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Como se adaptar às novas formas de trabalho?

“Produtividade não é trabalhar muito, é trabalhar bem”. Painel discutiu o futuro do trabalho e os mitos que caíram por terra na pandemia

POR Carolina Cozer | 11/11/2020 19h21 Como se adaptar às novas formas de trabalho? Foto de Ketut Subiyanto no Pexels

Se antes da pandemia o trabalho remoto e nomadismo digital eram utopias nos modelos de trabalho ao redor do mundo, hoje eles ganharam força e também possibilitaram novos olhares para o mercado. 

É provável que o lifelong learning e o microlearning se tornem as principais formas de trabalho para aqueles que querem estar sempre preparados.

Mas a dor do isolamento, da Covid-19 e da solidão foram muitas vezes insuportáveis para alguns profissionais, que precisaram receber suporte emocional de suas empresas. “Nós, latinos, gostamos do contato físico, dos momentos de troca uns com os outros”, comenta Emiliano Agazzoni, fundador e diretor do Remote Conference, e mediador do painel “Como se adaptar às novas formas de trabalho?”, do Whow! Festival de Inovação 2020. “Como ficou o home office para os extrovertidos? E para os que moram sozinhos e estão tendo que lidar com a solidão, agora que vamos continuar trabalhando em um modelo flexível?”, questiona.

“Inicialmente, os extrovertidos sentiram falta do calor humano, e alguns introvertidos gostaram de não precisar sair de casa. Há o ônus e bônus de se estar em casa, mas em termos de negócio, muitas coisas boas ocorreram. Por exemplo, as reuniões, as ligações, a inclusão e a diversidade tiveram ganhos nas empresas”, diz Ana Gavioli, diretora de recursos humanos do Grupo Heineken ao painel. “Outros impactos positivos foram as comunicações entre os times e a humanização de muitos contatos”.

“Produtividade não é trabalhar muito, é trabalhar bem”

Embora o home office já estivesse há muitos anos entre as tendências de modelo de trabalho para o futuro, muitas empresas tinham medo de adotar esse sistema, por acreditarem que a produtividade dos colaboradores cairia.

“Essa questão de que produtividade e home office não se combinam é mito”, diz Simone Oechsler, diretora de RH da SKY. “Antigamente, na SKY, essa necessidade de controle das cargas horárias era muito grande. Isso não existe mais, pois se entende que é preciso monitorar a entrega e não os horários. Hoje estamos muito mais alinhados e até mesmo conhecendo mais sobre a realidade familiar e emocional dos colaboradores. Evoluímos muito”.

“Produtividade não é trabalhar muito, é trabalhar bem”, acrescenta Agazzoni

Bruno Ferrante, employee experience & development manager da BASF, observa que as empresas precisam tomar cuidado com essa questão do suposto aumento de produtividade que algumas empresas afirmam ter na pandemia. “Percebemos um aumento de produtividade, mas temos que tomar cuidado sobre o quanto isso não significou que as pessoas estiveram trabalhando mais”, diz. “Qualidade de vida é um assunto dicotômico, porque, para muitos, o home office está sendo estressante”, diz, citando os exemplos das pessoas que estão tendo que fazer dupla jornada, que tiveram Covid-19 ou perderam entes queridos para a doença etc. “É preciso que líderes sejam mais humanos e entendam sobre diversidades situacionais.”

trabalho Foto de Ketut Subiyanto no Pexels

Contratações digitais

Algo que antes era difícil de se imaginar, mas que agora mal é questionado pelas empresas, é o desenvolvimento de planos de carreira e contratações totalmente digitais.

“Se tem algo que aprendemos é que o virtual inclui muito mais que o presencial. Antes, colaboradores de cidades distantes da matriz precisavam ir até ela para treinamentos, e hoje todo mundo participa online, em conjunto, com participação do presidente e todos os diretores”, compartilha Oechsler sobre a rotina na Sky. “As equipes de campo estão se sentindo muito mais incluídas que antes. Fazemos celebrações virtuais e as famílias podem participar. Isso facilita muito, e tudo isso se estende para os planos de carreira. Antes não imaginávamos contratar alguém que nunca vimos presencialmente, mas agora temos executivos contratados que nunca pisaram na empresa. Esse ano isso aconteceu, e tem funcionado. Acreditar que isso não funciona era um mito que foi desmascarado”, destaca a executiva.

“Os benefícios do contato presencial fazem falta, e em alguns momentos isso é muito importante, como o estabelecimento do vínculo de confiança”, exemplifica Ferrante sobre sua experiência na BASF. “Contudo, temos espaço para explorar tudo isso no virtual, pois não é um espaço intocável. O que aconteceu esse ano foi apenas um teaser do futuro; muitas outras coisas ainda vão acontecer, e precisamos aprender com essa oportunidade para sairmos muito melhores.”

O grande ensinamento da pandemia, segundo Gavioli, foi o cuidado com as pessoas. “É preciso proporcionar espaços de troca nas empresas. O que vai fazer os profissionais procurem uma empresa para trabalhar é o fator humano; é isso que dá o tom da produtividade, e faz com que as pessoas queiram trabalhar em algum lugar”, diz a gestora de RH da Heineken.

Segundo Oechsler, o que aprendemos com esse ano é o olhar às tendências, mas com equilíbrio.

“Acredito que vamos evoluir muito na inclusão das necessidades pessoais e modos de vida nas empresas, para tornar as equipes mais diversas e mais fortes”

Simone Oechsler, diretora de RH da Sky


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