Cofundador da VivaReal, adquirida pela OLX, traz dicas para empreendedores em novo livro - WHOW

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Cofundador da VivaReal, adquirida pela OLX, traz dicas para empreendedores em novo livro

Empreendedor e investidor-anjo, com 60 aportes realizados, Brian Requarth foca na comunicação e transparência no dia a dia

POR Eric Visintainer | 29/03/2021 18h55 Imagem: Shutterstock Imagem: Shutterstock

Formado em Letras com foco em espanhol, na Universidade Estadual de San Diego, na Califórnia, o norte-americano Brian Requarth fundou a startup VivaReal no Brasil, com Diego Simon e Thomas Floracks, em abril de 2009, ao ver uma oportunidade e querer resolver problemas no setor imobiliário. Na empresas ele atual como CEO até 2016, depois foi presidente do Conselho, por um ano, quando aconteceu a fusão com a Zap Imóveis, então do Grupo Globo, e ficou como conselheiro do Grupo Zap VivaReal até a conclusão da venda para a OLX em novembro de 2020, por R$ 2,9 bilhões.

Mas nem por isso, o caminho foi tranquilo. Ele detalha em uma conversa com o portal Whow! os desafios com a burocracia no Brasil, a contratação de talentos e os alicerces para uma relação saudável com sócios e investidores.

Com esta experiência e, após 60 investimentos-anjo, em outras startups, como as retailtechs QuintoAndar e EmCasa, e na edtech QueroEducação, Brian lançou em fevereiro deste ano o livro “A real sobre empreender” (Viva the Entrepreneur, em inglês).

Além disso, ele também montou uma plataforma de educação para empreendedores latino-americanos chamada Latitud, por meio da qual também faz aportes com cheques inicias de US$ 50 mil até US$ 250 mil.

Brian ressalta a burocracia brasileira para quem quer iniciar o processo de empreendedorismo e como ele demorou seis meses para iniciar a abertura da VivaReal, enquanto nos Estados Unidos, ele diz que conseguiu se casar, abrir uma conta no banco e instituir uma nova empresa em apenas uma semana.

Confira na sequência o bate-papo completo do portal Whow! com o empreendedor norte-americano:

Dicas para empreendedores

WHOW!: O que te fez querer empreender em um mercado tradicional, como o de imóveis, e ainda fora do seu país natal?
BRIAN REQUARTH: “Meu interesse pelo Brasil, especificamente por fazer algo fora do lugar de onde sou, sempre fui meio por ser aventureiro. E estar em um lugar diferente, te força a crescer, aprender um novo idioma e uma nova cultura. Isso sempre foi um motivador interno para mim e  aprender coisas novas me colocando em diferentes situações. Não foi um processo muito sistêmico e ver oportunidades e estar interessado em resolver problemas.”


W!: Quais paralelos você traça entre os desafios para empreender nos Estados Unidos e na América Latina em especial no Brasil? 

BR: “Tendo vivido e trabalhado nos Estados Unidos, os paralelos estão mais onde nas diferenças. Não importa onde você construa o negócio, é realmente difícil. O que enfrentei na criação de uma empresa no Brasil, nos primeiros dias, percebi que havia muito atrito para montar um negócio. E mesmo o processo de abertura de uma empresa demorou seis meses e por ser estrangeiro resultou em diversos desafios. E antes disso, eu tinha aberto um negócio nos Estados Unidos, uma conta em um banco e me casado, tudo na mesma semana. O processo de construir um negócio em qualquer lugar é mais similar do que diferente, e você vai encontrar os mesmos desafios, como contratar uma equipe, vender a sua visão, capitalizar o negócio e atender aos seus clientes.”


W!: Quais são as suas dicas para que fundadores de startups mantenham uma estabilidade emocional e um bom relacionamento com outros sócios-fundadores e investidores, principalmente no atual cenário da pandemia?

BR: “A primeira coisa é a comunicação. Todos os grandes times têm uma comunicação coesa. As habilidades pessoais, que não são ensinadas em faculdades de negócios, são absolutamente essenciais para ter sucesso. E em termos de encontrar um equilíbrio, entre a sua vida pessoal e empresarial, eu diria que é quase impossível porque será muito agitada. É claro que, há importância de reservar um tempo para si e tentar equilibrar a loucura do dia a dia. É uma maratona, não uma corrida curta. Você precisa preservar a energia para a próxima etapa do seu negócio.

