Conheça o Moonshot Thinking e saiba porque aplicá-lo nos negócios - WHOW
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Conheça o Moonshot Thinking e saiba porque aplicá-lo nos negócios

O mindset dos gigantes da inovação mundial, como Google e Tesla, que tentam “acertar a lua” em vez de criarem soluções banais

POR Carolina Cozer | 06/10/2020 14h42 Conheça o Moonshot Thinking e saiba porque aplicá-lo nos negócios Imagem: brgfx via Freepik

Já ouviu falar no Astro Teller? O cientista, empresário e diretor do Google X Lab ― o discreto laboratório do Google destinado à inovações avançadas ― disse, uma vez, ser muito mais fácil buscar melhorias em proporções de 10 vezes o tamanho de um problema do que apenas 10% de sua totalidade.

Pode parecer confuso matematicamente, mas este conceito funciona, e se chama Moonshot Thinking. É aplicado por grandes empresas de inovação, como Tesla e Microsoft, além do próprio Google.

O tiro na lua

O pensamento Moonshot é uma abordagem para a inovação, e pode ser aplicado em negócios ou qualquer outra disciplina em que se almeja metas pelo menos 10 vezes maiores.

“Moonshot thinking”, em português, pode ser entendido como um “tiro na lua”. É uma forma de pensar que obriga inovadores a levarem seus objetivos a algo que parece intangível, enorme e complexo.

Segundo Cláudio Bernardo, Customer Success Manager da empresa de softwares Benner, quando o Moonshot Thinking é aplicado em um projeto de inovação, o problema acaba sendo potencializado (metaforicamente), o que obrigada as pessoas a pensarem em soluções que fugirão do “beabá” natural.

“Você pega um problema e cria provocações com uma realidade muito maior do que aquilo. Ao pensar fora da caixa, colocam-se na mesa coisas que ainda nem existem no mundo real”, explica ao Whow!. “Assim, o mediador da dinâmica vai estimulando a imaginação dos participantes, e depois alocando as sugestões de forma semelhante ao design thinking”.

Cláudio Bernardo dá um exemplo para ilustrar: “Se quisermos mudar a autonomia de um carro, por exemplo, que seja capaz de rodar 50 quilômetros com um litro de combustível, pensaríamos no motor, no pneu e no peso do veículo. Mas, se você desafia alguém a criar um carro que ande eternamente sem combustível, as pessoas começarão a questionar coisas totalmente diferentes, como se o carro precisará ter motor, se utilizará energia solar, se o solo terá de ser diferente etc.”

moonshot thinking Imagem: filme “A Viagem à Lua” (1902)

Vantagens do Moonshot Thinking

O projetos de inovação de empresas que usam o Moonshot Thinking, como o Google ou Tesla, estão sempre desafiando o status quo. Pegando essas empresas como modelo, observamos que aquelas que continuam a pensar em soluções tradicionais terão resultados pouco inovadores, diz Cláudio. “Se você inovar com base naquilo que já tem nas mãos, dificilmente será disruptivo”.

Uma das grandes vantagens do Moonshot Thinking, Cláudio opina, é desafiar as pessoas a pensarem em problemas de forma tão ampliada que a solução desenvolvida provavelmente será algo que não só irá resolver as dores daquele problema, como irá mitigar totalmente a existência dele.

Em startups, cuja utilização de metodologias ágeis é quase mandatória, o Moonshot Thinking as auxilia a tirarem a inovação da vala comum, em vez de simplesmente bolarem soluções mecânicas para problemas.

“Será que em vez de oferecer um produto que ajude a diminuir uma dor, não posso, em vez disso, eliminar a existência do problema? São mil perguntas a se fazer, mas você transforma a necessidade em algo muito maior, e se propõe a criar um produto ou solução que vai além do esperado”, provoca.

“Se você usa uma metodologia que te desafia a fazer além do esperado, a dar o tiro na lua, você tem uma facilidade maior de atingir as estrelas”

Cláudio Bernardo, Customer Success Manager da Benner

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Como e por que pensar grande?

O executivo da Benner explica que termo Moonshot Thinking não é novo. Segundo ele, é possível remontar a ideia ao olharmos para os depoimentos do presidente Kennedy, na década de 60, em que afirmava que os problemas do mundo não podiam ser resolvidos por céticos, e sim por pessoas que sonhavam com coisas que não existiam. “Essa frase foi dita na época da corrida espacial, com o desafio da chegada à lua para ser resolvido antes que a década terminasse”, conta.

Aqui, além do assunto de “atingir a lua” ser literal, naquela época era um ideal inimaginável. E, ao se colocar uma deadline de, por exemplo, uma década, isso limita todos os envolvidos a utilizarem as tecnologias existentes em sua época. “Se Kennedy não tivesse pensado em dar um ‘tiro na lua’, dificilmente teríamos as soluções que temos hoje”, sugere Cláudio.

“Eu entendo que pensar grande é pensar tão grande quanto o planeta”, diz o especialista. “Temos uma tendência a encaixotar coisas que no fim acabam conversando entre si. Pensar grande, então, é pensar em soluções que saiam da sua empresa, da sua comunidade, e consigam ter um golden circle que mostre que aquilo que você está propondo é bom pra todos, não apenas para seu público”, diz. “Pensar não só no seu umbigo, mas no impacto que isso tem no todo. E o todo é o planeta”, finaliza.


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