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Consumo

Como a Authen faz para inovar

Marca brasileira de roupas esportivas leva o feedback a sério e aplica design thinking a cada desenvolvimento de peça

POR Adriana Fonseca | 28/10/2020 16h48

Facilitar a vida do consumidor é estratégia central na Authen, marca brasileira de roupas esportivas femininas. Para isso, a empresa faz uso de tecidos tecnológicos, levando em conta as particularidades do corpo da brasileira e ouvindo incansavelmente as sugestões de suas consumidoras. É assim que a empresa inova em um setor cheio de concorrentes de peso, como Nike, Adidas, etc.

Desde sua fundação, em 2015, a Authen conta com um grupo de 40 corredoras amadoras e profissionais, que dão feedback sobre os produtos da marca. “A cada coleção fazemos focus groups com 10 ou 15 atletas. É um bate-papo mais amplo, em que as escutamos e elas contam suas experiências. Depois disso, conversamos com 30 ou 40 delas, individualmente, enviamos pesquisas e tiramos nossas dúvidas específicas, para entender cada detalhe do produto e experiência”, explica Christopher Spikes, fundador e CEO da Authen. “Podemos extrair desejos e dores melhor que qualquer outra marca e convertemos em produto.”

A cultura do feedback

Na Authen, o feedback é realmente levado a sério, tanto aquele que chega a partir das esportistas como os comentários extraídos das lojas que vendem os produtos da marca e do SAC. “A dificuldade não é o processo. Na verdade, essa parte é a mais simples, basta colocar na pauta mensalmente com a liderança. O problema de quase todas as marcas é a habilidade de aceitar feedback negativo e converter isso em produto. A maioria fica na defensiva”, diz Spikes. “A raiz de nossa marca, autenticidade, é um processo de autodestruição e recriação. O maior motivo para o nosso sucesso não é só o processo, mas também, e principalmente, porque sabemos que não somos os detentores da verdade. Não temos medo de falhar. Pelo contrário: acreditamos que nossas falhas de ontem irão virar vitórias amanhã. Levamos cada feedback negativo e reclamação muito a sério, e 90% de nossas ideias vieram de reclamações e não de sugestões.”

Um exemplo do que diz Spikes é a bermuda Grit, a mais vendida da marca, que está em sua oitava versão após ajustes conforme as sugestões das usuárias. Uma das adaptações ocorreu após um focus group, em que uma das esportistas falou que usava o bolso interno exclusivamente para guardar o gel de carboidrato usado em corridas mais longas, e que a marca deveria redimensionar o bolso para caber os principais géis do mercado. “Fizemos isso na versão três e escrevemos gel no bolso interior para ser didático”, comenta o empreendedor. 

Design thinking em cada produto

Para o design thinking ser aplicado no desenvolvimento das roupas esportivas, o processo de elaboração adotado pela marca é pensado a partir do mapeamento das necessidades das corredoras, para então passar para a criação de soluções que a nova peça trará. Dessa forma, todo produto da Authen passa por três etapas de elaboração: imersão, criação e a fase de testes.

A primeira etapa, mencionada acima, é ouvir os feedbacks e entender as necessidades das consumidoras. “A Authen não cria nada do zero, o que fazemos é traduzir a necessidade das corredoras em produto”, afirma Vanessa Kotters, diretora de produtos da marca. 

A segunda etapa é o momento de colocar em prática o que foi observado e transformar as dificuldades, dores e desejos das corredoras em um novo produto. Para isso, a Authen cria um protótipo com o layout e a modelagem específica para o corpo das brasileiras, colocando em prática seus diferenciais tecnológicos. Após desenvolvido, o produto passa para a fase de testes, na qual o time de esportistas da Authen prova e aprova o produto, não só quanto ao aspecto visual, como também na prática efetiva de corrida.

Para Spikes, um dos segredos da Authen é testar:

“Impossível ser uma marca de performance sem essa etapa. Testamos rigorosamente nossos produtos até chegar às consumidoras, com o comprometimento de entregar o que prometemos.”

Christopher Spikes, fundador e CEO da Authen

Crescimento anual

Esse processo é demorado por possuir longas etapas de experimentação e feedbacks, por isso, uma peça pode demorar até 13 meses para ser concluída e disponibilizada para venda, como é o caso do Top Preserve, lançado em agosto. 

Com essa estratégia, que inclui investir entre 7% e 10% do faturamento em inovação, melhorias e lançamentos, a Authen cresce ano a ano. Em 2019, a receita subiu 90% e, para 2020, mesmo com a pandemia, e expectativa é crescer entre 50% e 75%. Os produtos da marca são vendidos no e-commerce e também em mais de 400 varejistas. 

Nos últimos cinco anos, a empresa recebeu R$ 11,4 milhões em aportes, sendo R$ 2,1 milhões no primeiro trimestre de 2020.


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