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Colaboração entre empresas: o triunfo da open innovation

O ecossistema de inovação aberta está em crescimento no Brasil, tendo sido impulsionado pela crise da Covid-19

POR Carolina Cozer | 12/11/2020 21h02

Em 2016, o mercado brasileiro possuía 82 empresas, 108 startups e 859 relacionamentos de open innovation. Hoje, esta comunidade cresceu 20 vezes, e é possível encontrar 1.635 empresas e 2.018 startups que fizeram inovação aberta no Brasil, e que realizaram 12.436 negócios neste último ano, aponta um estudo recente. 

Com esta maturidade do ecossistema de inovação aberta no país, quais serão os próximos passos das corporações para uma relação ainda mais harmônica?

O evento Whow! Festival de Inovação 2020 levantou este debate no painel “Colaboração entre empresas: o triunfo da open innovation”, que foi mediado por Fabio Pando, CEO da Horizon Consulting. Nele participaram Renata Petrovic, superintendente de pesquisa e inovação do InovaBra, Juliana Glezer, gerente de inovação e portfólio da Nestlé Brasil, Italo Flammia, strategic advisor da IT Flammia, Lívia Brando, country manager da Wayra Brasil e Stephanie Blum, head de open innovation da BRF.

A inovação aberta para empresas de primeira viagem

O caminho mais curto para empresas que querem começar agora a inovar seria a associação a um hub de inovação, segundo Renata Petrovic, do InovaBra. “Os hubs são ecossistemas já prontos, que têm equipes que facilitam os matches entre os parceiros mais adequados”, opina.

O ecossistema de open innovation está em amplo crescimento no Brasil, e foi impulsionado pela crise da Covid-19, uma vez que muitas empresas tiveram que inovar para sobreviver. “A open innovation possibilita o acesso a soluções pré-prontas. E ele não se resume às  startups, mas sim em toda a cadeia de valores, todos os stakeholders”, explica Italo Flammia, strategic advisor da IT Flammia.

Para Stephanie Blum, head de open innovation da BRF, o ideal seria que todas as empresas brasileiras pudessem abrir programas de inovação aberta.

“A complexidade do ecossistema está aumentando, e as corporações podem acompanhar startups para serem suas parceiras, pensando em como ajudá-las a evoluir”

O fim das áreas de inovação?

“Se tudo der certo, a área de inovação não vai existir no futuro, porque ela vai ser muito natural no mindset das empresas”. Essa é a opinião de Livia Brando, country manager da Wayra Brasil ― hub de empreendedorismo e inovação da Vivo. “As grandes empresas estão passando por transformações de seus legados e cultura, e precisam trabalhar a cultura de inovação, despertando o espírito intraempreendedor nas pessoas”, diz.

Segundo Juliana Glezer, gerente de inovação e portfólio da Nestlé Brasil, o maior desafio da inovação aberta é a sincronicidade. “São diferentes órgãos vibrando em frequências distintas. O maior desafio é orquestrar essas vibrações para que se abra um novo mundo de possibilidades”.

“Costumo dizer que a mais fácil parte de lidar com open innovation é lidar com ferramentas e metodologias. A parte complicada é lidar com pessoas”, complementa o mediador Fabio Pando.

De acordo com Petrovic, do InovaBra, a grande vantagem de se estar em um hub de inovação é a troca de conhecimento. “Todas as empresas que estão no InovaBra Habitat têm o mesmo propósito, e compartilham aprendizados. O convívio gera aprendizados, e a imersão dos funcionários é um grande estímulo de transformação cultural”, afirma.

Desafios da open innovation

A cultura organizacional, com mentalidade voltada para a inovação, é um fator primordial na open innovation. Sem uma mentalidade inovadora, dificilmente se chega em algum lugar. 

Na opinião de Blum, da BRF, a cultura precisa ser disseminada nas organizações. “A cultura é importante, e precisa estar clara para todos os colaboradores, para que eles pensem fora da caixa e busquem soluções inovadoras para seus problemas”, diz.

Ter patrocínio legítimo para projetos de inovação também é uma dificuldade levantada por Italo Flammia, que esteve na fundação da aceleradora Oxigênio. “É preciso ter alguém que entenda, confie e patrocine um programa que terá resultado em médio ou longo prazo”, diz o especialista.

As empresas também pecam tentando trazer temas desalinhados, segundo a country manager da Wayra. “Os atritos são grandes. É comum você pedir budget e receber uma negativa, pois não é prioridade da empresa”, observa.

Fábio Pando faz uma colocação final: “Não adianta nada a empresa ter área de inovação, e só ela pensar em inovação. É preciso trazer as outras áreas da empresa para colaborarem juntas”.

Inovar: por que e para quê?

De acordo com Pando, a inovação é como uma alma em busca de um corpo. “Ela quer tomar forma, mas precisa de um propósito”, afirma, questionando aos ouvintes: “Para que você quer inovar? A inovação, para funcionar, precisa ter um foco. Qual é o seu?”

Na Wayra Brasil, segundo Livia, o propósito é apoiar o ecossistema e a estratégia das empresas. “A palavra chave é colaboração”, pontua.

O hub de inovação da BRF está aberto para processos de open innovation, mas Stephanie Blum tem um conselho para gestores: “Recomendo que gestores incentivam os todos os colaboradores a se abrirem para a inovação”.

A grande distinção da inovação aberta, para Flammia, é como posicionar a inovação de modo estratégico nos negócios. “A cultura é um legado que a inovação deixa para as empresas. Ela sustenta a inovação e estimula a colaboração entre as pessoas e tem o poder de ser um elemento provocador”, finaliza.


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