CEO da Tembici crê que adesão às bicicletas venceu até polarização política - WHOW
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CEO da Tembici crê que adesão às bicicletas venceu até polarização política

Para o executivo da Tembici, a integração de veículos leves com o sistema público é essencial para a mudança real na mobilidade urbana

POR Raphael Coraccini | 14/01/2020 19h10 CEO da Tembici crê que adesão às bicicletas venceu até polarização política Foto Roman Koester (Unsplash)

Tembici foi inicialmente o trabalho de conclusão de curso de Mauricio Villar, hoje COO da startup. A ideia era criar o primeiro sistema de bicicletas compartilhadas na cidade de São Paulo, que ligaria o metrô Butantã à Cidade Universitária. Esse trabalho ganhou corpo e funciona há 11 anos. Mas os novos negócios de mobilidade urbana enfrentaram muitos desafios, entre eles, a resistência da população em abrir espaço entre os carros para as bicicletas.

Tomás Petti, CEO da Tembici, aponta que o potencial de expansão do negócio de compartilhamento de bicicletas está diretamente ligado à falência do modelo de cidade que privilegia o carro. “Toda vez que você pega um carro você precisa ocupar um enorme espaço viário para se locomover no curto trajeto. Essa não é a forma mais eficiente”, aponta.

bicicletas Foto Adrian Williams (Unsplash)

Parceria com o Itaú

Com operações também no Chile e na Argentina, a Tembici tem como parceiro desde 2014 o banco Itaú. A parceria surgiu com o famoso bicicletário no Largo da Batata, na região da Faria Lima, na cidade de São Paulo. A partir de 2016, a Tembici passou a assumir os principais projetos financiados pelo banco para estimular o uso das bicicletas compartilhadas.

A participação de um dos maiores bancos do mundo no estímulo à transformação da mobilidade urbana é um trunfo em um cenário adverso.

“Os investimentos em infraestrutura sempre foram voltados para o carro. Mas há uma mudança sendo acelerada. Nos últimos cinco anos vemos uma mudança de cultura que demorou 70 anos para ser construída, mas que será disruptada muito mais rápido do que foi implementada”

Tomás Petti, CEO da Tembici

Redução no número de CNHs

Tomás coloca como um dos indicativos da mudança cultural a redução do número de carteiras de habilitação. Segundo o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), de 2014 a 2017 a emissão de CNH para jovens de 18 a 21 anos caiu 20,61%. O sonho de ter e dirigir um carro já não é tão pujante quanto em outros tempos.

Em paralelo, acontece a adesão às bicicletas, em especial, entre as camadas mais ricas que antes contestavam a substituição do carro por outros modais e a mudança de prioridades no desenho viário da cidade. Uma pesquisa realizada pelo Metrô chamada “Origem e Destino do Metrô” apontou que, entre 2007 e 2017, o número de deslocamentos dessa classe social foi totalmente ou em parte por bicicletas saltou de 3.840 para 19.131 por dia.

Integração com o sistema público

Entre os motivos que podem estar afastando os jovens do automóvel próprio estão o custo de manutenção e o tempo de vida que se perde em congestionamentos. A bicicleta tem o potencial de fazer a substituição do carro, mas não sozinha. Para Petti, a integração de veículos leves com o sistema público é essencial para a mudança real na mobilidade urbana. “Quarenta por cento das nossas viagens começam ou terminam em um transporte de massa. Essa integração é a base do sucesso. Cada vez mais as pessoas virão ao centro expandido via transporte de massa e utilizarão esses modais para se locomoverem nesse último trajeto”, acredita.

bicicletas Foto Coen van den Broek (Unsplash)

Nova mentalidade

O CEO da Tembici avalia que a resistência que parte da população impôs à entrada das bicicletas no circuito com as novas políticas que privilegiavam ciclo faixas e ciclovias está sendo desarmada. “Há quatro ou cinco anos, essa discussão (sobre a inclusão das bicicletas) era muito forte porque parte da população que não queria ter seu sistema viário modificado. Hoje em dia, você vê tendência contrária, essas mesmas pessoas já utilizam a bicicleta ou outros micromodais para se locomoverem”, destaca.

Com a mudança de pensamento das pessoas, o poder público encontra mais espaço para construir alternativas ao transporte motorizado individual. No ano passado, a prefeitura de São Paulo anunciou a criação de 170 km de ciclovias e ciclofaixas na cidade até o fim de 2020. Para Petti, “a inclusão da bike venceu a disputa partidária” e passou a ser uma questão programática da cidade.

“Nós precisamos reinventar o transporte urbano, principalmente na chamada última milha. Não dá para carregar 1,5 toneladas de alumínio toda vez que você precisa andar 5 km dentro da cidade”

Tomás Petti, CEO da Tembici


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