Em termos de relacionamento com cofundadores, comunicação e não deixar os problemas crescerem. Isso é aplicável a qualquer tipo de relacionamento. O ponto crítico com os investidores é encontrar os bons.  E na verdade, percebo que este relacionamento dura mais do que um casamento normal e os empresários esquecem que você também está entrevistando o investidor para saber qual é a filosofia dele e como ele se comportará em tempos difíceis. Eu incentivo os fundadores e empreendedores a buscarem referências de outros empreendedores que foram investidos pelo mesmo grupo e não apenas as empresas de sucesso, mas também aquelas que faliram, para descobrir as verdadeiras atitudes do investidor em momentos difíceis. Transparência, confiança e comunicação são essência. E não deve haver muitas surpresas. Você não quer aparecer em uma reunião de diretoria com surpresas.”


W!: No livro você também aborda um dos pontos que fundadores, como David Vélez do Nubank, apontam como uma das principais dificuldades atuais no Brasil, que é a contratação de bons talentos. Quais são as suas sugestões?
BR: 
“Tenho sido forçado a esta forma remota de trabalho. E estou a uma hora de distância, ao norte de São Francisco, de onde provavelmente há muito talento para trabalhar em qualquer projeto. Mas também há muito talento em outros lugares do mundo. E expandir o seu escopo global na busca por talentos é algo que a pandemia puxou para o futuro. A forma para resolver o problema no longo prazo, na América Latina, é focar na  educação e ter modelos alternativos que construam a próxima geração de engenheiros, que falta muito no Brasil.”

Foco como investidor-anjo

W!: Por que decidiu criar o fundo de investimento Latitud com cheques inicias de até US$ 250 mil? Já aconteceram os primeiros aportes?
BR: “Nosso racional é que não precisamos liderar rodadas, faremos parcerias com a Canary, Maya, Monashees, ONEVC. E podemos apenas colocar cheques pequenos de US$ 50 mil até US$b 250 mil em grandes empresas. A Latitude é uma comunidade e um sistema de suporte que ajuda fundadores a construir suas empresas. E eventualmente investimos um pouco de dinheiro.

Se você pensar em Stanford como uma investidora nas startups criadas pelos seus alunos, é isso que queremos ser. Se Stanford investisse em muitas empresas que passassem por lá, este seria o fundo mais prolífico do mundo, por conta da quantidade de talentos que saem de lá. Queremos ajudar a construir a próxima geração de startups e apoiar os empreendedores nos estágios iniciais de sua jornada. E quando você pensa em educação é um local farto, como network, informação, conhecimento, selo de aprovação, e tudo isso é o que muitos investidores oferecem. Mas, na realidade, a maioria dos investidores não fornece muitos conselhos, eles não fazem muito além de investir o capital pois não é o foco principal, é o dinheiro. Nós nos concentramos na rede e aconselhamos e, ocasionalmente, investiremos um cheque se virmos uma oportunidade interessante.”


W!: Com 60 investimentos-anjo realizados em startups por você, o que atuais e futuros interessados em seguir os mesmos passos devem se atentar ao aportaram capital em uma empresa da nova economia?
BR: “Em primeiro lugar, quando você está começando, você deve fazer pequenas apostas em vez de grandes. A tendência das pessoas que querem entrar como investidores-anjo é dobrar o valor em uma empresa. Mas a realidade é que, provavelmente as primeiras empresas que você ver não serão as melhores. E o erro mais comum que vejo em pessoas que estão começando como investidores-anjo é apostar muito em uma única empresa porque você está animado com a oportunidade e quer apoiar o empreendedor. E tem uma coisa chamada Power Law Dynamic, na qual você tem muitas apostas e acerta uma.

Identifique a quantidade de dinheiro que você tem que investir, talvez seja US $ 100.000. Então, você deve fazer dez aportes de US $ 10.000. E em segundo lugar, não invista mais do que você pode perder. A última coisa é não ter um vínculo emocional com a empresa.”

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