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Cientista de dados: desafios e características da profissão queridinha das empresas

O mercado está aquecido para quem opta pela carreira e universidades, dentro e fora do Brasil, começam a oferecer graduações na área

POR Adriana Fonseca | 24/01/2020 13h13 Cientista de dados: desafios e características da profissão queridinha das empresas Foto: Freepik

Há cerca de dois anos Kailash Bernucci, de 32 anos, trabalha exclusivamente como cientista de dados. Formado em Economia pela Universidade de São Paulo, ele teve que se capacitar ao longo do caminho para conseguir atuar na área que desejava. Deu certo.

Hoje Kailash é cientista de dados em uma das maiores empresas de serviços em TI do país, a Stefanini, que atua em mais de 35 países.

Na época que ele cursou agraduação, entre 2006 e 2009, ainda não existiam cursos específicos de ciência de dados. Aliás, nem se falava nesse assunto – não da forma como hoje.

“Comecei minha carreira trabalhando com BI [business intelligence] e análise de dados, bastante focado em data driven marketing e web analytics”, disse ao Whow!. “A principal diferença é que antes fazíamos análises mais exploratórias, entendendo o comportamento do consumidor a partir do registro histórico e de como as variáveis se comportavam, mas não tinha a análise preditiva que existe hoje, para estimar o futuro.”

Há três anos ele começou a ouvir falar em ciência de dados. “Me interessei pelas ferramentas novas, que poderiam melhorar a minha entrega”, comenta.

cientista de dados Foto Dlanor (Unsplash)

Capacitação 

Foi aí que Kailash começou a se preparar para trabalhar com essas novas ferramentas. A capacitação veio principalmente de cursos online, networking, pesquisas e participação em fóruns na internet. “Me planejei, porque em dois anos eu queria trabalhar só com data science.” Hoje ele trabalha estritamente como cientista de dados, e não faz mais BI. “Consegui isso graças ao planejamento de carreira que fiz.”

Hoje, há formações específicas para quem quer trabalhar no setor. Kailash, inclusive, começou no ano passado uma pós-graduação em machine learning, inteligência artificial e ciência de dados na PUC de Minas Gerais.

 Graduação em ciência de dados

Foi no segundo semestre do ano passado que a Escola de Matemática Aplicada da Fundação Getulio Vargas (FGV EMAp), no Rio de Janeiro, anunciou a criação do primeiro curso de graduação do país em ciência de dados. A primeira turma terá início no primeiro semestre de 2020 e o programa quer fornecer base sólida para quem aspira trabalhar no mercado corporativo ou quer prosseguir na carreira acadêmica, como pesquisador.

“A nova graduação em ciência de dados oferecerá aos alunos uma trajetória inovadora para sua formação. Nossos alunos serão capacitados para, ao invés de somente utilizarem ferramentas e pacotes comumente disponíveis, aprenderem a criar suas próprias ferramentas analíticas através de ambientes de programação”, destacou em comunicado o professor Yuri Saporito, coordenador do curso. “Eles aprenderão todos os fundamentos matemáticos, estatísticos e computacionais necessários para exercer essa profissão moderna.”

No exterior, escolas renomadas também estão apostando em cursos ligados a análise de dados. É o caso da Fuqua School of Business, da Duke University, dos Estados Unidos. A escola de negócios localizada na cidade de Durham, na Carolina do Norte, e que tem presença frequente nos rankings que classificam as melhores escolas de negócio do mundo, desenhou cursos voltados para a preparação de profissionais que atuam na gestão de dados. São eles: Master of Quantitative Management (MQM): Business Analytics, presencial e com 10 meses de duração; e Master of Science in Quantitative Management (MSQM): Business Analytics, online e com 19 meses de duração.

“Os dados estão por toda parte, e as empresas precisam começar a entendê-los como um importante ativo”

Jeremy Petranka, reitor-assistente da Fuqua School of Business, da Duke University

cientista de dados Foto Yancy Min (Unsplash)

Desafios do cientista de dados no Brasil

Para Petranka, o grande desafio com o avanço desse conceito no Brasil será encontrar profissionais capazes de analisar de maneira assertiva o enorme volume de dados que trafegará entre as instituições, principalmente as bancárias. Um dos segmentos que mais deve demandar profissionais com esse tipo de formação no Brasil é o financeiro, acredita o vice-reitor.

“Como o relacionamento que o cliente possui com o banco não poderá ser transferido, o grande ativo disponível será esse enorme volume de dados gerados pelo comportamento do consumidor dentro da instituição. Por isso, é fundamental que as instituições contem com profissionais que saibam ler esses dados”, afirmou.

Kailash diz que, para trabalhar na área de ciência de dados, é preciso dominar algumas linguagens de programação – ele destaca o Python -, “que é bastante utilizada para machine learning. É requisito obrigatório”, comenta.

Além da linguagem de programação ele destaca a necessidade de ter conhecimento de computação na nuvem. “É preciso saber uma solução que possa escalar o modelo criado e que suporte o volume de dados da era do big data.”

Outro conhecimento importante, segundo Kailash, é o estatístico e matemático, “para entender os modelos e saber extrair valor dos dados que estão sendo analisados”.

Características e mercado

Sobre comportamento, Kailash diz que a função, como o nome já diz, é de cientista, então tem que ter resiliência, inquietude, buscar as mais variadas hipóteses e ir a fundo em cada problema que encontra. “Tem que ser investigativo e persistente, além obviamente de ser organizado, porque os códigos precisam estar bem documentados para todos entenderem. E tem que estar sempre atualizado, atento aos novos conhecimentos.”

O mercado, na visão de Kailash, está mesmo aquecido e deve ficar ainda mais, porque não se trata de um setor consolidado, mas sim ainda em fase de amadurecendo no Brasil.

“Muitas empresas estão se transformando digitalmente e descobrindo o valor da ciência de dados”

Kailash Bernucci, cientista de dados da Stefanini

Hoje a demanda por profissionais é maior que a oferta. Ele, por exemplo, recebe abordagens e convites para entrevistas semanalmente. “Ainda não há profissionais capacitados na quantidade que o mercado precisa.”


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