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China pode ser o primeiro país a adotar uma moeda digital

Projeto vem sendo desenvolvido há seis anos e ainda é cheio de segredos. Ainda não se sabe como o lançamento poderá afetar bancos e empresas

POR Luiza Bravo | 07/01/2020 15h34 China pode ser o primeiro país a adotar uma moeda digital Foto (Burst)

A China pretende ser o primeiro país do mundo a lançar uma moeda digital. O projeto, chamado DC/EP (moeda digital/pagamentos eletrônicos), começou a ser desenvolvido pelo Banco Popular da China em 2014, e tudo indica que falta pouco para ser posto em prática.

A instituição financeira chinesa afirma que a nova moeda digital não substituirá outras formas de suprimento de dinheiro, como depósitos em contas bancárias e saldos mantidos por aplicativos de pagamentos. Ainda de acordo com o Banco Popular da China, os demais bancos de varejo e fintechs vão continuar administrando os depósitos de clientes da mesma maneira, mas a nova moeda digital poderá fornecer uma maneira mais clara de os bancos liquidarem pagamentos entre si, diferente do sistema de compensação atual.

China Foto (Pxhere)

Cultura digital

Ainda não se sabe exatamente quando a moeda será lançada, mas a China parece estar à frente de outros países que realizam pesquisas semelhantes, como Canadá e Suíça. O país asiático já está a caminho de ser uma sociedade sem dinheiro.

Moradores das grandes cidades chinesas já se acostumaram a carregar apenas seus smartphones quando saem de casa, realizando pagamentos por meio de aplicativos como o Alipay ou o WeChat, vinculados às suas contas bancárias. Também já estão habituados a escanear QR codes para pagar ou transferir dinheiro um para o outro, e provavelmente se sentirão confortáveis ​​ao usar o mesmo processo para transferir dinheiro digital entre carteiras digitais.

Semelhante à moeda digital Libra, proposta pelo Facebook, e outras criptomoedas como o Bitcoin, a moeda digital chinesa será alimentada parcialmente pela tecnologia de blockchain.

China Foto (Pxhere)

Prós e contras

O Banco Popular da China não quer que a moeda digital se torne uma ameaça ao sistema bancário de varejo. Por isso, ela será emitida para instituições financeiras existentes, o que significa que os bancos deverão distribui-la para uso dos clientes, da mesma forma como ocorre hoje com a moeda física.

A principal vantagem da moeda digital sobre a física é que ela permitirá ao governo chinês rastrear transações em dinheiro, o que, segundo autoridades, ajudaria a combater a lavagem de dinheiro, jogos ilegais e financiamento do terrorismo.

Os críticos argumentam que essa substituição do dinheiro físico por uma moeda digital representa uma séria ameaça à privacidade, já que a rastreabilidade da nova ferramenta pode fornecer às autoridades chinesas uma supervisão sem precedentes sobre os fluxos de dinheiro, dando a elas um grau de controle sobre sua economia que a maioria dos bancos centrais não possui.

O Banco Popular garantiu que vai buscar o equilíbrio, de forma a respeitar a privacidade dos usuários e, ao mesmo tempo, reprimir transações ilícitas.


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