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Como o coronavírus está impactando os investimentos em startups

Incertezas no mercado financeiro podem adiar IPOs e devem restringir novos investimentos, principalmente nas startups em fases iniciais

POR Luiza Bravo | 18/03/2020 11h46 Foto ilustrativa (Pixabay) Foto ilustrativa (Pixabay)

A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou oficialmente que estamos vivendo uma pandemia da COVID-19. De acordo com a instituição, até terça-feira (17), existiam cerca de 179 mil ocorrências do coronavírus e pouco mais de 7,4 mil mortos. As medidas preventivas tomadas pelo setor público e pela indústria global estão causando efeitos generalizados. Nos últimos dias, a Itália impôs oficialmente um bloqueio para todo o país, e agora o presidente americano Donald Trump restringiu viagens da Europa para os EUA, em uma tentativa de conter a disseminação da doença.

Startups em alerta

Diante da pandemia, as startups também podem sofrer para levantar capital. O IPO do Airbnb, por exemplo, pode estar entre as vítimas. De acordo com a agência de notícias Bloomberg, a companhia tem sido bastante afetada pelos efeitos do novo coronavírus, e é provável que adie sua oferta pública inicial.

O Airbnb atua em um dos segmentos mais impactados pela COVID-19 até o momento: o turismo. Milhares de voos já foram cancelados ao redor do mundo, hotéis fecharam e eventos foram suspensos. A startup tem permitido que hóspedes e anfitriões cancelem reservas na China sem penalidade. Mas as incertezas que rondam a empresa aumentam à medida que o vírus se espalha para outros países.

As startups asiáticas também estão em alerta. Segundo um relatório da CB Insights, é provável que o financiamento para empresas privadas no continente diminua. Os mercados financeiros em toda a Ásia estão testemunhando uma tendência de queda, com redução no número de aquisições e de ofertas públicas iniciais.  A pandemia ameaça atrasar o IPO da Megvii, uma das principais empresas de inteligência artificial da China.

Outras startups também podem sofrer para levantar capital neste cenário. Na semana passada, a Sequoia Capital enviou uma carta aos seus fundadores alertando que o coronavírus era um “cisne negro” (termo usado no mercado financeiro para descrever eventos imprevisíveis), e que as startups deveriam se preparar para a “turbulência”. A carta também ressaltou que as empresas poderiam ter mais dificuldade em levantar capital, como ocorreu com as desacelerações do mercado em 2001 e 2009.

coronavírus Foto ilustrativa (Pixabay)

João Gabriel Chebante, que é CEO da Sucellos e especialista em venture capital, concorda que a captação de recursos para startups pode ser afetada, mas acredita que as empresas mais prejudicadas serão aquelas que dependem de dinheiro no curto prazo.

“O mercado de venture capital não se precifica com valor presente. Quem está colocando dinheiro hoje, está pensando em 2025, 2030. Então esse prisma de longo prazo blinda um pouco o mercado”

João Gabriel Chebante, CEO da Sucellos e especialista em venture capital

“Quem precisa de dinheiro no curto prazo, no entanto, vai sofrer mais. É o caso das startups em estágio pré-seed ou seed, que são rodadas que demandam mais investimentos de pessoas físicas do que de pessoas jurídicas”, analisa o especialista em venture capital.

Segundo Chebante, apesar do tom alarmista, a carta divulgada pela Sequoia Capital apenas chama a atenção para uma tendência que deve seguir se consolidando: a conscientização dos investidores. “Cada vez mais as startups vão ter que apresentar bons fundamentos práticos dos negócios. Não adianta fazer um valuation lastreado no projeto futuro da empresa. Ela já vai precisar ter geração de caixa e perspectiva de lucro em algum momento”, aponta. “O crescimento vai ter que ser mais coeso, então acho que pode haver uma conscientização maior do mercado financeiro para aportar nesses projetos”.

Em uma entrevista coletiva recente, o vice-presidente financeiro da B3, Daniel Sonder, disse que, atualmente, 22 empresas estão na fila para IPO na Bolsa, e que nenhum foi cancelado até o momento devido ao coronavírus. De acordo com Sonder, apesar das incertezas no mercado financeiro, a previsão é que a busca por capital na bolsa continue aqui no Brasil, especialmente devido aos juros cada vez mais baixos.

Economia em crise

A economia é um dos primeiros setores a sentir os impactos de eventos como o coronavírus. No início do mês, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) cortou pela metade as projeções de crescimento econômico global. Inúmeras empresas, incluindo Apple e Nvidia, relataram ganhos abaixo do esperado nos últimos trimestres e continuam cortando suas projeções de faturamento no futuro próximo.

Esses impactos econômicos estão em parte relacionados à interrupção na oferta e demanda por bens, devido a quarentenas, restrições de viagens e interrupções na produção na China, que é o maior produtor mundial de peças básicas do mundo, especialmente para a indústria de tecnologia.

O mercado financeiro, é claro, já reage bruscamente a esses fatores. Nos EUA, IPOs que deveriam estar em andamento, como o da Warner Music, foram suspensos.

Aqui no Brasil, os dias também têm sido de apreensão. Na última semana, a Bolsa de Valores de São Paulo entrou quatro vezes em “circuit breaker”, mecanismo que interrompe as negociações temporariamente diante de oscilações muito bruscas no mercado de ações.

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