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Especial bancos digitais: contas de pagamento e a redução das tarifas

Bancos digitais apostam nas contas de pagamento para reduzir a zero tarifas bancárias, que encareceram em 150% nos últimos 10 anos nos bancos tradicionais

POR Raphael Coraccini | 17/12/2019 10h00 Especial bancos digitais: contas de pagamento e a redução das tarifas Foto (Pixabay)

Desde abril de 2018, quando o Banco Central permitiu a novos entrantes avançarem da categoria de correspondentes bancários para bancos efetivamente, apenas quatro instituições romperam essa barreira e apenas uma delas faz parte das associações de startups do setor financeiro. Isso mostra que, por um lado, as fintechs não estão cumprindo os requisitos para oferecer serviços de crédito sem precisar da intermediação de um banco. Por outro, que grandes empresas de outros setores estão aproveitando a queda de algumas exigências para oferecerem serviços antes reservados aos bancos, como contas de pagamento.

Nesta oitava parte da série especial sobre bancos digitais de Whow!, você entenderá porque as fintechs não atuam como bancos–ainda–e a competitividade no setor, através da redução das tarifas bancárias.

Robson Del Fiol, sócio-diretor de Transformação Digital da KPMG no Brasil, lembra que a maioria das fintechs não pode ser classificada como banco porque elas não são detentoras de contas correntes. 

“Essas fintechs oferecem as chamadas contas de pagamento. E existe uma legislação que separa uma coisa da outra”, ressalta Del Fiol.

Se a ausência de contas-correntes é um problema para essas fintechs chegarem à categoria de banco, isso é, ao mesmo tempo, uma saída importante para que as contas de pagamentos, que servem como alternativa, reduzam drasticamente o custo com serviços bancários.

contas Foto (Pxhere)

O que são contas de pagamentos?

João Vitor Menin, CEO do Banco Inter, explica que essas contas ou arranjos de pagamentos não podem fazer operações de crédito ou investimento com o dinheiro depositado pelo cliente como fazem os bancos comerciais por meio das contas correntes. 

“Essas fintechs não podem pegar os recursos que estão na sua conta e emprestar, por exemplo. Elas têm que pegar esses recursos e fazer um compulsório de 100% delas, enviando ao Banco Central, que remunera essa conta e devolve como um rendimento”

João Vitor Menin, CEO do Banco Inter

O maior exemplo é a Nuconta, do Nubank, que, por ser um arranjo de pagamentos, consegue oferecer ao cliente rendimentos diários repassados pelo Banco Central à startup, que, por sua vez, repassa ao seu cliente.

Berço de fintechs

Existe uma fila enorme de startups do setor financeiro para entrar na categoria de instituição financeira. O Brasil é o país com maior número de fintechs da América Latina, com cerca de 380, bem à frente do México, o segundo com maior número de startups desse tipo, com 273 unidades, segundo o Banco Interamericano de Desenvolvimento.

As fintechs estão pulverizadas por muitos serviços bancários, de investimentos a meios de pagamentos. Mas, em todos os casos, eles surgem como maneira de reduzir os custos de serviços oferecidos, até então, exclusivamente por bancos. 

Uma pesquisa do IBGE aponta que, os gastos dos brasileiros com tarifas de bancos cresceu 150% em dez anos e chegou a R$ 427 por mês, o que corresponde a 1,6% do orçamento médio de uma família.

contas Foto Mohamed Hassan (Pixabay)

Transferências e pagamentos

A pesquisa da McKinsey, “Future of Banking Consumer Survey”, de 2019, aponta que os principais usos do banco pelo celular estão relacionados a transferências (42%), transferência entre bancos (31%), pagar contas (36%), pagar fatura do cartão de crédito (32%) e pagar boletos (49%)

Essas dores mais agudas, da maior parte da população, estão sendo resolvidas por algumas das fintechs mais exitosas do país, como Nubank, C6 e Neon, que conseguem reduzir a zero os custos com esse tipo de serviço exatamente por conta da oferta de suas contas de pagamento.

Conta corrente e investimentos

Como banco comercial, o Banco Inter oferece contas correntes e não faz essa aplicação automática. Menin afirma que os bancos tradicionais têm condições de fazer esse repasse diário, mas prefere deixar a cargo do cliente oferecer como quer fazer render o seu dinheiro. “Tem gente que não gosta dessa aplicação automática, tem gente que quer ter o controle total de investir onde quiser. O que a gente fez foi baixar os mínimos para investir. Antes era R$ 1.000 para comprar um CDI, hoje é R$ 100 reais. Antigamente, para ingressar em fundos de investimento era preciso cerca de R$ 5 mil, hoje é de R$ 100 reais”, destaca.


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