Como funciona um Centro de Distribuição após a Black Friday - WHOW
Eficiência

Como funciona um Centro de Distribuição após a Black Friday

A reportagem do Whow! esteve em um Centro de Distribuição da Synapcom, empresa que auxilia o varejo em toda a cadeia de e-commerce, desde a venda até a logística

POR Marcelo Almeida | 03/12/2021 11h14 Como funciona um Centro de Distribuição após a Black Friday

Era terça-feira, (30) poucos dias após a Black Friday, um dos dias mais importantes para o comércio do país.

Apesar do grande número de funcionários no centro de distribuição (CD) da Synapcom em Itapevi (SP), com muitos trabalhadores temporários contratados para dar conta da demanda extra desse período de fim de ano, as operações no centro ocorriam de forma bastante organizada e eficiente, com a maioria deles ignorando a equipe composta por assessores e repórteres que foram visitar o local (dentre eles este jornalista do Whow!, convidado pela própria Synapcom para uma visita ao CD).

Líder em full commerce no Brasil e na América Latina, a Synapcom desenvolve projetos para e-commerce em diversos setores da indústria e do varejo. O conceito de full commerce oferece soluções de e-commerce de ponta a ponta para as marcas, desde a criação e implantação do site, passando pelo armazenamento de mercadorias, embalagens, logística, até o pós-venda.

A empresa conta com mais de 70 clientes de diversos segmentos, atendendo marcas como Hershey’s, Diageo, Philips, Palmeiras, L’Oréal, Samsung, dentre outras, e conta com mais de 1200 colaboradores em três unidades: São Paulo, Itapevi e Cajamar, sendo que as duas últimas abrigam centros de distribuição.

Visita ao Centro de Distribuição de Itapevi

O Centro de Distribuição em Itapevi, onde foi feita a visita, tem hoje a capacidade de armazenar milhares de itens. No total, ele possui cerca de 30 mil metros quadrados, superior ao tamanho somado de 3 campos de futebol. Esse espaço abriga produtos de cerca de 50 marcas.

Além de todo o processo logístico, acontece no local também a customização de produtos, como da Sociedade Esportiva Palmeiras e da Phillips, que foram demonstradas aos jornalistas convidados. Em poucos segundos, nome e número foram gravados na camiseta “em branco”, de acordo com os pedidos dos clientes. Além disso, logotipos em alto relevo também são gravados para garantir a autenticidade da peça.

Em alguns ambientes, a temperatura precisa ser controlada para armazenamento de produtos como chocolates. Em outros, o foco é na segurança e na personalização na embalagem de produtos de alto valor agregado, como os da marca Swarovski, na qual o manuseio dos produtos são feitos em frente a câmeras para evitar qualquer tipo de problema.

Também existe um centro de logística reversa para lidar com produtos devolvidos, diversas entradas pelas quais caminhões de diversas transportadoras estacionam de ré, permitindo o completo carregamento ou descarga dos produtos.

Apesar do tamanho da operação e das centenas de pessoas trabalhando, existem indicações pelo chão em todas as partes mostrando o caminho de máquinas, carrinhos ou outros veículos. Cada estrutura dedicada a cada empresa tem suas coordenadas, usadas para que seja possível aos funcionários identificarem onde está cada produto e, quando necessário, ir até ele para retirar uma peça solicitada, usando sempre um aparelho de leitura e impressão para realizar o controle do que está sendo retirado ou colocado.

A tecnologia, portanto, está associada a sistemas que fazem o planejamento e gestão do processo logístico, guiando os trabalhadores humanos para que a operação seja a mais eficiente possível. No entanto, não há grande presença de automação nas máquinas, robôs de estocagem e outros dispositivos inteligentes que hoje já são comuns em CDs da Amazon, nos EUA, por exemplo, ou do Alibaba, na China.

Conversa com o CSO

Durante a visita, o CSO da Synpacom, Fábio Fialho, juntou-se ao grupo para dar alguns insights sobre o desempenho da companhia durante a Black Friday e outros assuntos. Ele aproveitou a reunião para contextualizar alguns dados, já que os setores de Consumo, Home & Tech e Beauty & Health apresentaram crescimentos de 100% ou mais durante a Black Friday.

“Eles crescem isso na Synapcom porque são os entrantes”, afirma, referindo-se a setores que começaram recentemente e que, portanto, têm maior margem de crescimento do que outros mais maduros. “Já o e-commerce brasileiro de fato cresceu 6%, que é o número preliminar que temos.”, revela Fialho.

