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Saiba como praticar o lifelong learning

Mudanças no mercado de trabalho exigem nova postura dos empregados, que devem buscar adquirir conhecimentos constantemente

POR Luiza Bravo | 10/02/2020 14h34 Saiba como praticar o lifelong learning Arte Grupo Padrão (Cristina Fukai)

Até algum tempo atrás, o caminho para alcançar o sucesso profissional era relativamente simples: estudar, fazer uma boa faculdade, garantir um diploma e começar a trabalhar. Hoje, no entanto, esse cenário mudou: quem deseja se destacar precisa se aperfeiçoar constantemente por meio de leituras, cursos, participando de workshops e tudo o que estiver ao seu alcance.

Esse aprendizado constante ao longo da vida tem nome: Lifelong Learning. O termo parece novo, mas já é usado há quase duas décadas para definir esses novos modelos de educação que fogem do tradicional.

A diretora de Educação Executiva da ISE Business School, Érica Rolim, diz que a prática da educação continuada sempre foi uma necessidade, e que isso tem se acentuado. “Hoje as lideranças são cada vez mais desafiadas e necessitam estar atualizadas em diversos campos de atuação – desde a digitalização da indústria, passando por novas relações no trabalho e consequente demanda de resoluções de conflitos, liderança por propósito, entre outras questões”, destacou ao Whow!.

 Um eterno aprendiz

O lifelong learner – ou eterno aprendiz – é auto-motivado, e não precisa que as tarefas lhe sejam impostas. Para direcionar sua jornada, no entanto, o autoconhecimento é fundamental, já que a busca aleatória por capacitação, sem um enfoque nas suas reais necessidades, além de pouco produtiva, pode significar um grande desperdício de dinheiro.

lifelong leraning Foto (Pxhere)

Estabelecida uma direção para o aprendizado, é possível, então, seguir alguns passos para que o processo de Lifelong Learning seja bem sucedido:

Leia: mantenha uma lista de livros, artigos e documentos que deseja ler para se autodesenvolver ou para ampliar seu conhecimento técnico. Mantenha essa lista atualizada, buscando sempre novas fontes de informação.

Priorize: a prática do Lifelong Learning deve ser prioridade. Separe pelo menos meia hora por dia para desenvolver esse conhecimento ou habilidade na área de especialização que você precisa adquirir.

Revise: a menos que sejam revisadas, as informações aprendidas são rapidamente esquecidas.

Pratique: como diz o ditado, a repetição leva à perfeição. Normalmente, leva-se um tempo considerável para adquirir uma habilidade e aperfeiçoá-la. Por isso, coloque em prática os aprendizados para que eles sejam aperfeiçoados com o tempo.

Seja curioso: questione, busque respostas e formas criativas de resolver problemas. A curiosidade é uma das melhores formas de fomentar o aprendizado.

Ensine: o ato de ensinar algo aos outros ajuda a consolidar e reforçar nosso próprio conhecimento.

Mentorar: ajudar alguém é uma via de mão dupla ambos saem ganhando.

Mantenha uma rotina saudável: uma dieta balanceada fornece ao cérebro os nutrientes necessários para seu funcionamento ideal. Além disso, a prática regular de exercícios físicos leva à produção de substâncias químicas que também melhoram seu funcionamento. Portanto, cuide do seu corpo para que a mente não deixe de funcionar.

lifelong leraning FotoTim Mossholder (Unsplash)

Érica diz que o Lifelong Learning é importante e válido para toda e qualquer área ou profissão. Segundo ela, todos têm espaço e oportunidades para continuar aprendendo, e apesar de exigir disciplina, a prática é bastante recompensadora.

“É uma prática que deve acontecer todos os dias, com a leitura de livros, participação em eventos, aulas abertas, momentos de reflexão. Como disse Benjamin Franklin, ‘ Investimento em conhecimento paga o melhor retorno’”

Érica Rolim, diretora de Educação Executiva da ISE Business School

Responsabilidade compartilhada

Para praticar o Lifelong Learning, o aprendiz deve estar totalmente comprometido com a busca pelo aprendizado, e enxergá-lo não como um destino, mas como uma jornada. O aluno deve se manter motivado e ser responsável por seu próprio desenvolvimento, mas isso não isenta os governos e organizações de se envolverem nesse processo.

Na Europa, por exemplo, a Comissão Europeia trabalha com os Estados-Membros da UE para apoiar e reforçar o desenvolvimento de competências-chave e habilidades para a adoção do Lifelong Learning. Entre as recomendações, estão abordagens inovadoras de aprendizagem, métodos de avaliação e apoio aos profissionais da Educação.

Aqui no Brasil, a reforma da grade curricular do Ensino Médio e o crescimento do Ensino à Distância (uma pesquisa realizada pela Sagah estima que, em 2023, mais alunos estarão matriculados em cursos EAD do que em modalidades presenciais) apontam para uma mudança na forma de estudar do brasileiro.

De acordo com Érica, o aumento do número de brasileiros com acesso ao ensino superior e da expectativa de vida da população são fatores que estimulam cada vez mais a prática do Lifelong Learning.

“Além disso, outro ponto que nos chama a atenção como uma ótima janela de oportunidade é o índice de competitividade por país, divulgado pelo World Economic Forum, em que o Brasil ocupa a 71ª posição. Na classificação do pilar de ensino superior e treinamentos, estamos em 79º lugar, entre 137 países”, comentou. “Quanto melhor formados os executivos, quanto mais capazes de impactar positivamente a nossa sociedade e o desenvolvimento do país, melhor será a nossa capacidade competitiva.”



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