões e teve uma queda para menos de US$ 10 bilhões durante o período do seu pré-IPO.

wework Foto WeWork (divulgação)

Ascensão e queda

Desde que foi criada, em 2010, a WeWork expandiu rapidamente, e atualmente possui escritórios em 29 países. Para sustentar o ritmo de crescimento, a companhia investiu pesado em marketing, e gastou muito com a aquisição de imóveis. O resultado não poderia ser outro: um prejuízo de US$ 1,9 bilhão no ano passado, o dobro do registrado em 2017.

Diante desses números e da falta de um modelo de lucratividade claro, os possíveis investidores se mostraram receosos. Depois de anunciar os planos de realizar uma oferta pública inicial em setembro, a empresa de compartilhamento de escritórios voltou atrás e retirou o pedido feito ao SEC, órgão que regula o mercado acionário americano. Uma crise nas relações internas da companhia também acabou contribuindo para o fracasso do IPO, considerado pela revista Forbes como “o mais ridículo e perigoso do ano”.

Sem a oferta pública, a WeWork correu o risco de ficar sem capital, e só foi salva do colapso financeiro porque o conglomerado de tecnologia e investimento japonês Softbank fez um resgate de nada menos do que US$ 9,5 bilhões, e agora possui 80% da empresa.

Neumann foi afastado da presidência do Conselho de Administração, mas para isso, recebeu uma bolada de US$ 1,7 bilhão, o que aumentou ainda mais o ceticismo dos investidores em relação à empresa. Um grupo de funcionários que se autodenomina Coalizão WeWorkers disse que a desistência do IPO e a compensação recebida pelo ex-CEO revelaram “exclusão e egoísmo nos níveis mais altos da empresa”. Agora, eles pedem que os funcionários demitidos sejam compensados de forma justa, e que os que forem mantidos recebam mais voz no futuro da empresa.



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