Como as pequenas e médias empresas estão quebrando paradigmas com o ESG? - WHOW

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Como as pequenas e médias empresas estão quebrando paradigmas com o ESG?

Estudos mostram que a Geração Z, composta por pessoas nascidas entre 1997 e 2012, prioriza a justiça social, está mais propensa ao acesso do que à posse e é capaz de sacrificar suas necessidades individuais em prol do coletivo

POR Redação Whow! | 31/05/2021 13h22

*Por Daniel Cabrera, Head da SAP Business One Brasil

As empresas brasileiras estão cada vez mais atentas às demandas tanto do mercado interno quanto externo. Entre elas estão os conceitos de desempenho ambiental, social e de governança, que juntos compõem a sigla ESG (do inglês Environmental, Social and Governance). Essas práticas vêm ganhando cada vez mais força, principalmente entre as empresas de pequeno e médio porte.

Ao contrário do que possa parecer, as empresas familiares têm apresentado desempenho superior em ESG. Isso é o que revela o levantamento Family 1000, conduzido pelo banco suíço Credit Suisse. O estudo, realizado em 2020, mostra que empresas controladas pela família ou pelo próprio fundador lideram quando o assunto são os pilares ambiental e social. Contudo, ainda há bastante o que se desenvolver, principalmente do ponto de vista da governança.

No Brasil, uma pesquisa realizada pela ACE Cortex com 343 empresas que desenvolvem soluções relacionadas ao ESG, mostra que 180 atuam principalmente em meio ambiente, 130 possuem negócios relacionados ao impacto social e apenas 33 desenvolvem soluções de governança. Segundo especialistas, um dos motivos é o mito de que questões como governança, compliance e transparência são necessários apenas em empresas de capital aberto ou multinacionais. 

Com isso, muitas empresas acabam se descuidando da gestão, mantendo suas operações de modo analógico, em planilhas de Excel ou em sistema de gestão caseiros. Entretanto, sem a automatização de processos, a empresa se torna incapaz de acompanhar a jornada de transformação tecnológica e corre o risco de se tornar obsoleta. Na prática, a falta de governança pode comprometer a própria sustentabilidade do negócio.

Soma-se a isso o fato de que as novas gerações têm muito mais acesso à informação e são mais conscientes sobre o impacto que o seu consumo gera à sociedade. Os consumidores não se satisfazem mais com produtos e serviços de boa qualidade. Eles querem conhecer a procedência, os valores das empresas, suas ações para minimizar danos ao meio ambiente, suas iniciativas de responsabilidade social, suas políticas para lidar com colaboradores e fornecedores.

Estudos mostram que a Geração Z, composta por pessoas nascidas entre 1997 e 2012, prioriza a justiça social, está mais propensa ao acesso do que à posse e é capaz de sacrificar suas necessidades individuais em prol do coletivo. Não por acaso, muitas vezes é chamada de “Geração We”, já que se preocupa com o todo e não apenas com as partes que lhe interessam. Suas decisões de compra são muito mais pautadas pelas atitudes das marcas do que pelas propagandas que elas fazem.  

E o mais interessante é que, apesar das gerações mais novas serem ainda mais conectadas às práticas ESG, as pesquisas mostram que a adoção a esse conceito não é exclusiva a empresas jovens. O levantamento do Credit Suisse comprovou que empresas familiares antigas, que já estão na terceira geração, são as que apresentam as melhores práticas. Enquanto isso, as companhias mais recentes ainda estão progredindo no seu desempenho.

Em suma, é possível perceber que o ESG vai muito além da estruturação das ações sociais, ambientais e de governança. Ele permite a adoção de mais transparência, inovação, aumento do branding valuation e uma percepção de valor muito maior por parte dos consumidores. Cabe às empresas de pequeno e médio porte quebrar velhos paradigmas e se abrir às novas demandas da sociedade. Manter o equilíbrio nesse tripé é determinante para a perpetuidade de todas as organizações, independentemente de seu tamanho ou tempo de atuação.