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Como a ambição pode ajudar (ou prejudicar) sua jornada empreendedora

Pesquisa recente aponta que pessoas mais ambiciosas são mais felizes no trabalho, mas a ambição em excesso pode prejudicar a carreira

POR Marcelo Almeida | 09/12/2021 10h51

A ambição é um traço de personalidade que costuma diferenciar bastante as pessoas, especialmente no contexto do empreendedorismo.

Muitas vezes na faculdade, ou mesmo no colégio, já é possível notar aqueles que se esforçam ao máximo para serem os melhores e passarem nas melhores faculdades, e aqueles que buscam as melhores notas e conseguir estágios nas empresas mais renomadas quando já estão no Ensino Superior.

Quando chegam ao ambiente de trabalho, onde os ganhos se tornam finalmente palpáveis, as pessoas mais ambiciosas tendem a trabalhar duro e buscar ascender na empresa, buscando posições de destaque e salários cada vez melhores.

Por outro lado, pessoas menos ambiciosas podem focar menos no sucesso financeiro e em subir rapidamente a escada corporativa, e mais em questões como se o trabalho que ela realiza é algo recompensador em um sentido menos material, ponderando o impacto que ele provoca, por exemplo, ou se as atividades que ela realiza são estimulantes.

De acordo com um estudo realizado pela Universidade da Califórnia em Riverside, e divulgado neste ano, pessoas que têm metas mais ambiciosas geralmente são mais satisfeitas e felizes do que aquelas que traçam metas mais conservadoras, ainda que os resultados sejam parecidos em termos de atingir os objetivos traçados.

Quem define objetivos mais ambiciosos, diz a pesquisa, tende a considerar que alcançou bons resultados mesmo apesar das dificuldades e circunstâncias, enquanto quem traça objetivos mais conservadores não têm o mesmo sentimento de que seu trabalho árduo valeu a pena.

Para Miriam Rodrigues, professora do curso de Tecnologia em Gestão de Recursos Humanos da Universidade Presbiteriana Mackenzie, a ambição é um traço positivo que está associada à vontade de fazer, com o foco na obtenção de resultados e na materialização de coisas positivas para as empresas.

“A ambição tem a ver com a mobilização do profissional, e isso é muito importante porque a ambição acaba sendo o contrário de apatia, que geralmente está ligada ao indivíduo que não está muito preocupado com as coisas, que não se mobiliza e não se importa”, afirma Rodrigues.

Já a ambição tem a ver com ação, com propósito, demonstrando que a pessoa tem motivação, objetivos e metas a conquistar, ou seja, que tem uma personalidade mais proativa e empreendedora.

Para a especialista, a ambição é um traço necessário para a boa atuação de um profissional. Ela ressalta, no entanto, que o excesso de ambição, como todos os demais excessos na vida, pode ser prejudicial porque a pessoa pode começar a olhar apenas para si, não demonstrando que se preocupa com o outro e muitas vezes nem com a própria empresa, apenas com seus objetivos pessoais.

“Quando a pessoa não se importa com a empresa, o grupo, a equipe, aí a ambição pode se tornar negativa. Ela também pode ser negativa quando a pessoa começa a não medir esforços para atingir objetivos, podendo até usar de meios ilícitos para atingir o que se deseja e ações não condizentes com a ética ou boas práticas profissionais em geral. O terceiro ponto é em relação ao excesso de vaidade”, diz Miriam Rodrigues, já que que a pessoa extremamente ambiciosa tende a ter traços narcisistas, de olhar apenas para si, desconsiderar as necessidades alheias, as opiniões dos outros e o bem estar mais amplo do time em que atua, querendo destacar apenas os seus feitos e méritos.

Questionada se considera uma característica mais inata ou se pode ser trabalhada ao longo da vida, ela diz que tende a concordar mais com a primeira proposição, mas que existem fatos que podem motivas as pessoas a serem mais ambiciosas durante suas vidas.

