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Consumo

Como os nativos ecológicos estão mudando os negócios

Os nativos ecológicos estão transformando o status quo das empresas, exigindo responsabilidade, transparência e uma pegada ambiental positiva

POR Carolina Cozer | 12/11/2020 19h08 Como os nativos ecológicos estão mudando os negócios Foto: Mert Guller (Unsplash)

Os nativos digitais cresceram cercados de informações nas redes sociais, especialmente sobre a preocupação ambiental. Com essa conscientização surgiram os nativos ecológicos digitais, cidadãos engajados com novas visões de consumo consciente e impacto do lixo. 

É justamente com essa geração que o conceito da hiperecologia se estabelece, através da conexão ambiental sendo prioridade mesmo nas grandes cidades.

Para debater como as corporações se posicionam acerca do tema dos nativos ecológicos digitais, o painel do Whow! Festival de Inovação 2020, “Conheça os nativos ecológicos: digitais, exigentes e conscientes”, trouxe os participantes César Costa, sócio e head de inovação corporativa da Semente Negócios, Ezequiel Vedana, fundador e CEO da Piipee e Maya Colombani, diretora de sustentabilidade da L’oréal Brasil.

Negócios com responsabilidade

Ezequiel é empreendedor desde os 16 anos, é um dos jovens líderes globais da ONU e embaixador da One Young World. Em 2010 fundou a Piipee, uma startup que visa a economia de água em sanitários e mictórios, e já ajudou a poupar mais de 6 milhões de litros de água com sua inovação. “Vivemos em uma época ligada por inovações e dados. Desta forma, os problemas globais são mais aparentes e rápidos. Como estamos mais informados, os educadores também falam mais sobre sustentabilidade, e acredito que essa consciência das novas gerações esteja refletida na base educacional”, opina o CEO.

Maya tem uma ampla carreira nos negócios e há cinco anos é diretora de sustentabilidade na L’oréal. Seu desafio na empresa é transformar totalmente a cadeia de plásticos, e tem uma verdadeira obsessão por criar impacto positivo no menor tempo possível ― já que pode ser que não tenhamos mais muito tempo de vida no planeta.

“A primeira coisa é que essa tendência de consumidores que exigem mais responsabilidade das marcas é a melhor coisa que poderia acontecer. Eu amo essa nova geração que está em busca de propósito. Eles geram uma oportunidade incrível para que as empresas se transformem, afinal, o jeito que nós vivíamos e fazíamos negócios não funciona mais” diz a executiva.

Colombani afirma que a L’oréal olha com sinceridade para essas mudanças. “As corporações têm nas mãos o poder de fazer a diferença para o planeta e para as sociedades. Hoje, na L’oréal, fazemos tudo diferente do que fazíamos antes. Por exemplo, para criar novos produtos, temos uma ferramenta que avalia o possível impacto social e ambiental. Hoje conseguimos que 80% dos nossos produtos tenham uma pegada ambiental positiva, e a nossa meta é que esse índice chegue a 100%.”

Nativos Ecologicos Foto: Globelet Reusable (Unsplash)

Inovação ativista

O desafio do CEO da Piipee nunca foi tecnológico, mas social. “O meu grande gargalo é fazer as pessoas entenderem porque é importante poupar água. E isso é um fator geracional, pois é mais difícil convencer os mais velhos. Costumo dizer que o meu consumidor tem, hoje, oito anos de idade. A grande transformação está vindo nas próximas gerações”, conta. 

Para Colombani, a transformação sustentável é uma fonte de inovação incrível. “Vamos salvar o planeta através da inovação. A nova geração é ativista e militante, mas ainda não é perfeita no seus hábitos, pois ainda são bastante consumistas. As emissões de CO2 vêm mais do consumo digital que dos carros, por exemplo. Mas não podemos esperar pelas mudanças do consumidor; precisamos agir agora”, ressalta.

Como fazer a diferença no mundo?

O mediador César Costa, sócio da Semente Negócios, complementa a discussão: “A educação precisa evoluir para que pessoas aprendam, de fato, sobre sustentabilidade”.

“Tudo começa em nós”, responde Vedana, compartilhando suas considerações finais. “Temos o poder nas nossas mãos através daquilo que compramos, e quando compramos algo, damos poder a uma marca. Então temos que questionar cada vez mais as consequências das nossas decisões. Sozinhos não mudamos o mundo, mas conseguimos mudar os nossos bairros, nossas cidades. Basta um pouco de felicidade para recomeçar.”

A diretora de sustentabilidade, por fim, deixa uma reflexão: “Às vezes ficamos frustrados porque queríamos que os outros estivessem fazendo a diferença no mundo. Contudo, precisamos questionar o que nós podemos fazer para mudar o jogo. Convido todo mundo a se revoltar e desafiar o status quo, mas não só isso: os convido a agir.”


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