Como o empreendedorismo pode atacar o déficit de habitação - WHOW

Eficiência

Como o empreendedorismo pode atacar o déficit de habitação

Em 2019, país registrou gargalo de 5,9 milhões de moradias. Nesse cenário, estão surgindo soluções inovadoras para a habitação

POR Daniel Patrick Martins | 15/09/2021 13h26

O gargalo da habitação é um problema recorrente e presente na vida de milhões de brasileiros. Em 2019, o Brasil registrou um déficit habitacional de 5,9 milhões de moradias, segundo levantamento da Fundação João Pinheiro, o que corresponde a 8% dos domicílios necessários para a população. Outro problema apontado pelo estudo é o alto custo do aluguel urbano, que corresponde pela metade do déficit apresentado. A pesquisa também apontou que 79% deste déficit habitacional se concentra em famílias de baixa renda e que a localização geográfica deste problema endêmico esta em áreas urbanas, sendo 39% na região Sudeste e 31% na região Nordeste.

Entende-se por déficit habitacional não somente a falta de teto para morar, mas a precariedade ou deficiência em relação à estrutura da moradia. Ou seja, este conceito trata das condições nelas presentes, como água encanada, saneamento e número de habitantes por metro quadrado.

Nesse sentido, há uma crescente onda no empreendedorismo de impacto social como forma de resolver problemas latentes das camadas menos privilegiadas da população. Para enfrentar os desafios da moradia, empresas do setor de construção, bem como de serviços financeiros, são as mais bem posicionadas. Afinal, elas podem atuar nas dores do mercado que não vêm sendo bem atendidas pelo setor público. Por exemplo, podemos citar empreendimentos que fazem reformas de baixo custo em regiões periféricas, ou mesmo opções de crédito com condições vantajosas para compra da casa própria.

“Ainda há muito espaço para a aplicação de soluções de base tecnológica e tem muita oportunidade no setor de impacto social no ambiente construtivo, considerando que o Brasil tem uma grande população em condições não dignas de moradia”, analisa Bruno Loreto, gestor da Terracota Ventures, empresa de investimentos em negócios de setor de tecnologia no segmento de construção e mercado imobiliário, em entrevista a ABRAINC.

Isso não significa, porém, que somente os negócios de impacto têm oportunidade de atender o déficit de moradia. Um dos caminhos, defendidos por diversos urbanistas, é repensar o uso de imóveis públicos nas regiões centrais dos centros urbanos. No início deste ano, por exemplo, a Prefeitura do Rio de Janeiro anunciou um programa de revitalização do centro com foco em imóveis para residência ou uso misto. O projeto conta com a participação de empreendedores, que receberão benefícios para desenvolverem moradias de baixo-custo focadas em estudantes cotistas e servidores públicos .

Também vale ficar de olho em oportunidades no setor privado, que cada vez mais volta as atenções à questão da moradia. A Vivenda, por exemplo, é uma empresa que se notabilizou por fazer reformas a baixo custo em regiões periféricas. Em julho, ela anunciou que não será mais executora do serviço, e sim uma holding que vai fomentar empreendedores com projetos de reforma para atender o mesmo público. A companhia oferecerá subsídios tanto para realizar as obras em si, quanto para desenvolvimento de tecnologia e inovação para este setor.

Em resumo, é importante ressaltar que dos gargalos da sociedade, como é o caso da moradia, surgem diversas oportunidades para empreendedores atentos. Continua sendo importante estudar o mercado e ter afinidade com o tema em destaque, é claro. Mas enxergar as chances de gerar impacto positivo ao mesmo tempo que se obtém faturamento é uma capacidade necessária dentro do empreendedorismo.