Como o Hospital Albert Einstein aborda a inovação sem interromper a organização - WHOW

Eficiência

Como o Hospital Albert Einstein aborda a inovação sem interromper a organização

O avanço contínuo e persistente é a chave para a inovar no hospital reconhecido por seu alto nível de excelência, segundo o diretor Cláudio Terra

POR Adriana Fonseca | 21/08/2020 15h43 Foto Estátua Einstein: divulgação Foto Estátua Einstein: divulgação

Inovar em uma grande empresa traz desafios, porque é preciso manter a organização funcionando ao mesmo tempo em que se abre espaço para criar novos processos, produtos e serviços. O novo, ainda que tenha que ter seu espaço, não pode atrapalhar o andamento de tudo que já está dando certo. É equilibrando essa tensão que o Hospital Israelita Albert Einstein lida com a inovação.

“Não se pode fazer uma disrupção na grande organização”, diz ao Whow! Cláudio Terra, diretor de inovação e transformação digital da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein. “Uma startup não tem nada a perder, uma grande organização tem muito a perder.”

Com essa frase, pode até parecer que o Einstein é avesso à inovação. Mas na é realidade bem longe disso. “Como o risco é inerente à inovação, temos que ter esse cuidado, porque a organização não pode regredir. Temos que incorporar novos modos de fazer. Eu usaria as palavras consistência e sempre – não devagar, mas um avanço contínuo persistente, que vai ganhando adeptos com o tempo”, comenta Cláudio. 

O hospital tem diversas frentes que abrem espaço para novas ideias, mas sem disruptar internamente. “O que não pode é cada um da grande organização fazer a disrupção no dia a dia. É preciso seguir processos e temos que saber onde vamos usar o agile, o design thinking, etc, e fazer os dois mundos conviverem”, explica o diretor de inovação e transformação digital.

Sendo assim, o Einstein trabalha a inovação em diferentes frentes: 

Recursos econômicos para tecnologias emergentes

Uma dessas frentes é como acontece com a telemedicina. “Hoje é um assunto que todo mundo fala, mas isso aconteceu oito ou dez anos atrás. Quando assumimos o risco de investir na telemedicina era algo totalmente novo, e o retorno econômico era algo difícil de ser justificado”, comenta o executivo. 

Horizonte de tempo na inovação

Cláudio afirma que muitas organizações já querem afetar o resultado naquele  mesmo ano em que se começa a investir na inovação. “A gente também faz isso, mas, tipicamente, essas inovações são aquelas que a gente têm certo domínio da tecnologia ou da prática. Mas tem que ter diferentes horizontes: inovações que vão dar resultado em dois ou três anos ou após cinco anos”, diz/

“Precisamos investir em inovações que o resultado é incerto, porque as coisas mudam e é preciso ter isso no planejamento estratégico para se manter na ponta da inovação.”

Cláudio Terra, diretor de inovação e transformação digital da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein

Design thinking

O Einstein trabalha com esse conceito há alguns anos, mas Cláudio explica que não é trivial levar esse conceito para uma grande empresa. “Porque tem que lidar com equipes multidisciplinares e mudar a forma de pensar. A gente vem implementando há algum tempo, e muda o jeito de olhar o mundo, de pensar o ambiente de trabalho, passa a ver a relação com o cliente de outro jeito.”

Einstein Incubadora Eretz.bio. São mais de 75 startups parceiras no local. Foto: divulgação

Inovação aberta

Isso é algo que vem ganhando espaço no hospital. “É desafio do líder saber a importância de trabalhar com outros”, diz Cláudio. O Einstein montou um ecossistema de empreendedorismo e inovação na Eretz.bio. São mais de 75 startups parceiras e há também grandes farmacêuticas e grandes fabricantes de equipamentos médicos. Os projetos envolvem tanto os agentes externos quanto diferentes áreas da instituição. 

“Há vários anos o Einstein tomou a decisão de se envolver com inovação, que é lidar com a incerteza, com coisas não conhecidas, com mercados novos”, afirma o executivo. “O nosso desafio no nível corporativo é criar condições dentro da organização ou com startups, segmento que a gente tem apoiado, para que as pessoas sejam empreendedoras ou intraempreendedoras e criem coisas novas com gestão de risco adequado. Lidar com o risco faz parte, e a organização vem aprendendo a lidar com ele.”


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