Saiba como criar um corporate venture capital na sua empresa, segundo a 500 Startups - WHOW
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Saiba como criar um corporate venture capital na sua empresa, segundo a 500 Startups

Em entrevista ao Whow!, a diretora-executiva global da 500 Startups explicou o passo a passo para o desenvolvimento deste tipo de investimento corporativo

POR Eric Visintainer | 23/04/2020 09h30 Saiba como criar um corporate venture capital na sua empresa, segundo a 500 Startups Foto ilustrativa (Pixabay)

Qual é o primeiro passo que uma empresa precisa dar para cria um corporate venture capital ? O que fazer para distinguirem o que é fogo do que é fumaça no mundo dos investimentos em startups? E como as empresas devem atuar para encontrarem os melhores empreendedores? O Whow! entrevistou Bedy Yang, diretora-executiva da 500 Startups, fundo de investimento global com mais de 2.000 startups investidas em 75 países, para explicar o passo a passo no desenvolvimento deste tipo de investimento corporativo.

Duas das principais dicas da Bedy são: as empresas devem pensar onde investir, o que investir, por que os empreendedores devem ir até elas; bem como, a necessidade das companhias criarem marcas fortes que atraiam as startups e as façam querer a corporação dentro das suas estruturas de investimento.

Leia a entrevista na íntegra abaixo.

corporate venture Foto Bedy Yang, diretora-executiva da 500 Startups

 Corporate venture capital de sucesso

Whow!: Qual é o primeiro passo que uma empresa precisa dar para desenvolver um corporate venture capital, por que desenvolvê-lo e interagir com o ecossistema de inovação e startups? 
Bedy Yang: As empresas estão fazendo isso para acharem formas de inovação. A empresa também pode fazer parcerias e aquisições, ao trazer a startup para dentro. Olhando do ponto de visto do porquê montar um corporate investing, é para achar a inovação de fora para dentro. Porque dentro das empresas às vezes é muito difícil ver o que pode ser feito e através do empreendedor isso é muito mais fácil. Pesquisamos mais de 100 empresas e percebemos que não tem uma única forma de como fazer. Algumas começam a fazer através do dinheiro disponível na conta e investem algum capital e este é o mais fácil porque não precisa de estrutura separada. Mas muitas vezes as empresas querem começar com uma estrutura separada e elas podem criar um braço de investimento totalmente independente das corporações em si.

W!: Que evolução você vê dentro do ecossistema de fundos de investimento corporativo, dentro e fora do Brasil?
BY: Hoje temos mais de 2.000 empresas investidas em 75 países, então, muitas vezes a visão vem do ponto de vista do empreendedor. A gente vê que as multinacionais estão fazendo mais investimentos de corporate investing. No ano passado, 24% dos investimentos no ambiente inteiro vieram destas corporações. Em algumas das tendências vemos as mesmas métricas não só nos Estados Unidos, mas no Japão e na Europa. As grandes corporações no mundo inteiro estão tentando entender como participar mais proativamente neste ecossistema de empreendedorismo, especialmente de inovação.

W!: O que as empresas podem fazer para distinguirem o que é fogo do que é fumaça no mundo dos investimentos em startups?
BY: O ponto principal para as corporações é definir muito bem a tese de investimento: onde investir, o que investir, por que vocês, uma vez que o empreendedor tem bastante capital ali dentro. Ao mesmo tempo, é preciso pensar como você vai desenvolver e integrar a cadeia existente. Quantas empresas você está vendo? Você abriu a “lojinha” e duas startups se inscreveram para o seu fundo, talvez você não tenha o deal flow adequado. Muitas empresas fazem parcerias com a 500 Startups para acharem melhores formas de integrar ao deal flow, para ver mais empresas para investimentos ou parcerias.

W!: Quais são as características que mais aparecem nos corporate venture capitals de maior sucesso? E como as empresas podem medir o sucesso?
BY: A resposta é: depende. Pedimos para as empresas analisarem se é mais importante serem estratégicas ou priorizarem mais o retorno financeiro. É claro que você quer os dois, mas é importante priorizar. O segundo componente para definir é, quanto você quer fazer uma estrutura corporativa versus empreendedora. É importante os seus executivos estarem envolvidos ou não, trazer um empreendedor que já realizou uma “saída”? E o terceiro ponto é: quão dependente ou autônomo será esta iniciativa? Você sempre pode decidir querer um olhar de fora, ‘mas só vou fazer se estiver integrado, porque eu quero parceria e quero ver isso integrado com o negócio’.

Dentro desta combinação existem nove ‘personalidades’ possíveis. E as que temos visto com maior sucesso, especialmente se você escolheu o lado financeiro, – muitos vezes é o financeiro que consegue ter uma certa autonomia, mesmo com envolvimento dos corporates –, isso pode ser um bom sucesso. E na outra ponta, se você resolver se estratégico, é importante ter uma integração e uma decisão integrada. Cada corporação tem uma cultura diferente, por isso não acreditamos que existe um formato único para o sucesso.

W!: Como as empresas devem atuar para encontrarem os melhores empreendedores e deal flows?
BY: Grandes corporações sabem criar marcas e isso é similar. Pense como criar a sua marca dentro da cabeça desta audiência, que são os empreendedores, e que muitas vezes não pensam na empresa como a marca que querem, dentro da estrutura de investimento. Pense neste posicionamento que você quer ter e você pode fazer parcerias. Participe de eventos, escreva um blog, participe nas redes sociais, para criar a marca no ponto de visto dos empreendedores. E quando o empreendedor tem um boa experiência, ele traz outros empreendedores para também terem boas experiências.


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