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Como será o futuro do empreendedorismo

empreendedorismo do futuro

O conceito de empreendedorismo é secular, mas, como tudo na sociedade, ele se transforma ao longo do tempo. É interessante, portanto, analisar as tendências de mercado atuais para vislumbrar como será o empreendedor do futuro.

Para Gilberto Lima, futurista, humanista digital e articulista do Whow!, o empreendedor do futuro precisará trabalhar a inteligência espiritual, que é a capacidade de integrar aspectos metafísicos à sua visão de negócios. “O empreendedor do futuro precisará ter mais do que apenas inteligência emocional, mas também a inteligência espiritual – e não estou falando de religião”, afirma, em entrevista exclusiva.  

“O campo disruptivo está altamente conectado com o metafísico. É um olhar extra sensorial que permite pensar fora da caixa. Isso hoje está sendo falado nas grandes universidades, e praticado no Vale do Silício. É uma transformação no modelo mental do empreendedor”, explica Gilberto Lima. 

Empreendedor generalista

Na visão do futurista, cada vez mais o empreendedor será uma figura generalista e seus conhecimentos deverão ir além do que está diretamente associado ao seu negócio. Neste contexto, o Lifelong Learning – que é a cultura de aprendizado constante ao longo da vida toda – é essencial. 

“É a percepção da auto obsolescência que vai evitar o empreendedor de replicar modelos viciados, de perder espontaneidade”, analisa Gilberto Lima. “Eu, por exemplo, acabei de me matricular em um curso de filosofia, porque isso me traz uma visão ainda mais profunda sobre o ser humano, o que ajuda nos negócios”, revela.

O comportamento do empreendedor de diversificar seus saberes está diretamente ligado ao tempo em que a sua empresa consegue se manter relevante no mercado. Sob a ótica do conceito de organizações infinitas, são as próprias empresas que precisam disruptar seus modelos de negócios para continuarem entregando valor real a seus clientes, antes que um concorrente o faça. Isso já vem sendo feito desde o século XX por algumas companhias, mas os ciclos de disrupção serão cada vez mais curtos, e a necessidade de pivotar e repensar os negócios mais latente. 

“O conceito de empresa infinita trata de a própria empresa quebrar o próprio modelo de negócio, e não um concorrente. E isso tem a ver com a percepção de auto obsolescência do empreendedor, que deve entender como pivotar a sua própria atuação ao longo do tempo, de tornar o seu eu do passado obsoleto”, explica o futurista. “E só há uma forma de fazer isso, que é diversificar o pensamento, aumentar a caixa de ferramentas e ter variedade de conhecimentos sobre todos os temas. Se está muito técnico, precisa estudar mais a parte humana. Se está muito humano, precisa adquirir conhecimento técnico, pragmático”. 

Apartheid digital e concentração de empresas

Em uma visão mais ampla de mercado, no entanto, a análise de Gilberto Lima é de que a exigência dos consumidores, cujo patamar está cada vez mais alto, leva a uma concentração de capital e poder cada vez maior em poucos players. 

Por exemplo, no setor do comércio eletrônico, a previsão é de que, em menos de duas décadas, seja possível realizar entregas em qualquer lugar no mundo em até 40 minutos. Só que este feito será alcançado por poucas companhias globais, como o caso da Amazon, por exemplo. E os pequenos negócios que não entregarem a mesma experiência não estarão à altura da expectativa do cliente a nível internacional. 

“O mundo ainda vive um apartheid digital. É muito pouco provável que o pequeno empreendedor das comunidades consiga bater de frente com as grandes plataformas, que se unem e formam conglomerados cada vez maiores”, prevê o especialista. “Não significa que o pequeno empreendedor não consiga trilhar um caminho escalável no digital, mas o próprio cenário de apartheid dita que o seu objetivo provavelmente será ser adquirido por alguém maior”. 

“Será muito pouco provável que no empreendedorismo de comércio, varejo e, em muitos casos, de serviços, as pequenas estruturas consigam se equiparar às grandes. Pode parecer paradoxal, mas o que acontecerá é que, apesar de até os pequenos negócios nascerem com características globais, a maioria será adquirida antes de alcançar um status internacional. Não acredito que os órgãos regulatórios internacionais vão conseguir desconcentrar e democratizar o setor a nível global”, conclui Gilberto Lima.

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