Clubes de assinaturas: empreenda com receita recorrente - WHOW
Consumo

Clubes de assinaturas: empreenda com receita recorrente

Quatro em cada cinco negócios com modelo de assinatura cresceram durante a pandemia, superando a média de seus mercados

POR Daniel Patrick Martins | 20/09/2021 18h51 Clubes de assinaturas: empreenda com receita recorrente

Imagine receber em casa todos os meses, com conforto e praticidade, uma seleção de carnes, uma cesta de bebidas ou uma encomenda de marmitas saudáveis para o dia-a-dia. E que tal um kit de produtos de beleza? Agora, pense como seria sua vida se, ao invés de pagar toda vez que faz uma aula na academia, pudesse frequentar quantas vezes quiser, com uma mensalidade única no fim do mês? Mais prático ainda seria pagar uma conta recorrente para usar um carro o mês todo, ao invés de ter que comprar o veículo próprio. Pois saiba que tudo isso já é possível pelo crescente interesse nos chamados “clubes de assinaturas”.

Esta tendência de mercado, portanto, transcende a barreira entre produtos e serviços, tornando qualquer tipo de solução em um serviço recorrente. Trata-se de um movimento que cresceu na indústria de software, pelo conhecido modelo de SaaS (software como um serviço), e passou a ser adotado por diferentes segmentos do mercado (alguns deles exemplificados acima). A pandemia acelerou esta tendência: segundo estudo da Zuora, quatro em cada cinco empresas com planos de assinatura continuaram crescendo no período, contrariando a média de seus mercados. Já se fala inclusive em subscription economy, que é a economia das assinaturas, tamanho o potencial desde modelo de negócio.

Do lado do consumidor, há ganho em praticidade, em experiências desenvolvidas com ele no centro e, caso realmente use o produto ou serviço que assinou, também traz diminuição de custos. Para as empresas, desenvolver clubes de assinatura significa ter uma receita recorrente, e previsibilidade nos negócios é essencial em tempos cada vez mais incertos, além de maior fidelização do cliente.

O mercado de clube de assinaturas, por exemplo, nos EUA, movimenta mais de US$ 10 bilhões por ano e no Brasil já ultrapassa a casa do R$ 1 bilhão, segundo dados da Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm). No caso brasileiro, este aumento representa 167% de vendas nos últimos quatro anos, sendo que há mais de 800 empresas deste ramo em atividade no mercado, de acordo com a Associação Brasileira dos Clubes de Assinatura.

Este segmento teve uma alta de 32% no número de novas assinaturas no primeiro trimestre deste ano, se comparado a 2020, de acordo com levantamento da empresa de tecnologia Betalabs. O mesmo estudo indica que, durante a pandemia, os negócios gerados por clubes de assinaturas tiveram acesso de mais de 600 novos consumidores por dia, destacando a assinatura de livros, que aumentou 27% no período, seguido pela categoria de bebidas e de alimentos, com 18% e 17%, respectivamente.

Em um contexto no qual o mundo empresarial fala muito em criação de comunidades, os clubes de assinatura surgem como uma ferramenta interessante para dar o senso de pertencimento a um grupo para os clientes. É o que explica Henrique Donnabella, general manager da Collinson, empresa global especializada em fidelização e benefícios para clientes, em entrevista a Revista HSM.

“Os conceitos de clube e comunidade são parecidos e mais amplos do que se imagina: eles devem abordar as expectativas humanas no âmbito financeiro, através de um modelo econômico comportamental que visa a redução das perdas, mas também deve contemplar as nossas expectativas na esfera social – reciprocidade e o status. Sentir-se pertencente ao grupo, respeitado, prestigiado, com poder são, da mesma forma, importantes para aumentar o nível de fidelização dos membros do seu clube”.