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Como a Uber ganha dinheiro atualmente

O serviço de entregas de alimentos Uber Eats já gera mais receita que o serviço de transporte de passageiros, mas a empresa não é lucrativa

POR Adriana Fonseca | 16/12/2020 12h00 Imagem Pablo Cordero: Pexels Imagem Pablo Cordero: Pexels

A Uber é, ao mesmo tempo, uma das empresas de crescimento mais rápido da história e uma das mais controversas da região do Vale do Silício. A companhia abalou as estruturas do mercado de transporte de passageiros com seu pioneirismo no modelo de trabalho da “gig economy”, estratégia de expansão e, também, um histórico de não lucratividade.

Em maio de 2019, ela abriu capital com uma avaliação de US$ 75,5 bilhões, valor aquém da marca de US$ 120 bilhões estipulada pelos banqueiros para o IPO (oferta pública inicial de ações). A empresa fechou seu primeiro dia de negociações na bolsa com queda de 6,7%, ocasionando uma perda cumulativa de US$ 655 milhões para os investidores que pagaram o preço do IPO. Essa marca foi a pior perda em dólar no primeiro dia para um IPO nos Estados Unidos.

O delivery como destaque no ano

Um ano e meio depois, a Uber voltou ao ponto em que estava quando se tornou uma empresa de capital aberto. O preço das ações em novembro de 2020 girava em torno de US$ 49, impulsionado por uma recente vitória regulatória. Ainda assim, 2020 foi um ano difícil para a empresa que cortou 6.700 empregos  cerca de um quarto de sua equipe  em março.

O segmento de delivery, Uber Eats, por sua vez, teve um crescimento explosivo. No segundo trimestre de 2020, o negócio de entrega de comidas ultrapassou o segmento de mobilidade da companhia e se tornou o maior impulsionador de receita líquida para a empresa, embora continue não lucrativo.

O sucesso do Uber Eats se deve, principalmente, porque em partes do mundo sem opções de entrega de alimentos sob demanda bem estabelecidas, a Uber tem a vantagem competitiva de já possuir uma frota de entregadores.

Depois que a empresa faz uma conexão com um restaurante, ela precisa apenas apertar um botão para ativar a entrega. Os clientes em potencial podem usar todas as informações existentes armazenadas em seu aplicativo Uber para iniciar o pedido.

A pandemia também potencializou o negócio. Em setembro de 2020, o Uber Eats respondia por 22% do mercado de entregas de refeição nos Estados Unidos, segundo das da empresa.

Fonte de receita da Uber

O serviço gera receita de três maneiras: uma taxa de entrega para o cliente, uma porcentagem da tarifa bruta de cada motorista e uma taxa de 30% do restaurante em cada pedido.

Nesse cenário e em meio a embates judiciais que ainda existem, a empresa registrou um prejuízo líquido de US$ 5,8 bilhões nos três primeiros trimestres de 2020. A previsão da companhia, no entanto, é alcançar a lucratividade em 2021. Será?

Em uma recente entrevista ao jornal britânico Financial Times, o CEO da Uber, Dara Khosrowshahi, falou sobre o que pensa para o futuro da companhia. Para ele, a expansão da Uber para entrega de alimentos e itens de mercearia posiciona a empresa para se tornar um superapp que gira em torno da entrega.

“Eventualmente, eu posso ver um mundo onde, se você quiser tirar dinheiro do banco, alguém virá e entregará o dinheiro para você, certo? Será qualquer coisa que você queira entregar em sua casa”, disse ele. 

Mas o modelo citado por ele já é realidade no unicórnio colombiano, Rappi.


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