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Conheça as startups africanas que inovam no continente

Fora da visão eurocêntrica, novas tecnologias nas áreas de saúde, educação, transporte e agricultura capacitam a economia em países emergentes 

POR Carolina Cozer | 19/09/2019 02h24 Conheça as startups africanas que inovam no continente

Falar de startups e inovação é falar, na maior parte das vezes, de uma visão centrada nas grandes potências do mercado: Europa, América do Norte e Ásia. Mas as startups encontram um novo peso e muitas vezes atingem seu verdadeiro propósito em países em desenvolvimento, onde o crescimento econômico é essencial para que essas nações saiam do espectro da pobreza.

Por mais que estejamos no Brasil, acostumados com exemplos disruptivos latino-americanos, pouca atenção é dada na mídia para avanços em países de culturas mais distantes da nossa, como é o caso da África Central e Oceania. Investidores experientes, porém, estão cientes dos enormes potenciais existentes nesses países, principalmente por serem locais pouco aproveitados e carentes de soluções.

De acordo com o site MyTopBusinessIdeas, algumas ideias para startups nesses países são:

Fontes alternativas de energia e combustível

Poupadores de combustível

Importação e exportação

Negócios de alimentos processados ​​e embalados

Além desses pontos, os segmentos da agricultura, educação, transporte e saúde apresentaram diversas startups de destaque ao mercado nos últimos anos, que angariaram prêmios e investidores pelo mundo.

startups africanas Foto (Pexels)

Startups africanas na educação

Dados da VC4A, uma rede de contatos para empreendedores e investidores, apontam que a Tanzânia, nos últimos dez anos, teve uma média de crescimento de 6% ao ano.

Com este crescimento, o país passa por uma grande reestruturação nas políticas de investimentos, possibilitando a entrada de novas tecnologias e startups.

Muitas pequenas empresas do país têm sido premiadas ou financiadas, como a Ubongo, vencedora do último Next Billion EdTech Prize — premiação anual que reconhece as principais startups da educação, com o potencial para causar impacto em  países emergentes.

Esta edtech cria mídias educacionais que oferecem aprendizado localizado para milhares de famílias africanas de baixa renda. A empresa planeja que, até 2022, 30 milhões de crianças sejam contempladas com seus conteúdos educativos.

Já a empresa tanzaniana Mtabe foi finalista do Next Billion EdTech Prize. A startup usa inteligência artificial e mensagens via SMS para fornecer conteúdos de aprendizagem para estudantes que não podem pagar por livros didáticos e não têm acesso à Internet.

Em 2018,  já havia levado os prêmios de Melhor Inovação Social da África e Melhor Inovação Geral para Jovens.

Outra startup de destaque na área da educação, e que foi selecionada para representar a Tanzânia na Seedstars Africa Summit é a Samem Agrispices Farming. Ela oferece oportunidades de educação e emprego, enquanto aborda a segurança alimentar através da agricultura orgânica.

Startups africanas na mobilidade

No Egito e Quênia existem duas startups do segmento da mobilidade que são citadas pela Disrupt Africa como importantes para o mercado em 2019.

A Halan, do Egito, desenvolve um aplicativo de aluguel de motocicletas e tuk-tuks – um triciclo para transporte de passageiros e mercadorias – que já chegou à marca de 10 milhões de viagens e arrecadou US$ 5 milhões em uma rodada da série A, onde um dos investidores foi o CTO e fundador da Uber, Oscar Salazar.

No Quênia, a UTU, desenvolvedora do “Uber” local – o Maramoja – também se dedica na criação de algoritmos para inteligência artificial. Segundo a Disrupt Africa, a empresa recebeu capital da aceleradora Zeroth, de Hong Kong, em 2018, e um financiamento de US$ 250 mil da æternity Ventures, da Bulgária. No final do ano,  a incubadora e capital venture Deepcore, de Tóquio, se tornou uma de suas investidoras-semente.

startups africanas Foto Luke Chesser (Unsplash)

Startups africanas na saúde

De acordo com a VC4A, seis healthtechs africanas foram selecionadas para o programa Innovate for Life Fund Accelerator, em 2018. Entre elas está a Baby Grubz, uma healthtech nigeriana que empodera mulheres financeiramente, através da distribuição e venda de alimentos de baixo custo para bebês, que são produzidos com foco na desnutrição da criança africana.

A Baby Grubz cresceu de um investimento inicial de US$ 10 para US$ 25.000 em três anos. E agora opera, também, em outros três países da África Ocidental.

Ainda na Nigéria, a LifeBank é uma startup de logística que facilita o transporte e a entrega de sangue, vacinas e oxigênio para hospitais, evitando que pessoas morram pela falta destes recursos. Em seu site oficial, a empresa comenta que já salvou mais de 5 mil vidas e atraiu mais de 6 mil doadores para seu projeto.

Em 2018, a empresa atraiu um financiamento de US$ 200 mil da venture capital EchoVC Partners, o que possibilitou a inclusão dos serviços de oxigênio nas rotas de entrega da empresa.

startups africanas Foto Johny Goerend (Unsplash)

Startups africanas na agricultura

A Farmerline, da República do Gana, tem transformado pequenos agricultores em empreendedores de sucesso, trazendo conectividade e aumentando o acesso à informações, insumos e recursos para crescer a renda e produtividade.

A empresa já tem mais de 200 mil produtores registrados em sua plataforma e foi uma das três startups a ganhar o Prêmio de Desenvolvimento Africano King Baudouin, no valor de US$ 84 mil. A startup africana também foi selecionada para ingressar no Kickstart Accelerator, na Suíça, nomeada como a segunda melhor startup de alimentos ao final do programa.

Segundo dados da Quartz Africa, a Farmerline já atraiu mais de US$ 1 milhão em investimentos.

Ainda em Gana, a Trotro Tractor, uma agrotech que conecta fazendeiros a operadores de tratores, através de um sistema de economia compartilhada que, além de ser a conexão entre trabalhadores, permite que os proprietários monitorem todo o movimento e progresso de seus equipamentos via aplicativo.

Os dados da Quartz Africa também contam que a empresa levantou US$ 50 mil em financiamento da petrolífera Kosmos Energy, bem como US$ 2,3 mil do British Council, além de ter recebido orientação da Escola de Tecnologia Empresarial de Meltwater (MEST). É esperado que, até 2022, a receita da Trotro Tractor seja de US$ 2,5 milhões.


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