Construtechs e proptechs: mais eficiência e menos burocracia - WHOW

Tecnologia

Construtechs e proptechs: mais eficiência e menos burocracia

Setor imobiliário e de construção civil se manteve aquecido na pandemia e empresas de base tecnológica tiveram parte ativa neste movimento por flexibilizar aluguéis, diminuir a necessidade de intermediários na compra e levar praticidade à moradia

POR Daniel Patrick Martins | 09/09/2021 18h55

Se os termos de construtech e proptech não são tão comuns em seu dia a dia, logo serão, pois as inovações trazidas pela tecnologia ao setor imobiliário e de construção vão além da digitalização dos negócios. Este mercado promissor é composto por empresas, sejam elas PMEs ou startups, que desenvolvem soluções para atender as necessidades de toda cadeia imobiliária, dentro ou fora das obras, agilizando processos, reduzindo riscos e gerando eficiência.

“O mercado de construção e propriedades é antigo e tem uma grande proporção em relação ao PIB. Existe muito dinheiro e geralmente estamos fazendo mais do mesmo, então existem muitas oportunidades. Vemos muito potencial de evolução”, diz Pedro Waengertner, CEO da ACE, empresa especialista no desenvolvimento de novos negócios, em entrevista a InfoMoney.

A participação do setor no PIB brasileiro, por exemplo, em 2020 foi de 3,3%, segundo dados da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). Este mesmo levantamento informa que houve um aumento de 9,8% nas vendas de imóveis residenciais novos, se comparado os períodos entre 2019 e 2020, e que em 2021 o setor pode movimentar mais de R$ 221 bilhões.

As empresas que atuam neste segmento tiveram aumento de 235% nos últimos 5 anos, segundo consta no Mapa das Construtechs e das Proptechs Brasil, relatório elaborado anualmente pela Terracota Ventures, fundo de investimentos em negócios de tecnologia no setor de construção e mercado imobiliário. Segundo o estudo, de 2020 a 2021, houve aumento de 19,3% de empresas ativas neste setor, totalizando 839 negócios entre construtechs e proptechs. “Estamos em uma fase de amadurecimento desse mercado, mas vamos ter um ganho exponencial de novos negócios e de geração de valor”, avalia Bruno Loreto, sócio-diretor da Terracota Ventures, à Época Negócios.

Assim como os demais setores da família das ‘techs’ – fintechs (bancos), greentechs (meio ambiente), healthtechs (saúde), govtechs (governo) –, as construtechs e proptechs também imprimem, além dos benefícios citados, processos de menor custo na execução e gestão dos negócios, seja na oferta, compra ou venda de serviços e produtos ligados a construção civil e ao setor imobiliário.

“O objetivo principal das construtechs é potencializar a cadeia de valor que estão inseridas, proporcionando melhor agilidade nos processos, além de reduzir riscos e desafios inerentes ao segmento. Os benefícios de parcerias com as proptechs vão de ganhos operacionais no desenvolvimento do projeto, redução de custos com marketing e aumento da receita na venda, até oferecer mais conforto e economia para o cliente, seja com a melhor utilização dos espaços, integração dos equipamentos e menor gasto com energia”, comenta Adriana Kalinowski, consultora de negócios e gerente de projetos setoriais no Sebrae Paraná, em entrevista a Gazeta do Povo.

“O mercado da construção civil tem muita ineficiência, baixo nível de maturidade e de digitalização. Mas também há crescimento de demanda, que foi consolidado na pandemia. O movimento da construção enxuta está cada vez mais forte. É preciso focar em retorno sobre investimento e em soluções escaláveis e necessárias para o setor”, relata Paula Lunaderlli, CEO da Prevision, plataforma para gestão eficiente em obras a Startupi.

Sobre este contexto de pandemia, muitos dos empreendimentos que ainda estavam incipientes tiveram um empurrão, pois com o boom do home-office e com as pessoas mais tempo em casa, estas procuraram conforto, proximidade a espaços de lazer, casa com recursos mais inteligentes, com menos desperdícios e aptas para as diversas necessidades que surgiram neste meio tempo. Isto sem falar nas facilidades em processos menos burocráticos para alugar espaços em outros pontos da cidade ou mesmo fora dela. Estes foram alguns pontos que fizeram com que este setor avançasse e mantivesse o mercado imobiliário e de construção aquecido.