O cenário do empreendedorismo no Brasil pós-pandemia - WHOW
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O cenário do empreendedorismo no Brasil pós-pandemia

O empreendedorismo pode ser uma saída para os mais de 28 milhões de brasileiros sem trabalho por conta da pandemia do novo coronavírus

POR Carolina Cozer e Patricia Bull | 20/06/2020 09h00

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou no dia 16 o que parte dos brasileiros já está sentindo: aumentou o desemprego. Segundo o IBGE, já são 28,6 milhões de pessoas com dificuldade para conseguir trabalho, seja por falta de oportunidade ou por medo do contágio do novo coronavírus.  

A tendência para os próximos meses é que essa situação se agrave. Como consequência, serviços de apoio a microempresas, como o Sebrae, estão se preparando para atender uma nova onda empreendedores e profissionais liberais que devem surgir. Isso não é ruim. Afinal, o sonho do brasileiro é ser dono do próprio negócio. Na lista de desejos está atrás apenas de comprar um carro, viajar pelo Brasil e ter a casa própria, segundo o relatório anual do Global Entrepreneurship Monitor (GEM). A má notícia é que a pandemia do promete um legado de desafios para essa nova geração de empreendedores, especialmente para aqueles que empreendem por necessidade ― ou seja, que viram empreendedores pela falta de oportunidades de emprego.

“O desemprego causado pela pandemia do novo coronavírus só vai acelerar uma tendência que vinha se desenhando: a opção pelo empreendedorismo como forma de se adequar à nova relação de trabalho após a Reforma Trabalhista”, afirma a gestora do Business Hub da FAAP, Alessandra Andrade, ao Whow!

Para especialistas, massificação pode trazer inovações

Ela pontua que muitos empresários tiveram que “enxugar” a equipe durante a quarentena para conseguir sobreviver. No retorno pós-quarentena, a tendência é que eles contratem prestadores de serviços no lugar de trabalhadores para atender a demanda esperada. “Esse pode ser um caminho para que o empresário volte à sua atividade sem assumir novos compromissos e uma opção para quem perdeu o emprego e terá dificuldade de se recolocar”, diz Alessandra. 

Para o diretor de renda variável da Messem Investimentos, William Teixeira, as crises são catalisadoras de inovações. “E, entre esses microempreendedores, há muitos que encontrarão na independência o negócio de suas vidas.”

“Acho que bons negócios vão surgir. A necessidade de se criar coisas novas, de se desenvolver soluções, sempre foi um estopim para a criação de novos negócios. Surgirão modelos que, eventualmente, desafiarão até mesmo os moldes tradicionais.” 

William Teixeira, diretor de renda variável da Messem Investimentos

Essa opinião é compartilhada pelo consultor do Sebrae-SP Fábio Zoppi. “Os resultados do empreendedorismo por oportunidade são duradouros e devem surgir também no pós-pandemia. Com um mínimo de preparo é possível resolver problemas reais de mercado”, diz, ao Whow!

Oportunidades para quem quer empreender

Quem está pensando em empreender no pós-pandemia, a gestora do Hub da Faap vê opções nas áreas de limpeza e segurança. “Esses são dois segmentos cujas demandas vão aumentar por conta da pandemia. A quarentena vai acabar, mas os cuidados com limpeza e segurança se tornam cada vez mais necessários, especialmente em espaços com alta rotatividade e necessidade de controle de acesso”, afirma Alessandra.

Para ajudar esses novos empreendedores, Zoppi pontua que os mais de 30 escritórios regionais do Sebrae-SP estão preparados para receber dar dicas, mesmo durante a crise da Covid-19. O agendamento pode ser feito pelo 0800 570 0800. 

Agora, para quem estava começando um negócio e foi pego de surpresa pela quarentena, a orientação é tentar retomar o negócio sem novos investimentos. Vale lembrar que a Organização Mundial da Saúde (OMS) calcula que serão necessários ao menos 18 meses para surgir uma vacina contra o novo coronavírus. Ou seja, os países deverão alterar períodos de abertura e isolamento durante esse período. Por isso, inovar e renovar o próprio serviço ou produto podem ser maneiras eficientes de enfrentar a retomada. 

Mas atenção: faça isso sem novos investimentos. “Costumo dizer que estamos vivendo um momento Darwin: quem vai sobreviver não é o mais forte, nem o mais rápido, mas quem melhor se adaptar ao novo cenário, com o menor custo”, diz Alessandra.


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