Computação em nuvem: qual o seu papel na gestão de custos nas companhias? - WHOW

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Computação em nuvem: qual o seu papel na gestão de custos nas companhias?

No mundo digital é fundamental ter uma base de dados online. Confira aqui a importância do uso dessa ferramenta

POR Redação Whow! | 15/06/2021 15h36

*Por Fernanda Spinardi, gerente de Arquitetura de Soluções da Amazon Web Services (AWS) 

As inesperadas e drásticas mudanças ocasionadas pela pandemia da Covid-19 estimularam reações rápidas para garantir o crescimento e, em alguns casos, a sobrevivência de negócios em diversos setores. Pudemos acompanhar, ao longo do último ano, empresas se reinventando e acelerando sua digitalização para sustentar a mais nova – e elevada – demanda de seus clientes. A nuvem foi a peça-chave que permitiu a estas empresas liberar recursos e redirecionar investimentos de forma ágil, flexível e, ainda, com liberdade para inovar.

À medida que os negócios se transformam digitalmente, também fica mais evidente que o líder financeiro passa a ter um dos papéis mais relevantes desta jornada: o de criar uma cultura de gastos conscientes. Em outras palavras, educar a equipe para que sejam tomadas boas decisões de uso dos recursos, alinhadas aos objetivos do negócio, estabelecendo o equilíbrio entre agilidade e controle. A todo momento é importante atacar a raiz dos gastos infundados. Segundo o estudo RightScale State of the Cloud Report 2019, o desperdício nos custos com nuvem é de 35%, enquanto o Gartner aponta que organizações que não têm um plano de gestão podem estar operando com até 70% de gastos desnecessários.

Dessa forma, a arquitetura em nuvem é “viva” e permanece em constante evolução. Melhorias e otimizações permitem aumentar a rentabilidade dos negócios, atender a uma nova demanda, ou reagir rapidamente a um cenário imprevisível como o da pandemia. 

Nesse sentido, podemos destacar que a gestão financeira dos recursos na nuvem, ou Cloud Financial Management (CFM), passa a ser fundamental. São quatro estágios evolutivos: 1) enxergar (see) com transparência a origem dos gastos e trazer à tona as oportunidades de reduzir o desperdício; 2) economizar (save) e adotar medidas para otimização imediata dos custos, estabelecendo controles para o crescimento saudável; 3) prever (plan) o orçamento baseado nos dados de consumo e drivers de mercado; e 4) automatizar (run) por meio de uma prática operacional financeira com equipes dedicadas e ferramentas, as decisões de investimento. 

Nos últimos meses, empresas de diferentes portes, segmentos ou estágios de adoção de nuvem passaram por situações distintas e se beneficiaram de estratégias de otimização de custos. Como exemplo, temos o QuintoAndar, maior imobiliária digital do Brasil, que mapeou dezenas de alternativas que resultaram em uma economia diária de um terço do custo regular da empresa. As ações passaram por tarefas mais simples, como desligamento de aplicações que não estavam sendo utilizadas, até atividades mais complexas, como análise de comportamento de rede.

Outra empresa que buscou por economia foi a Leroy Merlin, varejista especializada em materiais de construção e decoração, que precisou manter suas 44 lojas por todo o país fechadas. No início de 2020, uma ferramenta de gestão permitiu que o time técnico identificasse oportunidades de redução de custos e várias ações foram colocadas em prática, como resizing de máquinas, desligamento de ambientes pouco utilizados e redesenho de aplicações. Em apenas dois meses, a Leroy Merlin teve uma redução de aproximadamente 20% em seus custos com infraestrutura – representando uma redução acumulada de 12% no ano. 

Por outro lado, a Hotmart, startup brasileira de distribuição de conteúdo educativo on-line, se viu diante do desafio de atender à crescente demanda por cursos digitais, aumentando o desempenho e entregando a mesma qualidade para o cliente final. A companhia fez diversas reduções de gastos nos últimos seis meses que permitiram otimizar custos durante o período, atendendo às necessidades dos consumidores e mantendo a operação com qualidade.

Com esses casos práticos, nota-se que por meio de análises personalizadas de custos, revisão de arquitetura e foco no tema, é possível obter reduções de mais de 40% nos gastos com infraestrutura. Este é um dos principais benefícios da computação em nuvem. Entretanto, há outros quatro fatores que a tornam indispensável na transformação digital de qualquer empresa: agilidade, elasticidade, passo de inovação e operação global. São características que permitem que empresas experimentem mais e com mais rapidez, tendo como consequência a aceleração de seu crescimento.

Os desafios originados pela pandemia de Covid-19 colocaram em foco instituições que precisavam rapidamente liberar seus orçamentos e acomodar as novas necessidades de negócios. Com milhares de dólares em economia potencial aqui no Brasil, tivemos um cenário favorável às organizações que conseguiram conciliar crescimento, reinvenção e otimização de custos, de maneira que, usando a nuvem de forma mais eficiente, puderam investir essa economia de maneira estratégica, contribuindo para o crescimento saudável de seus negócios.