Cidades inteligentes: quão distante estamos dessa realidade? - WHOW
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Cidades inteligentes: quão distante estamos dessa realidade?

O especialista internacional Jonathan Reichental aprofundou o tema das cidades inteligentes no Brasil e no mundo em seu painel no Whow! 2020

POR Carolina Cozer | 11/11/2020 11h00

Quando pensamos em cidades inteligentes muitas vezes imaginamos cidades futurísticas, com carros voadores e muita iluminação em neon. Às vezes pensamos em grandes cidades asiáticas ou da Europa, que já ostentam o título de “cidade inteligente” há algum tempo. Mas como o Brasil está lidando com o tema de Smart Cities? Será que alguma capital brasileira está perto de atingir esse status?

No painel “Cidades inteligentes: o quão distantes estamos dessa realidade em um país como o Brasil?”, do Whow! Festival de Inovação 2020, o ex-CIO da cidade de Palo Alto, no estado da Califórnia, e um dos principais pesquisadores globais sobre o tema, Jonathan Reichental, abordou as possibilidade deste modelo urbano nos quesitos de espaços, carreiras, inovação e empreendedorismo, e como algumas cidades brasileiras se comparam com o resto do mundo.

Cidades para pessoas

Mais da metade da população mundial vive em áreas urbanas, e em 2050 esse número será de 70%. Por um lado, é fantástico observar como as pessoas foram capazes de migrar das áreas rurais para cidades ― que são responsáveis por 80% da atividade econômica no mundo. Por outro lado, todos esses movimentos geram pegada de carbono.

Com essas informações Jonathan Reichental introduz o assunto, e ressalta que os carros são um dos fatores essenciais dos problemas de design das cidades de hoje. “Para criar comunidades melhores, diminuir o impacto ambiental e a probabilidade de acidentes, precisamos rever totalmente os meios de transporte. Passamos boa parte do século construindo cidades para carros, não para pessoas. Temos que construir cidades para pessoas”, diz.

Graças à urbanização, milhares de pessoas puderam sair da pobreza nos últimos 20 anos. Mas isso não significa que todas as pessoas que moram em cidades estão prosperando. “As cidades não são capazes de abranger todas as pessoas, e não são inclusivas. Vemos cidades tentando alcançar coisas incríveis, mas não se preocupando com a igualdade”, diz Reichental, que sugere que o assunto da desigualdade precisa sair do “conversar a respeito” para “fazer algo a respeito”.

Oportunidades de negócios

Smart Cities também precisam ser desburocratizadas, segundo Reichental. “Para melhorar as questões governamentais, é preciso digitalizar as cidades, transferindo funções burocráticas para a internet. Quando pensamos em Smart Cities e em como tornar nossas cidades mais sustentáveis, precisamos pensar em termos holísticos. Não é um tópico limitado e singular, é bastante amplo e complicado”, sugere.

Smart Cities criarão oportunidades significativas de negócios, com valor de mercado de US$ 2,46 bilhões em 2025, diz o especialista, “Precisamos de pessoas que se arriscam, de inovadores, de gente que pensa grande e diferente para tornar nossas cidades melhores, mais inclusivas e sustentáveis.”

Energias renováveis

A energia também é uma parte significante do que é necessário para as cidades melhorarem. “Temos mais de uma dúzia de Mega Cidades no mundo, que são cidades com população de 10 milhões no mínimo. Para alimentar toda a energia de uma cidade desse tamanho, precisamos de mais eletricidade.” Mas a energia precisa ser limpa, ele esclarece. “Não podemos mais explorar o planeta por carvão, gás, petróleo da forma que era feita no século passado. Essa é a maior causa da emergência climática. Estamos no começo de uma revolução energética, que não só muda nossa perspectiva de energia, mas a perspectiva e comportamento de nossas comunidades”, diz. 

O especialista cita o exemplo da cidade de Friburgo, na Alemanha, que em dias ensolarados a energia é gratuita para todos, pois a cidade abraçou os painéis de energia solar. “Com novas tecnologias surgindo, as cidades vão começar a ficar diferentes. Teremos drones, robôs e vários dispositivos com inteligência artificial. E veremos o fim dos carros com motor à combustão. E isso irá remodelar totalmente as cidades, talvez até mesmo eliminando sinais de trânsito, já que os carros serão autônomos”, explica.

A realidade do Brasil

Em relação às cidades inteligentes no Brasil, Reichental compartilha que há cidades que realizam um papel importante quando o assunto é referente às possibilidades de inovações urbanas e Smart Cities. “Há 4 cidades que estão fazendo coisas interessantes: Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte e Vitória”, diz.

De acordo com Reichental, o Rio chama a atenção pelo projeto 1746 que proporcionou a consolidação dos call centers, fazendo com que que toda a central de atendimento dos serviços municipais se concentrasse em uma central única. 

Em São Paulo, o ex-CIO explica que os esforços para reduzir a burocracia na cidade são a cara das Smart Cities. “Estão sendo implementadas soluções digitais e novas ferramentas para desburocratizar a cidade”, afirma. 

Em Belo Horizonte há muita coisa essencial para uma Smart City, segundo Reichental. “Boa infraestrutura digital e boa conexão de internet são exemplos. A cidade tem mais de 700 quilômetros de fibra embaixo da terra, que cria uma ótima plataforma para telecomunicações”, diz.

Por fim, em Vitória, o governo determinou um foco claro em fomentar o ecossistema de inovação. “Há muitos esforços, em particular há um grande suporte para startups. Podemos ver muitas incubadoras e muitas aceleradoras”, finaliza.


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