“Eu acredito que existem pessoas que têm traços na sua personalidade mais aderentes à ambição sim, mas não são coisas excludentes, podem existir circunstâncias nas trajetórias de vida das pessoas que as impulsionam a serem mais ambiciosas, então as duas coisas são importantes, as características pessoais e as circunstâncias de vida. Minha perspectiva é que isso é muito mais interno que externo, sendo muito mais difícil tornar alguém ambicioso, não vejo isso como sendo muito possível”, conclui Rodrigues.

Os três elementos da ambição

De acordo com o autor Ron Carucci, co-fundador da Navalent, que atua com CEOs para alcançar mudanças significativas de performance, existem três elementos principais que compõem a ambição:

A ambição da performance – A ambição começa entendendo as metas que você tem para você e para seu time. Saber quão longe você pode chegar em relação a cada aspiração que tiver é um elemento fundamental para ter uma ambição saudável. Traçar metas que requeiram o nível certo de dificuldade e desconforto ajuda a garantir que você não leve a si mesmo e seu time além das suas capacidades, nem caia na zona de conforto.

O importante é traçar uma meta equilibrada, que não seja tão pouco ambiciosa a ponto de deixar o seu time e a si mesmo entediados e sem alcançar seu potencial, nem desencorajá-los criando metas ambiciosas demais que vão levá-los a um provável fracasso.

A ambição do crescimento – A ambição não pode focar apenas em resultados pontuais, mas deve ser usada para criar um plano de crescimento. Estabelecer onde você quer chegar e comparar com onde você está atualmente é uma boa forma de revelar o que está faltando para você conseguir alcançar suas aspirações. Quase todos os líderes possuem habilidades técnicas e pessoais que precisam ser melhor desenvolvidas quando existe uma maior ambição ou aspirações maiores a alcançar. A questão é o líder ter a humildade intelectual para perceber os pontos em que precisa avançar e reconhecê-los para moderar sua ambição.

A ambição da conquista – Seja por um senso mais profundo de propósito ou contribuição, um maior salário, uma promoção ou reconhecimento, líderes são motivados pelo que podem conquistar caso sejam bem sucedidos. Nesse ponto a ambição pode acabar sendo pervertida: quando os elementos da performance e do crescimento se tornam secundários em relação a suas conquistas pessoais, você pode acabar sendo motivado apenas por ganância.

Além disso, quando sua motivação muda do resultado para a recompensa, suas expectativas podem se tornar irrealistas. Em outros casos, você pode passar a negar seu desejo por conquistas, o que também não é saudável. Não há nada errado em querer maiores propósitos, recompensas materiais e reconhecimento, o problema é quando esses desejos começam a se tornar insaciáveis, fazendo com que alcançá-los não os satisfaça, apenas aumente seu apetite por mais.

A chave para manter sua motivação por recompensas em um nível saudável é focar no fato de que cada membro do seu time também tem suas motivações e querem alcançar objetivos. O importante, como empreendedor, é garantir que nenhuma conquista pessoal ocorra em detrimento da conquista de outro membro da equipe. Muitos líderes sentem que ser transparente sobre o que se espera alcançar pode levar a ressentimentos ou inveja, mas permitir que todos sejam honestos sobre o que querem conquistar, assim como os porquês, pode criar um comprometimento ainda maior em alcançar as recompensas que todos querem.

Segundo Carucci, a ambição é um aspecto natural e saudável de ser um líder, envolvendo desejos inatos de ter a melhor performance possível, de crescer, se tornar melhor e alcançar recompensar por seus esforços. Esses desejos podem ser positivos se você os estuda e os cultiva.

Na medida em que considera futuros caminhos em sua carreira, refina seu senso de propósito no mundo ou fortalece sua liderança para maiores oportunidades, suas ambições podem servir como um compasso, guiando-o para se tornar um líder realizado.