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Conheça as incubadoras e aceleradoras que promovem o empreendedorismo negro

Iniciativas oferecem investimentos, tutorias, eventos e formações com foco nos desafios específicos dos empreendedores negros

POR Carolina Cozer | 13/11/2019 15h00 Conheça as incubadoras e aceleradoras que promovem o empreendedorismo negro

No último mês de maio, a Shopify, empresa de comércio canadense que desenvolve softwares de computadores para lojas online, firmou uma parceria com a Dream Maker Ventures (DMV), uma incubadora e fundo de venture capital de Toronto, para ajudar a promover o empreendedorismo entre os fundadores negros de startups canadenses.

“Estamos comprometidos em mudar a cara do empreendedorismo, porque acreditamos em um futuro com mais vozes, não menos”, comentou Shavonne Hasfal-Mcintosh, chefe de diversidade da Shopify ao portal TechCrunch.

A Dream Maker Ventures é o primeiro fundo de venture capital canadense fundado por minorias – uma mulher e um homem nigeriano –, com foco em investir em empreendedores com perfil de diversidade. Estão em busca de um levantamento de US$ 75 milhões para um fundo, que fará investimentos pré-Seed, Seed e Série A para startups com fundadores que incluam negros, mulheres, pessoas com deficiência, LGBTQI+, imigrantes ou indígenas.

negros Foto Christina Morillo (Pexels)

E o empreendedorismo negro no Brasil?

Assim como a DMV, o Brasil tem seus próprios espaços de inovação projetados para empreendedores negros e seus desafios específicos na economia local.

Um deles é o Preta Hub, aceleradora e incubadora, que tem como finalidade trazer capacitação técnica e criativa para startups com esse perfil. Seu projeto interno, o Afro Hub, capacitou mais de mil empreendedores nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo em 2018. Neste ano, expandiram para mais cinco regiões do Brasil, acelerando um total de dez empresas negras.

A iniciativa também oferece o Afrolab, programa de promoção e capacitação técnica e criativa que dá suporte aos novos negócios, desde as fases iniciais até o exit, o momento de venda do negócio. Em sua primeira edição, em 2018, capacitou mais de 200 empreendedores em seis estados brasileiros. Em 2019, nove estados serão contemplados com o projeto Afrolab Para Elas, voltado exclusivamente para negras empreendedoras.

O hub também é responsável pelos festivais Pretas Potências e Feira Preta, que buscam estimular e celebrar as forças criativas e inovadoras da comunidade negra.

negros Foto Christina Wocintechchat (Unsplash)

Aceleração para a quebrada

A ONG Fa.vela é a primeira aceleradora periférica do Brasil. Surgiu através de empreendedores nascidos em favelas de Minas Gerais que se juntaram para transformar jovens das comunidades em empreendedores, impulsionando a criatividade, inovação e economia locais. Seu foco está nos negócios de impacto social e ambiental, mas estão abertos ao que possa gerar renda de modo acelerado para moradores das comunidades.

A Fa.vela oferece aulas presenciais, tutorias individuais, workshops, networking e visitas técnicas para ajudar startups a transformar seus planos em realidade rentável. Existe, também, a frente Fa.vela Resiliente, que ensina sobre consciência socioambiental nas favelas, estimulando empreendedores a pensarem em soluções naturais ou recicláveis para seus produtos e negócios.

Até o momento, a aceleradora já impulsionou 159 diferentes negócios em oito batches, atendendo à 15 municípios da região de Belo Horizonte. Entre seus parceiros e patrocinadores estão a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a Universidade de Cambridge, a UNESCO e a Fundação Itaú Social.

negros Foto Christina Morillo (Pexels)

Movimento Black Money

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatistica (IBGE), a população brasileira é composta de 54% de pessoas negras, que compreendem 75% das pessoas mais pobres do país, e 66% dos nossos 13 milhões de desempregados.

Localizado na Avenida Paulista, próximo ao Inovabra, fica o Movimento Black Money, uma comunidade de fortalecimento da economia negra, que trabalha no empoderamento de profissionais negros e incentiva que o consumo seja feito dentro da comunidade.

O hub oferece cursos, workshops, eventos e networking para estimular a autonomia e prosperidade dos empreendedores da rede, além de trabalhar no desenvolvimento de produtos facilitadores para esses profissionais, como a máquina de crédito e débito Pretinha.

Foi fundado pela executiva de TI Nina Silva, que foi considerada uma das 100 pessoas afrodescendentes com menos de 40 anos mais influentes do mundo pela Most Influential People of Africa Descent, e é uma das mulheres mais poderosas do Brasil, de acordo com a Forbes.

Um dos pilares de trabalho do MBM é a busca por equidade em oposição à inclusão, buscando que o capital seja circulado dentro dos meios negros, fortalecendo o afroconsumo e boicotando as empresas que não os incluem.

“Se não me vejo, não compro. Onde tem a diversidade, onde tem a representatividade, é onde nós realmente consumimos de forma consciente”, disse Nina, em uma entrevista ao Instituto Geledés.

“Consumir de quem está incluindo pessoas negras em diferentes cargos, porque não é só na base, a gente precisa estar também em cargos de estratégia e influência”

Nina Silva, CEO do Movimento Black Money


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