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Chief Digital Officer: ainda uma profissão do futuro?

Função de CDO ainda é demandada, mas em ritmo menor, e seu escopo de atuação vem mudando com o passar dos anos. Veja estudos e relatos de profissionais da área

POR Adriana Fonseca | 18/03/2020 12h04 Chief Digital Officer: ainda uma profissão do futuro? Foto Ilustrativa (Pixabay)

A profissão de Chief Digital Officer (CDOs) cresceu de forma expressiva nos últimos anos, desde 2011, quando a função surgiu no mercado. Relatório da PwC estima que, hoje, 21% das companhias de capital aberto no mundo tenham um executivo ocupando essa função ― mais do que os 19% detectados em um estudo anterior, de 2016. Em 2014, a função estava presente em apenas 6% das companhias. Na América Latina as taxas são semelhantes: 3% (2016), 13% (2017) e 18% (2018).

A explicação para a criação e crescimento da popularidade desse cargo é simples: liderar a agenda de transformação digital das empresas.

Isso é apontado na prática por Carolina Sevciuc, diretora de Transformação Digital da Nestlé Brasil, onde ela é responsável pelos setores de inovação, vendas digitais, data lab e TI.

“O Chief Digital Officer não poder ser alguém apenas com perfil técnico que acompanha tendências. Precisa ser alguém com grande habilidade de negociação para vencer os desafios inerentes da jornada de transformação digital e também trabalhar inovação com a base de conhecimento já acumulada na empresa”

Carolina Sevciuc, diretora de Transformação Digital da Nestlé Brasil

“E o mais importante é entender que a transformação deve ser feita com foco no consumidor e como meio de melhorar processos” detalhou ao Whow!.

Queda de popularidade do Chief Digital Officer

Mas, ainda que tornar-se digital continue sendo importante, um movimento recente mostra que o ritmo de contratações para a função de CDO diminuiu.

No último estudo de CDOs conduzido pela Strategy &, grupo de consultoria de estratégia da PwC, e divulgado em 2019, foram analisados os padrões de contratação e o escopo da função de CDO nas 2.500 maiores empresas listadas em bolsa. A pesquisa descobriu, então, que a taxa de criação de cargos de CDO diminuiu fortemente na comparação com o levantamento anterior, feito em 2016.

Apenas 54 empresas pesquisadas (2,2%) haviam criado uma nova e distinta posição de CDO em 2018, em comparação com 124 que o fizeram em 2017 e 160 em 2016. Dessa forma, a consultoria afirma que “2016 foi o ponto mais alto na contratação de CDOs”.

A explicação? “Os líderes de muitas empresas agora acreditam que colocar uma única pessoa no comando da transformação digital pode não ser a melhor abordagem, porque é uma prioridade estratégica intrínseca em todo o negócio. A agilidade se torna crítica para a sobrevivência”, afirmou o relatório.

Ao mesmo tempo, continua o relatório, as empresas que já possuem um CDO mudaram suas expectativas quanto a essa função. Primeiro porque a função se tornou muito mais transformadora em toda a empresa ― o CDO deve trabalhar transitando por departamentos funcionais. Segundo porque é necessário alterar os sistemas legados e implementar novas tecnologias, o que significa que o CDO deve ter o conhecimento tecnológico apropriado. “Um terço dos indivíduos que originalmente assumiram a posição de CDO foram substituídos devido a essas mudanças de expectativas”, diz o relatório.

Chief Digital Officer Foto Ilustrativa (Pexels)

Perguntada se esta realmente será uma profissão do futuro, Carolina disse que o cargo é necessário atualmente já que as companhias querem ter mais velocidade na suas transformações digitais. E dentro da Nestlé Brasil, a executiva contou que foi convidada para criar o hub de inovação da empresa  em 2014. Quatro anos depois, foi instituída a área de Transformação Digital, composta pelos setores de inovação, data lab e vendas digitais. “Os times dedicados a cada uma dessas áreas ajudam a acelerar a jornada digital na empresa cujo principal foco é identificar e atender cada vez mais as demandas do consumidor. E, agora, em 2020, a Nestlé entendeu que fazia sentido incorporar o time de TI ao de Transformação Digital, pois entendemos que, assim, poderemos impor mais velocidade à implementação da jornada digital”, descreveu.

Funções e desafios

Um outro estudo, este feito pelo Fórum Econômico Mundial, mostra que o mandato médio de um CDO é de 31 meses ― o mais curto de todos os cargos “C-Level” ― e esse número está caindo. Além disso, mais de três quartos deles deixam a empresa imediatamente após seu mandato como CDO.

Mas, afinal, quais são os principais desafios de quem atua como CDO hoje, já que seu escopo de trabalho vem se transformando?

Libby Naumes, da consultoria de recrutamento Russell Reynolds, comentou em um artigo que “a tecnologia orientada ao cliente e a estratégia de entrada no mercado devem funcionar de mãos dadas, e o CDO se encaixa no meio dessas duas funções. Historicamente, as estratégias de entrada no mercado das empresas estavam desconectadas de plataformas como marketing e vendas, e agora estão todas sobrepostas. Os executivos precisam pensar no cliente como ponto focal e em todas as outras funções como facilitadoras”.

“Tradicionalmente, as organizações têm atuado de forma muito departamentalizada, e cabe ao CDO garantir que elas estejam recebendo adesão de times como marketing e TI, para poder vincular suas necessidades a toda a organização”

Libby Naumes, consultora da Russell Reynolds

Ela ainda exemplifica.

“Se uma organização tem um CMO [Diretor de Marketing] forte e uma marca forte, o CDO pode entrar e ajudar no desempenho do marketing. É preciso avaliar a atual estrutura de liderança para saber onde as pessoas têm força e pontos fracos e onde o CDO pode entrar e complementar as outras funções.”

Já para Carolina, o principal desafio no cargo é possui uma visão geral da empresa e suas áreas, além do trabalho de colaboração entre todos os setores, como foco na transformação digital. Ela também destaca a mudança de mentalidade nas empresas. “Ao mexer com a cultura é possível causa algum desconforto interno, o que exige muita habilidade para não criar barreiras ao desenvolvimento do trabalho. Neste caso, é preciso pensar em gerar incentivos, ter uma comunicação transparente e reunir talentos, com competências diversas (hard e soft skills)”, completou.

*Com colaboração de Éric Visintainer

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info 4 Arte Grupo Padrão (Giovana Sorroche)



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