Cidades inteligentes: o que mudou no planejamento com a pandemia? - WHOW

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Cidades inteligentes: o que mudou no planejamento com a pandemia?

Saiba quais foram os efeitos da pandemia no planejamento das cidades inteligentes, e conheça as tendências futuras do setor

POR Carolina Cozer | 28/10/2020 20h18 Foto de Rafael Gonzales no Pexels Foto de Rafael Gonzales no Pexels

A pandemia da Covid-19 afetou completamente o modo de vida nas cidades. Isolamento, distanciamento, transportes públicos fechados, adaptação de ambientes do comércio, mudanças sanitárias… com tantas alterações no estilo de vida e disposição arquitetônica dos espaços públicos, é natural que o planejamento das cidades inteligentes tenha sofrido grande impacto em meio a essas mudanças.

“Mudou absolutamente tudo no planejamento das smart cities com a pandemia”, diz André Luis Azevedo Guedes, especialista em cidades inteligentes e autor do livro Smart Cities ― Cidades Inteligentes nas Dimensões: Planejamento, Governança, Mobilidade, Educação e Saúde. “Tudo o que estava programado, das prioridades pré-definidas àquilo que população gostaria que houvesse ― tudo passou por uma chacoalhada geral”, conta ao Whow!.

Agora, com grande parte dos orçamentos das cidades destinados aos esforços de saúde, o planejamento urbano 4.0 ficou na retaguarda. Contudo, o especialista não vê esse impacto necessariamente como negativo, e sim como uma pausa fundamental para que melhores estratégias sejam construídas. “Ainda é cedo para avaliar se o impacto é positivo ou negativo, mas é um momento para que prefeitos possam repensar à luz da nova realidade o planejamento de suas cidades”, opina.

cidades inteligentes Foto de Josh Hild no Pexels

Impacto na mobilidade

O setor de transportes foi um dos mais abalados pela pandemia. Muitas estações de metrô seguem fechadas na cidade de São Paulo, em uma tentativa de evitar a aglomerações. Por outro lado, o Uber teve queda de 80% das atividades em 2020, segundo releases oficiais.

Uma pesquisa feita pela Moovit, com 10 mil usuários em sete cidades brasileiras, investigou o que era necessário para que os brasileiros se sentissem mais seguros no transporte público. Algumas das principais respostas foram localização em tempo real dos veículos (63%) e saber com antecedência se ônibus, trens e metrôs estão cheios (44%). 

Pedro Palhares, Country Manager do Moovit no Brasil, conta que a redução do uso de transporte público no país chegou a 70%, mas há muitas oportunidades para que o setor se reconstrua de modo funcional e focado nas demandas das smart cities. “Queremos ajudar a fazer essa reconstrução do setor de forma inteligente, usando os dados para fazer com que os serviços sejam mais eficientes à população”, diz. “Já estamos vendo isso acontecer por aqui, e a 5G terá um papel essencial nos recursos de automação de veículos, o que será um dos próximos passos da mobilidade”.

Cidades inteligentes no Brasil

Embora o planejamento urbano inteligente esteja em recesso, algumas cidades brasileiras já são consideradas inteligentes, segundo Guedes.

No Rio de Janeiro, ele cita Niterói como um dos exemplos. Em São Paulo há São José dos Campos; no Paraná, o destaque fica para Curitiba, e no Ceará a cidade de Croatá. “São cidades que estão transformando sua qualidade de vida através do planejamento smart”, conta. “O driver tecnológico é muito forte nesses municípios, inclusive na camada de governança, com serviços baseados em dados”, informa. “Mas a 5G será fundamental para essa evolução no Brasil”.

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Tendências para o futuro do setor

Não há como pensar em cidades do futuro sem a ótica da internet 5G. Ainda sem previsão de instalação no Brasil, a tecnologia será capaz de transformar completamente a forma como cidadãos se relacionam com as cidades.

Com múltiplos recursos urbanos conectados e sincronizados à população, Palhares resume as tendências futuras do setor em duas palavras: mobilidade integrada. “Os elementos da mobilidade urbana estarão funcionando cada vez mais coordenados”, diz, exemplificando: “Você sairá da sua casa e usará um veículo sob demanda, pagando tudo no celular, com todas as informações sobre localização, duração da viagem, lotação e possíveis problemas no seu trajeto na palma da sua mão. Isso vai acontecer mais rápido do que se espera”, sugere.

Saindo um pouco da órbita da hipertecnologia, Guedes defende outra tendência para o futuro das smart cities: o desenvolvimento sustentável. “Quiçá atingiremos os objetivos de desenvolvimento sustentável que estão na agenda da ONU para 2030. Mas para que isso aconteça, é importante pensar o planejamento das cidades a partir de novas perspectivas”, explica. “Oportunidades de emprego precisarão ser geradas, a mão de obra precisará ser requalificada e tudo precisará ser replanejado, principalmente acerca do zoneamento econômico, do pensamento inteligente, da segurança, da mobilidade e das políticas públicas”, finaliza.


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