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Como a Quintessa une startups e grandes empresas para gerar impacto positivo

Aceleradora de impacto já impulsionou 250 negócios, mapeou 5 mil startups do setor e aposta em uma relação próxima e profunda com os empreendedores

POR Marcelo Almeida | 09/12/2021 19h01

Criado há 12 anos, o Quintessa é uma empresa que sempre se pautou por uma forte agenda focada em provocar impactos sociais e ambientais significativos. A aceleradora já impulsionou o crescimento de mais de 250 negócios de impacto e mapeou mais de 5 mil startups, tornando-se referência na inovação com impacto positivo. Seu propósito fundamental é superar os desafios sociais e ambientais do país por meio do empreendedorismo.

A empresa já tem uma bela bagagem, atuando com grandes parceiros como Braskem, Ambev, Fundação Lemann e Instituto BRF, além de startups e empreendedores que hoje são cases emblemáticos do setor, como Boomera, Hand Talk, 4YOU2, Courri, Escola do Mecânico e Vitalk, e conta com mais de 60 mentores renomados, incluindo o fundador Leo Figueiredo.

Anna de Souza Aranha, diretora do Quintessa, diz que a empresa surgiu de uma vontade de ajudar os empreendedores em suas trajetórias, sobretudo diante das dificuldades de empreender no país.

O fundador, Leo Figueiredo, estava deixando o setor financeiro e tinha suas ações filantrópicas, mas considerava que poderia gerar mais impacto social e ambiental atuando diretamente com empresas.

“Desde o início tinha muito esse olhar, tanto para o que as empresas faziam, no sentido de ter elas como instrumento de transformação, mas o Leo já tinha um olhar muito voltado para as práticas, para o que chamamos de gestão consciente. Então são empresas resolvendo os desafios sociais e ambientais relevantes com uma gestão consciente. Quando veio depois o conceito de ESG e o olhar pra práticas dentro dessa tríade, foi mais um reconhecimento do que já existia na essência da empresa do que algo novo”, afirma Anna.

Modelo diferenciado

Em relação a como a empresa atua para acelerar as startups, ela diferencia os investimentos de impacto como aqueles que agregam um filtro a mais no processo decisório de decidir investir em uma empresa, que seriam as mudanças positivas que ela é capaz de realizar na sociedade.

“A gente olha não apenas para o que a empresa faz, mas também para a intenção dos empreendedores”, diz Anna. Para a diretora, a questão é de priorizar empreendimentos que têm um propósito maior de transformação da realidade social do país.

Ela diferencia a forma como o Quintessa realiza a aceleração em relação a outras empresas do setor focando sobretudo no acompanhamento mais próximo e profundo que oferecem.

“A aceleração que o mercado faz é muito voltada pra volume e quantidade, então eles vão lá, selecionam 100 startups, dão quatro aulas em comum pra todo mundo, fazem uma reunião pontual por mês e é isso. No Quintessa, as nossas grandes características são a profundidade e a qualidade. Nosso programa é toda semana, oito horas por semana e dura de seis meses a um ano”, diz ela, ressaltando que eles ajudam os empreendedores a estruturar todo o negócio, em vez de apenas investir e fazer algumas conexões como algumas outras empresas fazem.

Nos últimos cinco anos, a empresa começou a trabalhar com grandes empresas, fundações e investidores para realizar parcerias que potencializam a capacidade de investimento e aceleração da empresa. Nos sete anos iniciais, no entanto, a companhia atuava diretamente com os empreendedores e acabou criando um modelo de grande aproximação com eles para atender às necessidades de cada empreendimento.

“A gente vem antes, estrutura o negócio para que ele consiga receber o investimento e não colocar a grana pelo ralo e fazemos uma aceleração que permite que os investidores possam de fato sentar na cadeira dos investidores e cobrar resultados, o retorno que foi prometido, enquanto a gente está ali na ponta, assessorando e mentorando os empreendedores”, resume ela.

Pilares fundamentais

Para escolher as empresas nas quais irão investir, o Quintessa foca em quatro pilares principais:

  1. Perfil empreendedor e equipe: governança transparente, gestão humana, relação justa com stakeholders e análise de competência;
  2. Negócios: qual é o mercado, se existe espaço para crescer, se a empresa tem um diferencial competitivo e o modelo de negócios faz sentido;
  3. Momento do negócio: quais são os desafios do momento e o quanto eles vão conseguir agregar valor para a empresa;
  4. Impacto: se o desafio que se busca resolver é relevante e se a solução é relevante para responder ao desafio.

Dentre os quatro pilares, o de impacto é o mais relevante. “A gente acaba falando muito ‘não’ quando não tem um alinhamento a nossa estratégia e o propósito para que a gente existe”, afirma Anna.

Segundo ela, muitas empresas que buscam investimento com aceleradoras mais tradicionais acabam encontrando dificuldades, sobretudo, porque não têm os seus valores e sua missão levados em conta. Como exemplo, ela cita uma empresa que queria levar aulas de inglês para moradores da periferia e que os investidores insistiam em aumentar o valor da mensalidade, por exemplo, porque existia demanda para isso.

A empresa, no entanto, tinha muito clara em sua missão ajudar pessoas da periferia a terem acesso ao estudo de inglês, já que não falar uma segunda língua é uma grande barreira na hora de conseguir uma vaga de trabalho, então não queria apenas aumentar seus lucros exponencialmente, mas provocar um impacto nas comunidades ao tornar o curso acessível para o maior número possível de pessoas.

E são empresas desse tipo, com um propósito de provocar um impacto relevante e com uma solução inovadora e eficiente, que são o principal foco dessa “aceleradora de impacto”, que é o termo usado pelo Quintessa para se definir atualmente.

Boom do ESG

O momento atual é de difusão cada vez mais de uma agenda ESG nas empresas, mas a diretora do Quintessa vê um possível risco nesse movimento.

“Com o boom do termo ESG nos últimos meses, há o risco do olhar para as práticas empresariais sob a lente do impacto positivo, que deve ser genuíno e profundo, se tornar superficial e meramente midiático, impulsionado apenas por uma leitura de oportunidade de mercado”, afirma Anna.

Ela também resume a jornada da companhia falando sobre como, no início, conceitos hoje considerados essenciais eram tratados como perfumaria.

“Quando nós começamos, há 12 anos, éramos até vistos como um grupo de lunáticos, falando em unir lucro e impacto positivo, repensar o papel das empresas e ter uma atuação humana e consciente. Vivenciamos o nascimento do setor de negócios de impacto, bem como dos movimentos de aceleração, inovação aberta, venture capital, ESG etc, sempre muito atentos e críticos para garantir nosso protagonismo com uma atuação consistente. Nossos primeiros anos foram dedicados a consolidar cases concretos, que comprovassem que este era um caminho possível, o que realizamos por meio de nossos programas de aceleração próprios. Nos últimos cinco anos, passamos a apoiar parceiros e grandes empresas a inovarem com impacto. Agora, consolidamos nossas expertises e visão sistêmica sobre o setor nos apresentando como um ecossistema de soluções”, conclui a diretora do Quintessa.