Como a embalagem pode ser inovadora e um diferencial do seu produto - WHOW

Eficiência

Como a embalagem pode ser inovadora e um diferencial do seu produto

Fenômeno ‘unboxing’ mostra como cada vez mais é essencial escolher embalagens adequadas a seus produtos e às tendências de mercado

POR João Ortega | 06/10/2021 13h52

A embalagem representa o primeiro contato que o consumidor tem com um produto físico. Ainda que este cliente já tenha visto imagens do artigo em si na loja virtual, a concretização da sua experiência começa pela caixa de papelão ou a sacola de plástico, por exemplo, em que está inserido. Não se pode subestimar a importância da primeira impressão para a experiência do cliente, seja ela positiva ou negativa. 

Nos últimos dois anos, milhares de empreendedores tiveram que escolher embalagens para seus produtos pela primeira vez. Isto porque quando há a transição dos estabelecimentos físicos para o e-commerce, é embarcada a questão da logística, e para o transporte e entrega dos produtos na casa das pessoas é preciso ter embalagens.   

Não à toa, este mercado esteve acima da média desde o início da pandemia. Enquanto o PIB teve queda de 4,1% em 2020, o setor de embalagens cresceu 0,5%, na contramão da indústria. O papel, sozinho, teve alta de 1%. Somente no primeiro trimestre de 2021, o crescimento foi de 9,6% na comparação com o mesmo período do ano passado. 

Neste contexto, inovações estão tornando a indústria da embalagem mais adequada às tendências de mercado. E, portanto, empreendedores que trabalham com produtos físicos também precisam entender as expectativas dos clientes e as possibilidades de uso em relação às embalagens que compram.  

Em entrevista exclusiva, Manuel Alcalá, CEO da Smurfit Kappa no Brasil, falou sobre as principais tendências deste segmento. “É difícil medir o tamanho da relevância da embalagem para um produto, mas as experiências mostram que é de fato relevante”, afirma o executivo.

A Smurfit Kappa é uma empresa de embalagens que atua em 35 países, sendo 11 nas Américas. Antes restrita a um modelo de negociação de grandes lotes direto da fábrica para clientes corporativos, a empresa lançou uma loja virtual para atender os micro e pequenos empreendedores que começaram a vender online durante a pandemia. Veja, abaixo, quais as tendências apresentadas por Alcalá, com foco principalmente nas PMEs que têm cada vez mais relevância neste mercado. 

1- Cuidados com o transporte

O primeiro, e talvez mais óbvio, fator de decisão na hora de escolher uma embalagem é se ela se encaixa com o produto e, mais importante, se o protege na hora do transporte. Para o setor de alimentos, este ponto é ainda mais essencial, já que a experiência do consumidor final está totalmente atrelada à apresentação do prato. Se a embalagem permitir que, por exemplo, o feijão misture com a salada, com certeza será o primeiro e último pedido daquele cliente. 

2- Sustentabilidade

O consumidor está cada vez mais preocupado com a questão da sustentabilidade, e dados levantados em pesquisa da Smurfit Kappa comprovam isso. Dos mais de mil brasileiros entrevistados pela empresa, 59% disseram que o uso de embalagens recicladas é um ponto decisivo na percepção de sustentabilidade de uma marca. 

Os três fatores que mais impactam a percepção dos consumidores brasileiros sobre embalagens sustentáveis são: se a embalagem é biodegradável (58%); se a embalagem pode ser reciclada (53%); e se a embalagem é feita de materiais reciclados (50%).

Vale ressaltar que a própria embalagem é uma das principais ferramentas para mostrar ao cliente que a sua empresa é preocupada com a sustentabilidade. Ao analisar o quão sustentável uma marca é, cerca de metade (47%) dos consumidores brasileiros classificam textos ou símbolos presentes nas embalagens como uma das principais fontes de informação. 

3- Conexão entre o físico e o digital

“A embalagem não existe só para transportar coisas. É uma mídia”, afirma Manuel Alcalá. “Já são comuns embalagens que basta você apontar a câmera do celular que te leva à história da marca ou daquele produto em uma página da web. É uma tendência forte, principalmente no e-commerce. Temos clientes que são microempreendedores que preparam comidas gourmet, e muitas das informações sobre fornecedores, sobre a origem daqueles alimentos, estão nas embalagens por meio de QR Codes”, exemplifica.

Nesse sentido, a embalagem torna-se o elo que une um produto físico à sua página nos meios digitais. Portanto, pode ser um canal para gerar mais leads ou mesmo para apresentar o seu e-commerce próprio a um consumidor que comprou o produto por meio de um distribuidor, como um supermercado, por exemplo. 

4- Efeito Unboxing

“Quando se envia um produto por e-commerce, o cliente, ao recebê-lo, tem uma experiência muito íntima, que envolve toda uma ansiedade de abrir a embalagem. Você quer que esse momento de abertura, o momento da verdade, seja muito positivo”, destaca o CEO da Smurfit Kappa. Este momento é chamado de unboxing, que representa o processo de tirar o produto da caixa. “Tem que criar uma experiência de unboxing que seja positiva. Só no YouTube tem mais de 50 milhões de vídeos de unboxing, desde os muito ruins até os muito bons”, diz Manuel Alcalá.

O executivo usa o exemplo da Apple para exemplificar a importância de uma embalagem que gere uma experiência positiva na hora de abrí-la. “O exemplo máximo é o do iPhone: na loja, o vendedor sempre pergunta se o cliente quer ter a experiência de abrir a embalagem ou se prefere o produto aberto já configurado para este consumidor. A grande maioria prefere abrir, porque é um momento de unboxing incrível”, diz. 

5- Dados

Por último, a tendência do uso de dados para tomar decisões melhores também vale para o universo das embalagens. Manuel Alcalá destaca, neste contexto, a tecnologia de eye tracking, que permite acompanhar o olhar do consumidor para entender o que lhe chama atenção nas prateleiras dos mercados. “Assim, é possível otimizar a prateleira e saber que tipo e cor de embalagem desempenham melhor no campo direito, no campo esquerdo, e na parte debaixo que quase ninguém vê”, explica o executivo.