Cerca de 60% dos profissionais de tecnologia sofrem de burnout - WHOW
Tecnologia

Cerca de 60% dos profissionais de tecnologia sofrem de burnout

O transtorno atinge 33 milhões de pessoas no Brasil. Conheça uma startup que criou um robô que apura o estado emocional dos colaboradores de uma empresa

POR Luiza Bravo | 09/03/2020 18h49 Cerca de 60% dos profissionais de tecnologia sofrem de burnout Foto ilustrativa Kevin Ku (Unsplash)

Muitos de nós já estamos acostumados com o desgaste no local de trabalho. Cada vez mais pessoas relatam sensações de esgotamento, exaustão de energia ao fim do dia, sentimentos negativos em relação à carreira e produtividade profissional reduzida.

Esses são os principais sintomas da Síndrome de Burnout, que até pouco tempo atrás não era reconhecida pela Organização Mundial da Saúde, e só entrou na Classificação Internacional de Doenças da instituição em maio do ano passado. Apesar de cada vez mais comum entre os trabalhadores, o burnout deve ser tratado com atenção, já que pode desencadear problemas psiquiátricos mais graves.

burnout Foto ilustrativa Gerd Altmann (Pixabay)

Os dois lados da tecnologia

Trabalhar na área de tecnologia pode ser um sonho para muita gente: os salários costumam ser altos e os escritórios são modernos. Mas a realidade não é bem assim. Uma pesquisa da Blind revelou que cerca de 60% dos trabalhadores do setor sofrem com burnout.

O problema atinge profissionais de todas as áreas, mas o ritmo acelerado e o nível elevado de exigência contribuem para as altas taxas de esgotamento no mercado tech.

Infelizmente, não há solução fácil para o burnout, mas algumas medidas de prevenção podem evitar o desenvolvimento do transtorno, que só no Brasil atinge 33 milhões de pessoas, de acordo com a International Stress Management Association (Isma-BR).

Soluções das startups

Foi pensando nisso que a startup Hisnëk desenvolveu a robô Ivi (acrônimo para Inteligência Virtual Interativa). Por meio de um aplicativo de celular, a Ivi interage com os colaboradores das empresas e apura como anda seu estado emocional.

Se há relatos recorrentes de tristeza e cansaço excessivo, a Ivi entende que aquele colaborador possui potencial para desenvolver burnout e passa a cuidar dele mais de perto. As empresas não possuem acesso a essas informações, justamente para que os funcionários se sintam confortáveis ao interagir com a Ivi.

A fundadora da Hisnëk, Maria Carolina Dassie Afonso, explica que os algoritmos do robô são baseados em protocolos médicos comprovados clinicamente, e que a abordagem acolhedora – aliada ao sigilo dos dados – garante que os profissionais ouvidos sejam transparentes em relação a como estão se sentindo. “A Ivi fica à disposição do colaborador em esquema 24 por 7, e conforme ele vai navegando e recebendo conteúdo mais personalizado, vai se sentindo mais à vontade e criando um vínculo com a assistente”, explicou ao Whow!.

“Normalmente a tecnologia é vista como algo frio, mas é interessante enxergá-la com esse outro olhar, usá-la para conseguir cuidar das pessoas com acolhimento”

Maria Carolina Dassie Afonso, fundadora da Hisnëk

A partir dos sintomas relatados por cada usuário, a Ivi pode recomendar que o colaborador procure a ajuda de um especialista ou sugerir outras medidas de descompressão, como atividades físicas e mudanças na alimentação. A equipe responsável pela assistente virtual conta com educadores físicos e nutricionistas para orientar os usuários, além, é claro, de psiquiatras.

“Podemos cuidar da pessoa antes mesmo de a bandeira vermelha aparecer, otimizando o investimento já feito pela empresa, reduzindo seus gastos com planos de saúde para os colaboradores e evitando que o funcionário siga por um caminho de cronicidade em saúde mental”, enfatiza Maria Carolina.

Ainda segundo ela, os dados coletados pela plataforma permitem a detecção de sazonalidades em cada empresa e o planejamento de ações preventivas. No varejo, por exemplo, é comum que os funcionários tenham picos de estresse no fim do ano, quando ocorrem eventos como a Black Friday e o Natal.

burnout Foto ilustrativa Gerd (Pixabay)

Semana de 4 dias

Ao pensar na saúde mental e produtividade do seus colaboradores, a empresa Zee.Dog, que desenvolve produtos para pets, implementou recentemente a semana de trabalho de quatro dias, com uma folga às quartas-feiras. A ideia atingirá os escritórios no Brasil, Espanha e China da startup.

E em agosto de 2019, a Microsoft também entrou na onda para o seu escritório no Japão. Além da semana menor, outras duas mudanças  culturais também foram implementadas com foco na criatividade dos funcionários: reuniões com no máximo 30 minutos e o incentivo pela comunicação on-line, ao invés de pessoalmente.

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