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Consumo

Conheça o passaporte da imunidade

Startups desenvolvem documento digital para dar segurança à retomada da economia e à reabertura de fronteiras em meio à pandemia da Covid-19

POR Luiza Bravo | 03/06/2020 17h22 Foto ilustrativa (Freepik) Foto ilustrativa (Freepik)

A pandemia do novo coronavírus restringiu a circulação de milhões de pessoas ao redor do mundo. Diante do aumento exponencial de infectados, países fecharam suas fronteiras para tentar conter a disseminação da doença. Agora, depois de meses em quarentena, algumas nações começam a retomar suas atividades, e existe a expectativa para que o trânsito entre países seja liberado. 

Com a reabertura da economia mundial e das fronteiras, é natural que surja uma nova preocupação: como garantir que a Covid-19 não volte a acometer cidadãos e cause uma nova onda de infecções? É provável que alguns governos passem a exigir provas de que as pessoas não estão entrando ou saindo do país com a doença, e que empresários busquem medidas para reforçar a segurança de seus colaboradores na volta ao trabalho.

Preocupação com a saúde

Nesse cenário, uma nova solução tecnológica está surgindo: o passaporte da imunidade. A ideia é bastante simples: o cidadão realiza um teste para saber se já está imune ao novo coronavírus, e recebe um documento de identificação que autoriza, ou não, sua livre circulação.

O Chile pode ser mais um país, além da China, a implementar a medida nacionalmente. Países como Alemanha, Reino Unido, Espanha e Estados Unidos também cogitam adotar o passaporte, e algumas empresas de tecnologia já assumiram a liderança no desenvolvimento desses passaportes.

A startup franco-brasileira Mooh Tech, por exemplo, lançou o i-Passport. A funcionalidade roda dentro do aplicativo Chronus, que reúne serviços de comunicação de emergência. “O insight para criar o i-Passport ocorreu quando meu sócio precisou viajar para Uganda em fevereiro, e foi solicitado a ele um documento de profilaxia que atestasse imunidade à Febre Amarela para que pudesse entrar no país”, conta o CEO da Mooh Tech, Everton Cruz. 

O i-Passport funciona como um passe de mobilidade. Após fazer o download do aplicativo, basta clicar no registro do i-Passport e solicitar um teste de Covid-19, que pode ser realizado em unidades de saúde públicas ou privadas. A instituição registra o resultado no sistema do Chronus, e o passaporte é atualizado com o status de saúde do usuário. “Com isso, o cidadão infectado será direcionado para quarentena, e os não infectados terão acesso liberado para se deslocar nas cidades que adotarem nossa solução como registro oficial”, explica Cruz.

A polêmica dos dados

Apesar de bem intencionado, o passaporte da imunidade divide opiniões, principalmente no que diz respeito à privacidade. É que algumas empresas, como a startup de reconhecimento facial americana FaceFirst, baseiam suas soluções em dados individualizados. A proposta é que o aplicativo seja alimentado por um banco de dados coletados por prestadores de serviços médicos. Pela câmera do celular, a ferramenta identifica o usuário e fornece informações às equipes de controle de fronteiras ou aos empregadores, como o resultado do teste de anticorpos e se houve contato com outras pessoas infectadas.

Além de uma possível invasão de privacidade, muito se discute também acerca da eficácia dos testes disponíveis atualmente. A falta de conhecimento sobre a Covid-19 também preocupa: afinal, uma pessoa que já teve a doença fica realmente imune ao vírus, ou pode ser contaminada novamente?

Everton diz que a maior dificuldade para a implementação do i-Passport em larga escala, atualmente, é a dificuldade de estabelecer parcerias com o poder público. Sobre as questões relativas à privacidade, ele garante que a empresa segue à risca as legislações de dados vigentes.

“Disponibilizamos relatórios apenas de informações gerais, como mapas de calor, tendências de propagação de vírus e comportamentais e números totais de casos testados e não testados. Outro ponto importante é que o usuário pode excluir a conta quando achar necessário, apagando automaticamente todos os seus dados da nossa base.”

Everton Cruz, CEO da Mooh Tech

Por enquanto, o i-Passport está disponível somente na França, mas a solução deve chegar em breve ao Brasil: o lançamento está previsto para a próximo semana (10/06), na cidade de Juazeiro do Norte, no Ceará. 


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