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Consumo

Como faturar com o empreendedorismo esportivo

Três a cada dez brasileiros são praticantes de atividade físicas e, portanto, consumidores de um mercado em potencial que sofre com a falta de gestão profissional

POR Daniel Patrick Martins | 11/08/2021 16h17

Após as Olimpíadas de Tokyo 2020 (que ocorreu em 2021), e próximo às Paralimpíadas, o interesse por diferentes modalidades esportivas tem crescido. No entanto, os negócios atrelados ao esporte não são somente reservados para o acontecimento de grandes eventos, como campeonatos, torneios, ligas ou mesmo a Copa do Mundo. Então, como empreender neste segmento?

Simples: a busca por uma vida mais saudável, o aluguel de equipamentos para a prática esportiva, reservas de espaços para uma partida de futebol aos finais de semana, um clube para profissionalização de atletas, uma franquia para a venda de artigos esportivos ou mesmo aquilo que a sua imaginação deixar empreender. São diversas as opções de um grande segmento a ser explorado no quesito dos esportes. Inclusive, neste artigo do Whow!, falamos sobre nicho de mercado para produtos esportivos usados.

“O esporte, eu acho, ele gera tanta comoção. Por um lado, porque todo mundo foi criança, vivenciou isso em quadra, sentiu essa emoção. E o segundo ponto é a emoção que continua viva, seja você praticando ou você assistindo. Quem não está em quadra, quer assistir, quer relembrar, quer se conectar”, relata Rodrigo Lopes, head de marketing da Nestlé, em entrevista à Record News.

Por isso, muitos empreendedores, diante desta realidade, competem em diferentes modalidades dos negócios para oferecer produtos e serviços que adequem ao gosto do torcedor-cliente. Como destaca Rodrigo Lopes, o diferencial deste mercado está na emoção que envolve o produto ou serviço oferecido.

Empreendedorismo esportivo

Nesta perspectiva, em São Paulo, alguns sócios se juntaram e criaram um clube para jogar tênis, sendo este esporte considerado um dos mais seguros para ser praticado no contexto da pandemia do novo coronavírus. “A gente teve essa ideia durante a pandemia, a gente precisava se reinventar, acho que como todo mundo durante esse período. A gente começou a pesquisar sobre o setor de clubes de assinaturas”, diz Thommy Ricardo, um dos empresários do Clube Winner, empreendimento localizado na capital, em matéria da Pequenas Empresas & Grandes Negócios.

Para ser sócio, o custo da mensalidade varia entre R$ 170 e R$ 250 ao mês e o cliente recebe uma caixa com produtos adequados ao esporte, como camiseta, toalha, boné, viseira ou outro item pertinente para se jogar tênis.

Um outro esporte que ficou bem popular com a sua estreia nas Olimpíadas foi o surfe. Em Santos, no litoral paulistano, dois empresários pegaram carona nesta onda. Com uma fábrica de pranchas que possuem há mais de 25 anos na região, os irmãos Sylvio e Adriano de Oliveira veem com otimismo esta nova fase para a oferta de seus produtos.

“É um esporte individual, muita gente voltou a surfar. O pessoal das antigas, o pessoal mais velho que teve que parar de surfar por algum motivo ou motivo familiar, e viu a possibilidade de estar dentro d’água, praticando novamente o exercício”, comenta Adriano, um dos irmãos donos do Silver Surf Surfboards à Pequenos Negócios & Grandes Empresas.

A partir destas movimentações, principalmente dadas pelo boom dos jogos olímpicos, é notória a oportunidade de mercado que tem o empreendedorismo esportivo no país, pois são muitas as formas de se fazer negócio quando se trata de esporte.

Cada vez mais o esporte é um ótimo negócio

Com as mudanças em que a sociedade vem passando e com oferta de uma vida mais duradoura, muitos serviços relacionados aos esportes são desenvolvidos. Desde aplicativos, clubes, lojas, redes de conveniência, academias, franquias, revendas e nichos específicos como  tecnologia, gestão de software esportivo, empréstimos de bicicletas, instrução para atividades físicas adaptadas ou segmentadas para PCDs (Pessoa com Deficiência). Ou seja, trata-se de um setor com alto potencial e ainda pouco explorado.

Segundo uma pesquisa do IBGE, três a cada brasileiros praticam atividades físicas. Nos últimos sete anos, esse grupo representava apenas 22,7% da população, o que mostra uma forte tendência de crescimento no setor. Estima-se que o varejo esportivo movimente, no Brasil, US$ 20 bilhões por ano.

“Franquias do segmento esportivo não necessariamente requerem pessoas com perfil de atleta ou alguém maluco por esportes. O essencial é ter perfil e conhecimento para gestão”, comenta Ana Vecchi, consultora especializada em franquias no Portal do Franchasing.

Mas, como em qualquer ramo da atividade econômica, para trabalhar com este segmento é preciso também cuidar do marketing do negócio. O empreendedor tem que estar atento às tendências do mercado, se atualizar e verificar regulações pertinentes à atividade exercida, minimizando assim transtornos e perdas de dinheiro.

Hoje, no entanto, a dinâmica do mercado ainda é pouco profissional, o que gera oportunidades para gestores mais experientes. “A gestão é feita por pessoas que têm vontade, mas não entendem de aspectos administrativos, legais e de gestão do negócio. Falta profissionalização das gestões de maneira geral nas academias, consultorias esportivas, clubes esportivos e sociorrecreativos. É preciso profissionalizar desde a Federação que administra o esporte até o próprio clube”, informa Marcos Ruiz, coordenador  de cursos em pós-graduação da área desportiva do Centro Universitário Internacional Uninter, em entrevista ao G1.

Diante dos aspectos e cenários traçados, o empreendedor que queira jogar neste campo terá a sua frente consumidores muito fiéis, e estes, seguramente, ávidos para consumir produtos e serviços disponibilizados sob medida.