Cofundador do Waze aponta problema no Brasil e diz que criar startups é como se apaixonar - WHOW
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Cofundador do Waze aponta problema no Brasil e diz que criar startups é como se apaixonar

O empreendedor israelense Uri Levine, cofundador do Waze, diz que, para criar startups é preciso ter foco na solução de um único problema

POR Eric Visintainer | 28/10/2019 14h00 Cofundador do Waze aponta problema no Brasil e diz que criar startups é como se apaixonar Foto (Pixabay)

Um estudo de 2018 do Global Entrepreunership Monitor mostra que, em 2018, já existiam, aproximadamente, 52 milhões de empreendedores no Brasil entre 18 e 64 anos. E de acordo com uma pesquisa atual da consultoria McKinsey, há mais de oito mil startups no país. Ao conhecer exemplos de sucesso como o do israelense Uri Levine, de 54 anos, cofundador de uma dezena de startups como o Waze, que foi vendido ao Google, em junho de 2013, por pouco mais de um bilhão de dólares, existe um acréscimo na vontade de quem quer prosperar com um negócio próprio. 

Sensação de montar uma startup

O cofundador do Waze entende que “o empreendedor é uma pessoa incrível, pois quer mudar o mundo”. Para ele este perfil de pessoa chega ao limite e resolve mudar o cenário em que vive. Porém, a trajetória do empreendedorismo, como comenta Uri, “é uma montanha-russa, com pontos altos e baixos. E se você está criando uma startup, esta variação acontece algumas vezes ao longo do dia.” Ele palestrou em São Paulo, durante o IT Forum X.

Uri comparou desenvolver uma startup é como se apaixonar. “Você vai para muitos encontros e finalmente encontra a pessoa certa. No início você só pensa em passar o tempo com aquela pessoa, não pensa no resto do mundo. E, às vezes, quando você a apresenta aos amigos eles dizem ‘ela não é o seu tipo’,” explica o empreendedor israelense. “Você precisa estar apaixonado pelo que faz porque a jornada é bem longa.”

startups Foto Uri Levine (divuldação)

Importância de encontrar adequação do produto ao mercado

Na visão de Uri, a maioria das startups não conseguem ultrapassar a linha que delimita a adequação do produto ao mercado (product market fit). “A jornada para a criação de uma startup é uma jornada de erro. Se você tem medo de falhar, você já falhou” disse. “Albert Einstein dizia que ‘se você nunca falhou é porque nunca tentou fazer algo novo’.”

O cofundador do Waze apontou que ao cometer erros de forma rápida o empreendedor estará mais próximo de obter sucesso. Ele ainda explica que, ao final, você chegará a um guia de ferramentas pelas quais as pessoas se interessam e que funcionam, ao invés de desenvolver um produto ou serviço que só você vê valor.

Uri comentou sobre como a Netflix demorou uma década para encontrar o produto que as pessoas queriam e utilizam este modelo desde 2008. “As startups que não encontraram o product market fit você nunca ouvi falar delas. Elas simplesmente morrem,” contou. “Quais são as diferenças entre os principais aplicativos que você mais utiliza, do primeiro dia que os usou para hoje? Nenhuma. Uma vez que você compreende a adequação do produto ao mercado você não vai mudá-lo. Mas esta é uma jornada bem longa.

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startups Foto (Pxhere_)

Problemas para as startups

Uma das principais lições que Uri compartilhou na sua jornada para a criação do Waze foi o foco em solucionar um único problema. Ele queria ajudar os viajantes regulares e não os caminhoneiros, taxistas, ciclistas ou pedestres. “Foco é particularmente difícil para startups porque precisam fazer uma coisa dar certo. A verdadeira decisão é dizer não para todo o resto que não vai resolver focar no problema,” explicou.

O cofundador do Waze investiu parte do seu tempo para investigar qual problema mais causava a descontinuação de uma startup. Uri compreendeu que os times não eram corretos. E os problemas envolviam falta de comunicação, falta de habilidades técnicas e ego excessivo. 

Na visão dele todos os membros das equipe sabiam que os times não eram os melhores no primeiro mês. Mas para Uri o problema vai além.

“O problema não era que o time não era o correto, mas que o CEO não tomou a decisão necessária para reestruturar a equipe. E existem dois caminhos: ou o CEO não sabe e isso é ruim ou sabe e ainda assim não toma uma decisão. Nos dois cenários a empresa perderá os melhores colaboradores”, explicou o empreendedor israelense.

startups Foto (Burst)

Faltam engenheiros no Brasil

Falando  para uma audiência majoritariamente do setor de tecnologia, o cofundador do Waze perguntou quantos na plateia eram engenheiros. A resposta contribuiu para que Uri dissesse que um dos principais problemas para o ecossistema de startups no Brasil é a falta de uma quantidade maior de engenheiros.

“Para mim é papel do governo proporcionar mais engenheiros. Se houvesse um incentivo que taxação menor para quem quisesse ser um engenheiro, as pessoas iriam olhar a profissão de forma diferente”, disse Uri.

Cenário de inovação na Startup Nation

Outros dois fatores apontados pelo israelense, que foram positivos para o seu desenvolvimento como empreender em série de startups, foram o ambiente instável no Oriente Médio, em que Israel está localizado, e o serviço militar. 

“Talvez Israel tenha um dos melhores ecossistemas para  startups. Nenhum dos países vizinhos gostam de nós e o serviço militar é obrigatório. E lá você enfrenta problemas e precisa criar times, que vão ser úteis no futuro para criar a sua startup”, comenta o cofundador do Waze.

Ele ainda disse que incentivos fiscais do governo precisam existir para o país possuir mais startups. “Se você investir nas minhas startups em Tel Aviv, você não pagará impostos. Mas se eu investir nas suas startups no Brasil, eu vou pagar impostos. Então, é bem difícil atrair investidores para o Brasil, pois eles terão que pagar impostos mais altos do que nos seus próprios países.”

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