Cidades inteligentes para além da tecnologia - WHOW
Tecnologia

Cidades inteligentes para além da tecnologia

Smart Cities vão muito além da robótica, pois o olhar humano é parte essencial de um bom planejamento urbano

POR Carolina Cozer | 12/11/2020 14h30

Não é segredo para ninguém que a coleta de dados e os softwares que os processam (conhecidos como big data) são uma parte viva nos projetos de cidades inteligentes. Afinal, para processar a quantidade exorbitante de dados gerados em uma cidade é preciso ter uma inteligência robótica por trás.

Mas segundo a especialista em cidades inteligentes e PhD em Digital Design Isabel Fróes, as Smart Cities vão muito além da robótica, pois o olhar humano é parte essencial de um bom planejamento urbano.

Na trend session “Inovação urbana, reinvenção dos espaços públicos e comunidades móveis no contexto Brasil”, do Whow! Festival de Inovação 2020, a especialista apresentou os insights do projeto Cities for People, que teve foco na reestruturação da mobilidade e transporte urbano em cinco cidades europeias.

Metabolismo urbano

Dentro do conceito de cidades inteligentes, Fróes comenta que é comum que as pessoas pensem em cidades com muita informação, enorme coleta de dados e tecnologia de ponta. “Só que na realidade não é bem assim”, ela diz. “Algo que as pessoas não pensam muito a respeito, mas que é essencial para as Smart Cities é que cidades não são só de pessoas ― as cidades são para as pessoas”, comenta. 

A PhD explica que não são apenas os seres humanos que se locomovem pelas cidades, mas também as mercadorias, por exemplo. “Esse grupo de serviços faz parte de um grupo chamado metabolismo urbano, que são as mercadorias, o seu descarte e as pessoas que as demandam”, conta. “Assim, quando se fala em mobilidade urbana, são se fala somente das pessoas indo de A para B, mas também dos remédios alimentos etc indo de B para C, por exemplo”. Ou seja, qualquer coisa que se move em uma cidade entra no aspecto de mobilidade.

Para Fróes, as cidades são como telas de pintura, que vão sendo criadas de acordo com as necessidades locais. Ruas, quadras, avenidas, calçadas ― todas são frutos de necessidades específicas dos indivíduos que habitam uma cidade. “Por isso é essencial entender as dores dos habitantes, e inclusive prever as dores que estão por vir”, coloca.

Prototipagem urbana

Com o isolamento social criou-se a possibilidade das ruas serem usadas de uma nova forma. Em muitos lugares, por exemplo, foram colocados em prática processos de construção urbana que atrapalhavam o fluxo da cidade, ou vias públicas foram transformadas em ciclovias. “Com a pandemia foi possível brincar melhor com os espaços urbanos”, opina Fróes.

Para trabalhar com o design de cidades, é preciso entender quais são as variáveis locais. A especialista explica que o sol, por exemplo, é um fator que pode ser positivo ou negativo, dependendo de qual ponto do planeta se está, e se determinada cultura gosta ou não da exposição ao sol. “É preciso ter isso em mente na hora de construir calçadas que irão estimular ou não a o contato solar. Cidades com muitas ladeiras, como Istambul, por exemplo, precisam ter áreas de descanso nas escadarias”, conta.

A prototipagem urbana é como Fróes chama o ato de testar antes de implementar soluções em cidades. Normalmente feitas com materiais de baixo custo, a prototipagem vida experimentar e observar possíveis consequências do uso dessas soluções, como aderência dos cidadãos, diferenças no trânsito, impacto econômico etc, de acordo com o objetivo inicial. “O mais importante da prototipagem é que a população se sinta ouvida através das soluções implementadas”, diz. “Os moradores locais vão dar as variáveis reais das necessidades daquele local, muito mais do que quaisquer dados coletados por inteligência artificial. As informações técnicas podem ser coletadas pelos dados, mas os porquês do comportamento da população só se consegue ao ouvir as pessoas”, finaliza, esclarecendo o motivo pelo qual as cidades inteligentes vão muito além dos dados e da tecnologia.


cityfutur Arte Grupo Padrão (Giovana Sorroche)


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