Como serão as casas do futuro - WHOW
Tecnologia

Como serão as casas do futuro

Arquitetos usam realidade virtual e aumentada em projetos, e internet das coisas promete revolucionar os apartamentos em breve

POR Luiza Bravo | 15/05/2020 13h03

A comodidade trazida pelo avanço da tecnologia é um caminho sem volta. A cada dia que passa, temos acesso a novos produtos e serviços através dos smartphones, e essa tendência deve se consolidar com a chegada da conexão 5G e a implementação da Internet das Coisas em nosso dia a dia. Apesar de tradicional, o setor da Construção Civil já entrou nessa corrida pela inovação, de olho no futuro, e surpreende com soluções cada vez mais inteligentes.

Compras de casas através de RA e RV

Atualmente, quem pensa em adquirir um apartamento já encontra várias soluções on-line e nos estandes de venda que ajudam a visualizar e avaliar o projeto, incluindo maquetes físicas, perspectivas eletrônicas e ferramentas de Realidade Aumentada e Realidade Virtual. Se o cliente considera adquirir um terreno para construir sua própria casa, no entanto, o cenário muda.

A dificuldade em visualizar as possibilidades que um terreno vazio oferece gera incerteza na hora da compra e acaba se tornando um problema tanto para as loteadoras que vendem os terrenos, quanto para os interessados em comprar. Foi pensando em solucionar esse problema que os empreendedores Maurício Carrer, Denis Cossia, Alexandre Hepner e Odilon Castriota fundaram a InstaCasa. A plataforma possui um acervo com milhares de projetos de arquitetura residencial, incluindo casas com as mais diversas características, variando em tamanho, estilos arquitetônicos, quantidade e disposição dos ambientes.

“Nossa tecnologia analisa as características de cada terreno colocado à venda nos empreendimentos parceiros, e faz uma filtragem para apresentar quais são os projetos que atendem às características do terreno e à legislação do local. Depois, o potencial cliente pode continuar escolhendo os projetos por tamanho, ambientes e estilo arquitetônico, até finalmente encontrar a casa dos sonhos”, explicou Alexandre ao Whow!.

A startup também oferece soluções de visualização com RA e RV no stand de vendas, para que a pessoa possa fazer uma imersão em sua futura casa. Dependendo do formato da parceria com o empreendedor, a InstaCasa continua acompanhando o cliente que adquiriu o terreno depois da compra, fornecendo o projeto de arquitetura que será necessário para conseguir aprovação para a obra na prefeitura local.

Tecnologia sem modismos

Os projetos de arquitetura da InstaCasa são desenvolvidos de acordo com a metodologia Building Information Modeling, que consiste em projetar a casa a partir de um modelo eletrônico paramétrico, que garante mais assertividade e economia à construção. Todos são avaliados eletronicamente para proporcionar ventilação e iluminação adequadas. Os ambientes também são dimensionados para serem flexíveis, considerando, por exemplo, ampliações futuras do imóvel para acompanhar o crescimento da família. “Normalmente, quando falamos de ‘imóveis inteligentes’, pensamos em casas com sistemas de automação avançados. Esses sistemas são interessantes, mas também podem ficar obsoletos rapidamente”, conta Alexandre.

“Entendemos que um imóvel inteligente é aquele que é bem projetado em suas características duradouras para oferecer conforto, praticidade, comodidade, flexibilidade e economia para quem vai construí-lo e morar nele.”

 Alexandre Hepner, cofundador do InstaCasa

Moradias do futuro via 5G

O diretor de marketing da Tecnisa, Romeo Busarello, concorda que, hoje, o que se vê em termos de automação residencial são “firulas”. Ele diz que o grande salto para as casas do futuro só vai ocorrer quando houver conexão 5G em larga escala, que vai viabilizar a implementação de IoT nos imóveis. “Quando tivermos o 5G, os apartamentos vão passar a ser, de fato, inteligentes”, disse ao Whow!.

A previsão é que, em 2022, as grandes cidades brasileiras já possuam uma boa cobertura 5G. É a partir daí que a Tecnisa pretende lançar seus primeiros imóveis inteligentes. A empresa já trabalha com metodologias ágeis e squads de inovação, e apesar de não poder revelar todos os insights que suas pesquisas mais recentes trazem, destacou algumas ao Whow!.

Segundo Romeo, em 2022, a Tecnisa vai entregar 12 empreendimentos residenciais com espaços de coworking. Os prédios também vão contar com lockers inteligentes, que vão reduzir o tempo gasto nas entregas realizadas por motoboys. “O entregador chega, coloca sua encomenda no locker e vai embora. O morador desce e abre o armário com o celular, por meio de um código”, explica. Também haverá lockers refrigerados, para que o morador possa receber compras perecíveis do supermercado, por exemplo.

Os supermercados, aliás, devem oferecer geladeiras próprias para as construtoras, para que os apartamentos já sejam entregues com elas. Os equipamentos serão inteligentes, e por meio de algoritmos, serão capazes de entender os itens consumidos com frequência pelo usuário e encomendá-los direto ao supermercado.

“Na China, isso já é uma realidade. Por lá, essa tecnologia está tão avançada que, primeiro, o supermercado entrega os itens, e só depois cobra. Mas eles só conseguem fazer isso porque já têm IoT rodando.”

Romeo Busarello, diretor de marketing da Tecnisa

O principal foco de estudo da Tecnisa hoje, no entanto, são as fechaduras, que serão um dos itens mais inteligentes das casas do futuro. Equipadas com tecnologia blockchain, elas serão capazes de monitorar a entrada e saída de pessoas. Quem tem funcionários trabalhando em casa, por exemplo, poderá controlar seu horário de trabalho e conectar seus dados direto à folha de pagamento.

Com uma legislação atualizada, locatários poderão, inclusive, bloquear a entrada no apartamento de inquilinos inadimplentes pela fechadura.

O equipamento será capaz de fornecer até mesmo informações relacionadas à saúde do morador. Já a  “saúde” dos apartamentos ficará a cargo de sensores, que vão indicar a necessidade de manutenções preventivas e otimizar os gastos de energia elétrica, por exemplo.

Romeo garante que, ao ganharem exponencialidade, essas tecnologias terão custos reduzidos, e serão acessíveis em larga escala. “Ainda não conseguimos prever todas as possibilidades que o 5G vai nos oferecer, mas todo mundo está inovando. A inovação hoje é uma questão de sobrevivência, e a Covid-19 só acelerou esse processo”, concluiu.


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