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Consumo

Conheça as novas tendências em modalidades de seguros

Pandemia de coronavírus alavanca transformação do setor de seguros, que deve levar em conta novas circunstâncias e hábitos

POR João Victor Escovar | 24/07/2020 18h04

Com a chegada abrupta e inflexível da pandemia de coronavírus, a rotina da sociedade e dos indivíduos foi alterada de uma maneira drástica. As necessidades e a importância de categorias de consumo também foram modificadas, algumas provisoriamente, outras com adaptações que devem permanecer para o futuro. Com o mercado de seguros, não é diferente.

Se modalidades mais inovadoras e digitais já vinham surgindo no setor com o próprio advento da transformação digital, é possível dizer que a pandemia acelerou o ritmo das novidades e inclusive forçou o desenvolvimento de produtos que atendessem a situações extremas ou de força maior.

O carro, por exemplo, bem mais tradicional quando falamos de seguro, passou a rodar bem menos do que antes. Consequentemente, a chance de roubo, furto e acidente também diminuiu. Logo, não faz sentido pagar por uma cobertura tão ampla, ao menos nos meses em que a pandemia perdurar. Além disso, há a possibilidade de mudanças de hábito, como a adoção permanente do home office.

Outro gatilho puxado pelo coronavírus foi a necessidade psicológica de proteção do patrimônio. Se a renda média caiu e ficou mais difícil de conquistar objetivos materiais, torna-se imprescindível protegê-los.

“A função de um seguro é justamente isto: ler o ambiente e propor produtos e serviços que estejam em conformidade com as circunstâncias”, explica ao Whow! o presidente da Associação Brasileira de Insurtechs, Henrique Volpi.

O que são as insurtechs?

As insurtechs são empresas que funcionam como as fintechs do setor financeiro, mas no mercado de seguros. Basicamente, elas desenvolvem produtos mais inovadores do que os tradicionais e subscrevem riscos para seguradoras maiores, que atuam fornecendo o lastro para as operações.

De acordo com Volpi, as vendas de seguros apresentaram uma forte diminuição no início da pandemia, mas na sequencia houve um forte aumento de consultas. Em sua visão, o mercado deve apresentar uma retomada em “V”, ou seja, uma tendência de retomada rápida, como uma guinada imediata de direção em um gráfico.

O fenômeno se justifica por dois comportamentos: o corte inicial de gastos por conta da queda de renda e a posterior necessidade de proteção dos bens adquiridos.

Para a retomada, contudo, deve ser necessário apresentar novas ofertas de seguros, que atendam às necessidades reais e às atuais demandas do consumidor.

Assinatura

Essa modalidade de seguros já é oferecida por seguradoras e insurtechs e consiste, basicamente, na “mensalização” das apólices. Isso dá mais flexibilidade para a revogação ou readequação dos contratos, principalmente em condições de mudanças bruscas de renda ou necessidade. Quem contratou um seguro automotivo no início do ano, teria a opção de mudar seus termos durante a pandemia com as novas circunstâncias.

“Permitimos a contratação de seguros com pagamento mensal sem comprometer o limite do cartão de crédito”, explica Thaiza Estevão, diretora de marketing da seguradora Youse.

“A assinatura é como a contratação de um serviço de streaming, como a Netflix: você cancela ou modifica o plano conforme queira”, sintetiza Volpi.

Pay per use/pay as you go

O modelo está começando a ser testado e oferecido por seguradoras e insurtechs e tem como princípio o pagamento de uma taxa fixa pelo fornecimento do serviço mais um valor variável, de acordo com o uso do bem.

No caso de um carro, por exemplo, o valor variável dependeria da quilometragem rodada ou do tempo fora da garagem/estacionamento, que seria medido por aplicativos de celular ou por um dispositivo colocado no veículo.

On Demand/Liga-desliga

Autorizados pela Superintendência de Seguros Provados (Susep), que regula o mercado no país, os seguros por período intermitente, ou seja, que podem ser contratados e revogados constantemente, de acordo com a demanda do consumidor, ainda são vistos com desconfiança dentro do setor.

O motivo para isso é o de que as empresas reguladas pela Susep ainda estão planejando colocar o ativo no mercado. A principal empresa que oferece o chamado seguro por minuto de automóveis, em que o consumidor pode ativar ou desativar a proteção quando quiser – e é cobrado apenas pelo tempo em que estiver utilizando ―, não possui registro na autarquia.

“Quem não está na Susep é considerado seguro pirata, ilegal. Apesar disso, estimamos que entre 30% e 40% do mercado esteja na mão dessas empresas”, avalia Volpi.

A regulamentação abre uma brecha para que empresas internacionais, que oferecem coberturas não disponibilizadas no Brasil, possam atuar no mercado sem o registro na Susep. Contudo, quando fala em cobertura, a Susep interpreta como o “bem assegurado”, e não a vigência ou modalidade de como esse bem será protegido.

Apesar da polêmica, o modelo deve ser uma tendência para o futuro. A cobrança pode se dar, por exemplo, por minutos de uso. Se o consumidor tiver de acionar o seguro e ele estiver desligado no momento do problema, contudo, não tem direito a nada.

Seguro paramétrico

O estabelecimento de condições de indenização também está começando no país. A lógica desta modalidade, chamada de paramétrica, é a de estabelecer parâmetros, ou seja, acontecimentos que se tornam referência para a cobertura do seguro, previsto em contrato e cumprido de maneira menos burocrática.

Isso poderia acontecer em casos de pandemias, enchentes ou acontecimentos de casos fortuitos. A declaração de estado de emergência, por exemplo, poderia estar prevista como um gatilho de seguro para um pequeno negócio que tenha sido obrigado a fechar as portas.

Outro exemplo é o seguro paramétrico para viagens, em que um eventual atraso de um avião, por exemplo, seria o parâmetro para a cobertura.

“Na Austrália, foi feito um seguro relacionado à perda de renda durante a pandemia. Se o contratante for impactado pela crise econômica, recebe uma indenização”, conta Volpi.

Simplificação de pacotes

Outra tendência que deve ser potencializada pela pandemia é a simplificação dos pacotes, com o consumidor tendo a opção de adicionar coberturas de acordo com as necessidades. No caso do seguro automotivo, isso consistiria em coberturas básicas, como roubo, furto, incêndio e assistência-guincho.

“A ideia é que o cliente economize nas contas e mantenha seu seguro ativo mesmo no período de isolamento social”, explica Estevão, da Youse.


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