Ciência e tecnologia ajudam o agronegócio a se desenvolver - WHOW

Tecnologia

Ciência e tecnologia ajudam o agronegócio a se desenvolver

Setor tem um grande desafio pela frente, produzir mais alimentos do que em qualquer outro período da história com limitações naturais

POR Adriana Fonseca | 30/09/2020 17h30 Arte Grupo Padrão (@flaviopavan_76) Arte Grupo Padrão (@flaviopavan_76)

Deep Tech são aquelas tecnologias que estão avançando fronteiras científicas, tecendo mercados inexistentes e catalisando mudanças para problemas que afetam o mundo. O tema foi debatido em um painel da Oiweek, da 100 Open Startups, no qual o Whow! é parceiro estratégico, que mostrou as ações de startups e grandes corporações dentro do setor do agronegócio, bem como as novas tendências no segmento.

O crescimento populacional dos próximos 30 anos vai impactar profundamente o consumo de alimentos per capta, e será necessário produzir cerca de 60% mais comida do que é produzido hoje. O grande questionamento é como suprir essa demanda em tempos de aquecimento global e mudança climática.

Whow Festival 2020 Arte Grupo Padrão

Brasil como exportador de plataforma tecnológica? 

“Isso envolve tecnologia, o surgimento de uma indústria financeira focada em tecnologia, que são as agfintechs, agricultura sustentável e negócios com pegada de carbono limpo”, afirma Francisco Jardim, general partner da SP Ventures. Além disso, faz-se necessário preparar os produtores para serem mais produtivos e resilientes.

Francisco lembra que o Brasil é o epicentro dessa mudança, porque o agronegócio representa 25% do Produto Interno Bruto (PIB) do país. “Se incluirmos serviços financeiros para o setor do agro, essa participação sobe para cerca de 30% ou 40%”, afirma, comentando que o Brasil é líder em exportação e top três nas principais commodities agrícolas. “Chegamos nesse ponto com inovação, tecnologia, ciência e empreendedorismo. Nosso agro saiu de ser importador de alimentos para ser um grande exportador em 40 anos.”

Agora, o general partner da SP Ventures vê potencial de o país se tornar um exportador de plataforma tecnológica que potencialize outros locais que podem desenvolver o agronegócio, como a África Subsariana e o Sudeste Asiático. “Porque temos particularidades por sermos tropicais e isso é um diferencial que serve para esses locais”, aponta Francisco. 

Menos água, energia e pesticidas no agronegócio

agronegócio O crescimento populacional dos próximos 30 anos vai impactar profundamente o consumo de alimentos per capta, e será necessário produzir cerca de 60% mais comida do que é produzido hoje. Imagem: Pexels.

Paulo Arruda, professor da Unicamp, também falou do grande desafio que será produzir alimento para 10 bilhões de habitantes em 2050. “Como vamos produzir isso e eliminar uma série de fatores que deterioram o meio ambiente?”, questiona o acadêmico. “Teremos que produzir em 50 anos o que produzimos nos últimos 10 mil anos. Como fazer isso em um cenário de mudanças climáticas que já vem causando quebra nas safras?”

Ele exemplifica com a quebra na safra do milho no Mato Grosso, que gerou R$ 11 bilhões em perdas. “Será preciso usar menos água, menos energia e menos pesticida. Teremos que aumentar a produtividade em 20% com menos 20% de água, 30% menos fertilizantes e 50% menos defensivos químicos. Há, portanto, oportunidades em genética, manejo sustentável e Internet das Coisas.”

Pedro Coelho, cofundador da startup de biotecnologia Provivi, desenvolveu uma solução de encontro com as necessidades atuais do agronegócio e está mudando a remediação da praga para prevenção. A empresa faz isso com uso de feromônio como manejo integrado da safra.

“O feromônio confunde as mariposas, os machos não encontram as fêmeas, e isso mantém a população da praga baixa”, explica o empreendedor. A solução da agtech reduz o uso de inseticidas e melhora o rendimento da produção. 


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