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Vendas

Como vender online sem depender de marketplaces digitais

Apesar de oferecerem soluções de logística e outras facilidades ao empreendedor, marketplaces estão se configurando como monopólios digitais e levam uma fatia de todas as vendas realizadas na plataforma

POR Daniel Patrick Martins | 04/08/2021 17h23

Vender produtos no meio digital está mais fácil do que nunca. Grandes marketplaces online, como Amazon, Mercado Livre e Magazine Luiza, entre outros, oferecem diversas facilidades aos empreendedores. Essas plataformas entregam soluções de logística e permitem criar uma loja virtual sem conhecimento técnico. No entanto, fatores como a alta concorrência pela atenção do consumidor e as comissões sobre vendas (de, em média, 16% sobre o valor total da transação) fazem muitas empresas se questionarem: é possível vender online sem depender dos marketplaces? 

Esse foi o caso da estilista Maira Mazzer, que criou a Preguistê, marca de pijamas versáteis (tanto para ficar em casa quanto para sair na rua) durante a pandemia do coronavírus. Ao começar a estudar o universo das vendas digitais, ela decidiu comercializar os produtos no próprio site ao invés de aderir aos marketplaces. Com isso, construiu uma relação mais próxima com o seu cliente e reduziu custos. 

Nesse sentido, a estilista fala sobre as suas estratégias para sobreviver no mercado e de como impulsionar as vendas online sem depender do marketplace. Todo este bate-papo está disponível no episódio #7 do Whow! Vida Loka Podcast (assista abaixo).

https://www.youtube.com/watch?v=iZLX8yTW1gU&t=3s

Marketplace ou e-commerce proprietário?

O caso da empreendedora Maira Mazzer exemplifica um caminho que muitas empresas estão trilhando. Uma pesquisa realizada pelo E-Commerce Brasil mostra que 64% dos lojistas usam a margem do lucro para poder precificar seus produtos no comércio eletrônico. Portanto, se fosse depender das taxas cobradas pelos grandes marketplaces, o preço seria mais alto para o consumidor final. 

Neste mesmo levantamento, 87% dos entrevistados disseram que comercializam os produtos por e-commerce próprio, contra 66% em marketplace. Também existe a possibilidade da venda pelas redes sociais, que é uma alternativa para 48% das empresas participantes do estudo. 

Após um boom de crescimento dos marketplaces nos últimos anos, a tendência que vem dos países mais desenvolvidos é contrária. Um estudo global da Accenture em parceria com a Geodis mostra que 64% das empresas europeias pretendem depender menos de marketplaces nos próximos seis meses. A prioridade, tanto no Velho Continente quanto nos EUA, é ter uma estratégia omnichannel, ou seja, vender por todos os canais disponíveis, diminuindo a dependência sobre qualquer um deles. 

O maior desafio para a independência digital das pequenas e médias empresas é a lacuna de capacitação para vendas online. Uma pesquisa realizada pela IDC e encomendada pela Cisco avaliou a maturidade digital de PMEs em oito países. O estudo constatou que oito em cada dez empresas na América Latina priorizam a digitalização de seus negócios, mas enfrentam desafios como: falta de habilidades digitais, resistência cultural à mudança, falta de mentalidade digital e falta de uma trilha definida para implementação dos processos digitais.  

Monopólios digitais

Fora do Brasil, reguladores estão de olho nas grandes empresas de tecnologia pois, na visão deles, estão se configurando monopólios digitais. Isto porque a concentração do consumo digital nos marketplaces estaria se tornando tão grande que acabaria com a competitividade no mercado como um todo. 

A Amazon, por exemplo, é alvo de uma ação por parte do governo dos EUA que afirma que a empresa adota práticas anticompetitivas para acabar com a concorrência. Do outro lado do mundo, o grupo chinês Alibaba, dono dos maiores marketplaces do país, teve de pagar uma multa de US$ 2,8 bilhões pelo mesmo motivo. 

Um grupo de proteção ao empreendedor norte-americano, chamado Access to Markets, nasceu com o objetivo de denunciar atitudes anticompetitivas dos grandes marketplaces digitais. Em um documento publicado sobre o assunto, o grupo afirma que estas plataformas criaram uma espécie de regulação privada, tamanho o poder que têm no mercado. Na prática, isto quer dizer que vendedores que não seguirem as normas impostas por estes marketplaces têm seu alcance cortado e acabam à margem do mercado.