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Tecnologia

Como a tecnologia pode fomentar a diversidade no mercado de trabalho

A inteligência artificial está ajudando a corrigir práticas de contratação distorcidas, promovendo a inclusão de trabalhadores e gerando lucros

POR Luiza Bravo | 10/02/2020 15h48 Como a tecnologia pode fomentar a diversidade no mercado de trabalho Foto (Freepik)

A diversidade no local de trabalho é definida como a inclusão de todos os indivíduos em uma empresa, independentemente de sexo, religião, etnia, raça, idade, orientação sexual e aptidão física ou mental. Muitas organizações começaram a adotar um discurso de inclusão como forma de se promover, mas a diversidade traz diversos benefícios que vão muito além da imagem institucional.

diversidade Foto (Pxhere)

Como a diversidade contribui para as empresas?

Uma pesquisa realizada pela Morgan Stanley em 2016 constatou que as empresas com maior diversidade de gênero obtiveram retornos melhores do que aquelas menos diversas. Em 2018, um relatório da McKinsey apontou que as equipes executivas com diversidade de gênero obtiveram resultados lucrativos em todas as áreas.

Os números não mentem: é vantajoso para as empresas possuir uma força de trabalho diversificada. Mas as organizações estão, de fato, caminhando nesse sentido? Um outro levantamento da McKinsey revelou que as mulheres – principalmente as negras – permanecem sub-representadas na força de trabalho. Além disso, as mulheres ocupam apenas 38% dos cargos de gerência, em comparação com 62% dos homens.

A diversidade no ambiente de trabalho pode trazer experiências únicas e uma variedade de soft skills altamente valorizadas atualmente, como colaboração, comunicação, inovação e pensamento criativo. Além disso, esse leque mais amplo de funcionários permite que os anseios dos clientes – que também são plurais – sejam mais bem compreendidos. Assim, a empresa pode atender melhor suas expectativas – um benefício real e tangível em termos comerciais.

“A diversidade traz um olhar diferente para dentro da organização e permite que ela tenha não só uma discussão mais plural sobre desenvolvimento de determinado produto, mas até mesmo que seja capaz de atingir um público que de repente ela nem conseguiria. Essa é uma das grandes vantagens de você tratar a diversidade como um princípio proativo e organizacional, que vai além da questão social”, diz Juliana Martins, membro do Movimento Black Money e product manager da Sumup.

diversidade Foto Christina Wocintechchat (Unsplash)

E o que a tecnologia tem a ver com isso?

Hoje, soluções baseadas em inteligência artificial podem ajudar os empregadores desde a etapa de recrutamento, identificando preconceitos nas descrições de cargos e recomendando frases e palavras para criar descrições de cargos mais inclusivas, por exemplo.

Essas plataformas também podem ser treinadas para realizar avaliações objetivas de habilidades, competências e talentos, ignorando fatores demográficos como sexo, raça e idade. A Bowmo e a Censia são exemplos de ferramentas projetadas para não usar nome, raça, sexo, orientação sexual, religião ou deficiência como parâmetros de rastreamento.

O trabalho de inclusão deve continuar mesmo após as contratações, com análises regulares sobre remuneração e benefícios, para combater disparidades salariais em toda a força de trabalho. Juliana Martins diz que ainda não existe um apoio social e estrutural para que as organizações efetivamente saibam como tratar de diversidade. “Muitas empresas já entenderam que precisam trazer pessoas diversas para dentro, mas ainda não sabem como acolher essa diversidade. Então como lidar com uma pessoa que mora na região periférica e vai demorar mais tempo para chegar ao trabalho? Como lidar, por exemplo, com discussões nas quais aquela pessoa talvez não possa colaborar porque não teve aquela experiência? É preciso pensar em como fazer com que esse processo de internalização de funcionários aconteça de uma forma saudável para todos os lados.”

Um estudo divulgado recentemente pela Mercer analisou os impactos das tecnologias de Diversidade e Inclusão (D&I) no mercado de trabalho e a crescente importância que esses softwares têm ganhado.

“Não ter uma organização diversificada e uma cultura inclusiva é um problema sistêmico; portanto, intervenções individuais por si só não funcionarão”, aponta o relatório Diversity & Inclusion Technology: The Rise of a Transformative Market.

De acordo com a Mercer, o mercado de tecnologia de D&I está crescendo em ritmo acelerado, com clientes principalmente nas áreas de finanças e tecnologia. A maior parte das soluções existentes até o momento (43%) concentra-se na aquisição de talentos, enquanto apenas 12% são desenvolvidas para engajamento e retenção de funcionários.

Apesar do valor indiscutível dessas iniciativas, é preciso ter uma visão crítica sobre elas. Isso porque, por serem criados e treinados por humanos, os algoritmos de IA também não são neutros. Ainda assim, o saldo dessa discussão em torno da diversidade já é positivo.

“Fico contente de ver que algumas instituições estão levando a sério o assunto, e que a diversidade deixou de ser um item de prateleira”

Juliana Martins, membro do movimento Black Money e product manager da Sumup

Assim, as informações obtidas por essas plataformas devem ser usadas de forma complementar na tomada de decisões. Por fim, o relatório sugere que as empresas deixem claro quando houver situações em que sejam orientadas por tecnologias de IA, para conduzir os processos de maneira responsável e transparente.


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