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Como se preparar para ser um mentor de startups

Conhecimento de mercado e negócios é essencial, mas é preciso outras habilidades para orientar startups que estão dando os seus primeiros passos

POR Luiza Bravo | 20/01/2020 10h00 Como se preparar para ser um mentor de startups Arte Grupo Padrão (Érika Bernal)

Uma startup pode ter tudo: uma boa ideia, uma base de clientes em expansão, financiamento e ótimas perspectivas. Ainda assim, tem dificuldades em lidar com uma equipe em crescimento ou para descobrir a melhor maneira de usar o investimento recebido. É justamente aí que o mentor pode fazer toda a diferença, empurrando a empresa e seus fundadores na direção certa, e ajudando-os a crescer.

O termo “mentor de startups” pode ser considerado relativamente novo, mas a orientação para negócios é uma prática antiga, que já ajudou a consolidar empresas renomadas. Bill Gates, por exemplo, sempre disse que o famoso investidor Warren Buffet é seu consultor em ideias e investimentos, além de ser um amigo íntimo. Gates disse que Buffett fez várias perguntas difíceis nos primeiros anos da Microsoft, o que o ajudou a transformar a empresa na gigante da tecnologia que conhecemos.

O que fazem os (bons) mentores de startups

Um estudo da Endeavor Insight, uma organização sem fins lucrativos que incentiva empreendedores de alto impacto em todo o mundo, descobriu que 33% dos fundadores de empresas que são orientados por empreendedores de sucesso se tornaram, também, empresários de alto desempenho.

Como qualquer relacionamento saudável, a mentoria envolve franqueza, um fluxo livre de ideias e abertura às críticas. Confiança e empatia também são componentes essenciais nas discussões iniciais entre a equipe empreendedora e o(a) mentor(a), que deve, acima de tudo, ter a habilidade de ouvir.

mentor Foto (Freepik)

“Por trás de startups, existem pessoas. Então é muito importante entender quem são aquelas pessoas, quais são suas capacidades, habilidades e limitações”, diz Marcel Nobre, head de aceleração pela Conquer Labs, ao Whow!. “Não adianta eu querer trazer aquele executivo para a minha velocidade de conhecimento. Eu tenho que entender qual a capacidade de execução dele, para lhe dar as mãos e trazê-lo para o desenvolvimento.”

Além disso, o mentor, obviamente, deve ter experiência de mercado, preferencialmente em um nicho determinado. Isso porque, quando se trabalha de forma genérica, é mais difícil entender as especificidades de cada segmento.

“É fundamental que o mentor tenha conhecimento do negócio, para ter o discernimento se aquilo realmente tem um valor e para definir uma métrica para mensurar esse valor”, avalia o empresário Paulo de Sá, que atua desde 2014 como mentor de startups focadas no agronegócio, ao Whow!.

O papel do mentor não é dar conselhos, mas trazer uma perspectiva de negócios para a empresa que está nascendo. Muitas vezes, é necessário ampliar o campo de visão dos empreendedores, que focam apenas no produto ou serviço que desenvolveram e se esquecem de pensar pelo lado do cliente.

“Mais do que afirmações, o mentor tem que trazer questionamentos. Fazer as perguntas certas para que o empreendedor chegue à conclusão da solução”

Marcel Nobre, head de aceleração pela Conquer Labs

mentor Foto (Pixabay)

As recompensas de ser mentor

O mentor tem o potencial de abrir várias portas para uma empresa que está começando, aprimorando sua visão estratégica e ampliando sua rede de negócios por meio de potenciais clientes e investidores. Mas se engana quem pensa que os empreendedores são os únicos beneficiados pelo processo de mentoria. Contribuir para o sucesso de novas empresas pode ser uma experiência edificante e extremamente recompensadora.

“Acho que eu também tenho um papel diferente para a sociedade, que é dividir esse capital intelectual”

Diego Castanho, mentor de negócios na ACE Startups

Os três mentores ouvidos por Whow! dizem que o processo de mentoria tem um quê de altruísmo. O mentor não pode impor sua opinião e precisa ter o desejo genuíno de impactar o outro sem esperar nada em troca. Além disso, são unânimes ao apontar o ponto fundamental para se tornar um bom orientador: estudo.

“É preciso olhar essa atividade de mentoria como um desafio e como uma doação do seu tempo. Você acaba absorvendo muita coisa: ganha mais experiência, fica mais ‘cascudo’. É um aprendizado contínuo, não tem uma receita de bolo. Mas o embasamento e o domínio do assunto são fundamentais”, conclui Diego ao Whow!.


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