Com retomada, setor de casamentos abre oportunidades para empreender - WHOW

Consumo

Com retomada, setor de casamentos abre oportunidades para empreender

Mercado espera que 2022 seja o ano dos casamentos devido aos eventos adiados desde o início da pandemia

POR João Ortega | 21/09/2021 10h01

Como toda a indústria de eventos, o setor de casamentos foi bastante impactado pela pandemia. Em um momento de crise de saúde pública, as celebrações em grupo precisaram dar lugar a reuniões mais íntimas, ou mesmo à distância por meio de plataformas de videoconferência. Agora, este segmento vislumbra uma retomada, em especial a partir de 2022, ao mesmo tempo em que deve manter certos protocolos e ações que estiveram em alta nos últimos meses. 

O cenário é o seguinte: o setor de eventos em geral perdeu 98% do faturamento entre março e dezembro do ano passado, segundo a Associação Brasileira de Eventos. Os casamentos foram um pouco mais resilientes, tamanha a importância da data para alguns noivos. Nos EUA, por exemplo, dados do relatório Wedding Report mostram que o faturamento dos casamentos em 2020 caiu para menos da metade do ano anterior, mas ainda assim superou os demais eventos de grande porte. 

Uma parcela dos noivos evitou cancelar a festa e apenas adiou a data, mantendo os contratos previamente assinados e dando fôlego a alguns profissionais desta indústria. É o que revela Adriana Bicudo, assessora de casamento, em entrevista exclusiva. “Alguns chegaram até a quatro adiamentos durante a pandemia. Acaba mexendo com a cabeça, com o plano de vida das pessoas. Mas convencemos a não cancelarem, até pela questão financeira, de não perder todos os contratos”, diz Adriana, que decidiu empreender com eventos e acabou indo “naturalmente” para o universo dos casamentos há alguns anos. 

Segundo a assessora, é essencial que os casamentos tenham sido mantidos, ainda que, muitas vezes, sem previsibilidade de data para serem realizados. Isto porque há dezenas de tipos de profissionais, em boa parte empreendedores, que dependem destes eventos e dos contratos assinados previamente. 

“Trabalhamos, em um casamento, com de 15 a 30 fornecedores diferentes”, estima Adriana Bicudo. “Em geral, temos aluguel do espaço, buffet, bar, doces, distribuidora de bebidas, gerador elétrico, banda, DJ, estrutura de som e iluminação, vallet, segurança, limpeza, ambulância, decoração, fotografia, vídeo, cabelo, maquiagem, traje dos noivos. São muitos fornecedores”. 

Casamentos e os meios digitais

Como todos os setores da economia, a indústria de casamentos está em um movimento de digitalização, bastante acelerado pela pandemia. “As redes sociais viraram uma das ferramentas mais importantes”, diz a assessora Adriana Bicudo. “Me vi obrigada a buscar esse canal de comunicação com as pessoas. Não tinha foto de casamento novo para postar, então foi preciso reciclar conteúdo, criar conteúdo informativo para falar sobre a pandemia. Virou essencial para se comunicar com o cliente”. 

Na mesma linha, a plataforma de casamentos iCasei, que já era digital, lançou novas ferramentas, desenvolvidas durante a pandemia, para aproximar os noivos de seus convidados. “Vimos uma oportunidade por conta dos casamentos no civil que puderam acontecer”, conta Diego Magnani, CCO da iCasei, em entrevista exclusiva. “Lançamos uma ferramenta de transmissão ao vivo no site, em que os convidados podem assistir, comentar, comprar um presente e, de certa forma, participar daquele momento. Foi uma forma de aproximar as pessoas durante a pandemia”. Em 2021, cartórios brasileiros já registraram 424 mil casamentos no civil. 

O executivo da iCasei afirma que a indústria como um todo entendeu essa necessidade de digitalização, bem como os clientes. Dessa forma, negócios que tradicionalmente seriam realizados ao vivo acabaram por ser concretizados à distância. “Os noivos estão fechando com fornecedores por videoconferência. Aproveitaram muito das novas opções de logística para receber os doces em casa e fazer a prova à distância, por exemplo. Acredito que o setor, que era muito tradicional, está se descomplicando”, analisa Diego. 

2022: o ano dos casamentos

A expectativa da indústria é que 2022 seja o ano dos casamentos. É provável, já que haverá eventos acumulados dos dois anos anteriores. Com a vacinação caminhando no país e a permissão para eventos de grande porte em diversas regiões, já há dificuldade para encontrar datas e locações no ano que vem. 

Nesse sentido, há uma série de oportunidades para empreender com essa indústria que engloba tantos profissionais e fornecedores diferentes em um mesmo evento. Quem atua com atividades que vão desde floricultura até edição de vídeos, por exemplo, pode se inserir neste mercado aquecido. 

O primeiro conselho neste sentido, segundo os especialistas ouvidos pela Whow!, é continuar trabalhando os atributos digitais. Afinal, apesar de hoje ser mais seguro ter uma reunião presencial com o cliente, muitos noivos preferem acertar os detalhes via videoconferência por uma questão de comodidade. Cada vez mais, o pré e o pós-evento serão feitos nos meios online. 

A segunda lição, de acordo com Diego Magnani, é apostar em personalização. Segundo o executivo da iCasei, o que os noivos mais buscam, hoje, é ter experiências originais desde o convite até a festa, de forma a diferenciar o seu casamento dos demais. Portanto, vale desenvolver serviços e produtos personalizáveis para este cliente. 

Uma terceira dica é olhar exatamente para a questão da saúde e higiene nos casamentos, já que certos protocolos vão ser mantidos. Empresas serão contratadas para realizar testes de Covid-19 antes das festas, outras vão distribuir máscaras personalizadas com as iniciais dos noivos e também será necessário ter álcool em gel em todas as mesas.

Não há limites para a criatividade do setor. “Fornecedores envolvidos são inúmeros. Vai de acordo com a proporção da festa e não tem limites. Temos visto casamentos com diversas atrações na pista e até recreação infantil no local”, completa Diego.