Segundo ele, a empresa trabalhou bastante para combater dois problemas: um que ele chamou de a metade do dobro, referindo-se a ações de aumentar os preços dos produtos pouco antes da Black Friday e reduzi-los na data em si, anunciando descontos maiores do que os dados na realidade e passando uma impressão errada aos consumidores; e o combate à pirataria.

“Os grandes marketplaces não incentivam abertamente, mas eles são locais que facilitam a compra de produtos falsificados”, afirmou Fialho. “Tem determinados segmentos que chegam a ter entre 6% a 8% de produtos vendidos em marketplaces que são da zona cinza, que são produtos trazidos do Paraguai e vendidos sem nota.”

Em relação à dinâmica dos mercados, quando questionado se algum player no Brasil tende a dominar o e-commerce como a Amazon conseguiu fazer nos EUA, Fialho disse que o Brasil deve ser um caso diferente, sobretudo por causa de regionalismos, mas que a briga é incessante.

“O Mercado Livre criou uma capilaridade importante, mas outros players também criaram. O Brasil não tem um domínio específico, ele é um país extremamente descentralizado em termos de varejo. Os players que estão em São Paulo muitas vezes não estão nem no Rio de Janeiro. Por ser mais lento e difícil de dominar, então acabam chegando outros players e se tornando relevantes e agora, com a chegada dos bancos, deve ocorrer uma mexida nesse ecossistema”, disse Fialho.

Embora tenha o lado positivo de não haver um monopólio e existir mais concorrência por aqui do que em outros países, isso não é necessariamente resultado de um esforço positivo. Nesse sentido, ele cita a questão do custo Brasil, sobretudo em relação à burocracia exigida por aqui e a grande carga tributária, como fator que contribui para que empresas estrangeiras não tenham estratégias mais agressivas no sentido de querer dominar partes maiores do varejo do país.

Dentre os muitos insights, ele diz que um dos maiores desafios dos próximos anos no e-commerce é saber quem vai dominar as cadeias logísticas e oportunidades de portfólio no país. “Quem vai ter os estoques para atender às necessidades dos consumidores, sempre de forma eficiente e prática?”, questiona Fialho.

Aquisição da companhia

Os investimentos da Synapcom nos armazéns não têm a ver somente com aumento da capacidade de estocagem, mas também para ganhar capilaridade regional e, assim, diminuir o tempo de entrega e o custo do frete.

A empresa possui hoje duas “Dark Stores”, pequenos centros de distribuição dedicados na cidade de São Paulo, que aparecem como uma solução para atender empresas de grande porte e garantir uma entrega rápida e efetiva durante o período de alta nas compras online. Esse número, porém, vai crescer bastante em breve.

No primeiro trimestre de 2021, a Synapcom quadruplicou o seu GMV (Gross Merchandise Volume, ou volume bruto de mercadorias, em tradução para o português), somando R$ 530 milhões. A credibilidade e o alto valor de entrega em um formato full commerce chamou a atenção da Infracommerce, plataforma de serviços on-line e de logística, que no último mês de setembro anunciou a aquisição de 100% do capital social da Synapcom por aproximadamente R$ 1,2 bilhão.

No último dia 5 de novembro, o conselho de administração da Infracommerce aprovou por unanimidade os termos da compra da Synapcom. O processo de integração deve ser concluído antes do fim do ano.

Com isso, a Synapcom passa a englobar um ecossistema com 17 Centros de Distribuição (Cajamar, Itapevi, Fortaleza, Brasília, Vitória e Extrema) e 20 Dark Stores em SP.

Black Friday 2021 na Synapcom

A preparação para a Black Friday começou há meses na Synapcom. Em relação ao quadro de colaboradores, foram contratados mais de 400 trabalhadores temporários. Desse total, mais de 300 ficam para atender a demanda de Natal.

O planejamento era despachar toda a Black em até 48hs, planejando grande parte em até 24h. Ou seja, na última segunda-feira (29) , todos os pedidos já estavam saindo para entrega. Para isso, foram realizados 3 turnos e coletas dos parceiros transportadores de forma ininterrupta.

A empresa tem capacidade para armazenar uma média de 2 milhões de itens por vez e chegou a movimentar mais de 3 milhões de produtos para atender a Black Friday.

A receita cresceu 100% em relação a 2020, com destaque ao segmento de consumo e Home & Tech.

O volume de pedidos foi 27% maior que 2020 e o ticket médio ficou em cerca de R$ 1.300.